{"id":12511,"date":"2019-12-13T13:26:21","date_gmt":"2019-12-13T16:26:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=12511"},"modified":"2019-12-13T13:28:13","modified_gmt":"2019-12-13T16:28:13","slug":"ainda-e-muito-cedo-para-comemorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ainda-e-muito-cedo-para-comemorar\/","title":{"rendered":"Ainda \u00e9 muito cedo para comemorar"},"content":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pr\u00e9via do Produto Interno Bruto (PIB) do Banco Central, o IBC-Br, veio positiva, com alta modesta de de 0,17% em outubro. Mas esse crescimento observado na economia neste fim de ano merece cautela nas an\u00e1lises antes de comemora\u00e7\u00f5es precoces. O indicador mensal do BC divulgado nesta sexta-feira (13\/12) indica uma desacelera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a setembro, cujo dado foi revisado de 0,44% para 0,48%. Em termos anuais, o PIB real cresceu 2,13% em outubro, um pouco acima dos 2,10% em setembro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Alberto Ramos, do Goldman Sachs, ressaltou que o PIB real ainda est\u00e1 \u201c6,1% abaixo do pico do ciclo de dezembro de 2013 e apenas 5,6% acima do n\u00edvel c\u00edclico de dezembro de 2016, tornando a recupera\u00e7\u00e3o c\u00edclica mais fraca j\u00e1 registrada\u201d. Ele lembrou que o desemprego ainda est\u00e1 elevado e a economia opera abaixo da sua capacidade. \u201cO progresso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o fiscal nos n\u00edveis federal e subnacional continua sendo, em nossa avalia\u00e7\u00e3o, essencial para ancorar o sentimento do mercado, apoiar o sentimento do consumidor e do neg\u00f3cio e alavancar o que tem sido at\u00e9 agora uma recupera\u00e7\u00e3o superficial\u201d, escreveu Ramos em seu comunicado ao mercado.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Logo, a conclus\u00e3o que podemos chegar \u00e9 que o pa\u00eds est\u00e1 crescendo muito, mas muito pouco. E, em grande parte, gra\u00e7as ao est\u00edmulo que o governo deu ao consumo neste fim de ano, ampliando a libera\u00e7\u00e3o dos saques de contas ativas e inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS). Se n\u00e3o fosse essa medida expansionista, que foge da cartilha liberal e ortodoxa do ministro da Economia, Paulo Guedes, o resultado da economia seria pior e os indicadores recentes n\u00e3o estariam fazendo os operadores da bolsa comemorarem com altas efusivas do \u00cdndice Bovespa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fora da realidade<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de os dados n\u00e3o serem muito animadores, a Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (B3) parece descolada da realidade e bate recordes, consecutivos. Opera acima de 112 mil pontos hoje novamente, apesar de o eventual acordo entre China e Estados Unidos ser prejudicial para as exporta\u00e7\u00f5es do Brasil. O pa\u00eds deixar\u00e1 de vender seus produtos para os chineses, que dar\u00e3o prioridade para as commodities norte-americanas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma economista atenta ao mercado me explicou o motivo dessa euforia na Bolsa: a car\u00eancia de not\u00edcias boas nos \u00faltimos anos. Qualquer um fica entusiasmado em excesso com uma fagulha que seja para realizar ganhos, o m\u00e1ximo poss\u00edvel, no curto prazo, pois o futuro continua incerto.Vale lembrar que, no ano que vem, as chances de acelera\u00e7\u00e3o mais robusta via consumo devem ser pequenas, principalmente, se houver acomoda\u00e7\u00e3o do governo em um ano eleitoral. O desemprego ainda \u00e9 muito alto. Ele pode ter deixado de cair, mas \u00e9 bom lembrar que os n\u00fameros de quem desistiu de procurar emprego continua crescendo e bate recordes e isso n\u00e3o pode ser ignorado. O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses mais desiguais do mundo e piorou no ranking global. Logo, a recupera\u00e7\u00e3o da economia em curso, embora gradual, ainda corre riscos, especialmente, se a agenda torta de costumes do presidente Jair Bolsonaro ocupar mais espa\u00e7o sobre a econ\u00f4mica, algo que atualmente vem sendo ignorado pelo mercado \u00e1vido em realizar lucros.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Standard &amp; Poor\u2019s, por exemplo, apesar de ter modificado a perspectiva da nota de risco do Brasil de est\u00e1vel para positiva e ter sinalizado uma revis\u00e3o \u201cdentro de dois anos\u201d, se o crescimento do pa\u00eds superar as expectativas e a trajet\u00f3ria de avan\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica se estabilizar, n\u00e3o apresenta previs\u00f5es muito animadoras da economia brasileira. A ag\u00eancia, por exemplo, prev\u00ea alta de 2% no PIB brasileiro no ano que vem, abaixo da m\u00e9dia do mercado. Al\u00e9m disso, estima que o PIB per capita em d\u00f3lares dever\u00e1 permanecer no mesmo patamar de 2019, de US$ 8,7 mil, no ano que vem e, at\u00e9 2022, continuar\u00e1 crescendo pouco, n\u00e3o conseguindo recuperar os patamares de 2012 e 2013, US$ 12,3 mil. Portanto, muita coisa ainda precisa ser feita para se comemorar de verdade. O caminho pode estar correto, mas \u00e9 preciso evitar atalhos tortos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; A pr\u00e9via do Produto Interno Bruto (PIB) do Banco Central, o IBC-Br, veio positiva, com alta modesta de de 0,17% em outubro. Mas esse crescimento observado na economia neste fim de ano merece cautela nas an\u00e1lises antes de comemora\u00e7\u00f5es precoces. 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