{"id":1252,"date":"2016-06-05T18:11:51","date_gmt":"2016-06-05T21:11:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1252"},"modified":"2016-06-05T18:11:51","modified_gmt":"2016-06-05T21:11:51","slug":"monica-de-bolle-se-brasil-fizer-esforcos-retomada-vira-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/monica-de-bolle-se-brasil-fizer-esforcos-retomada-vira-em-2018\/","title":{"rendered":"Monica de Bolle: &#8220;Se Brasil fizer esfor\u00e7os, retomada vir\u00e1 em 2018&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>POR ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Petterson Institute for International Economics, em Washington, v\u00ea muitas dificuldades para o novo governo conseguir aprovar medidas espinhosas, como a reforma previdenci\u00e1ria, mas acredita que a equipe de Temer dever\u00e1 preparar o terreno para isso. \u201cO debate com a sociedade brasileira ainda n\u00e3o est\u00e1 maduro o suficiente. Muitos n\u00e3o compreenderam que a escolha, hoje, \u00e9 entre n\u00e3o mais receber aposentadorias e benef\u00edcios por falta de recursos no futuro, e postergar a aposentadoria ou aceitar redu\u00e7\u00f5es em alguns benef\u00edcios para n\u00e3o perd\u00ea-los de vez\u201d, resume.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A queda de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano ficou abaixo das expectativas do mercado, mas Monica vai na contram\u00e3o de muitos analistas brasileiros ao duvidar de uma retomada a partir do pr\u00f3ximo semestre, devido ao elevado grau de incertezas que restam na arena pol\u00edtica. Para a analista, o tombo do PIB dever\u00e1 ser pior de abril a junho e, no ano, a economia encolher\u00e1 4%, acima do recuo de 3,8% de 2015. Monica prev\u00ea sinais de recupera\u00e7\u00e3o da economia somente a partir de 2018.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Apesar de ter aprovada a nova meta fiscal, que permite um rombo de at\u00e9 R$ 170,5 bilh\u00f5es para a Uni\u00e3o, Monica avalia que o governo do presidente interino Michel Temer ainda \u00e9 fr\u00e1gil e precisar\u00e1 ter mais for\u00e7as para aprovar medidas de ajuste no Congresso Nacional, caso contr\u00e1rio, a crise fiscal ser\u00e1 mais grave. \u201cFalta dinheiro ao governo federal, falta dinheiro aos estados. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que o pa\u00eds est\u00e1 quebrado\u201d, alerta.<\/em><br \/>\n<em>A seguir, os principais pontos da entrevista concedida ao <strong>Correio<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Decad\u00eancia<\/strong><br \/>\nA economia brasileira continua assombrada e assoberbada pelas incertezas do quadro pol\u00edtico, pelas decis\u00f5es que ser\u00e3o tomadas nas pr\u00f3ximas semanas ou meses. \u00c9 muito dif\u00edcil imaginar a possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o c\u00e9lere do pa\u00eds, como alguns analistas e economistas v\u00eam dizendo, uma vez que sequer sabemos quem ser\u00e1 o nosso governante no segundo semestre. O que se pode dizer, entretanto, \u00e9 o seguinte: o consumo das fam\u00edlias retrocedeu aos n\u00edveis do primeiro trimestre de 2011, in\u00edcio do governo Dilma. O investimento voltou ao patamar do segundo trimestre de 2009, quando fomos atingidos em cheio pela crise financeira internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Continua\u00e7\u00e3o do governo<\/strong><br \/>\nAs incertezas pol\u00edticas podem atrapalhar muito a recupera\u00e7\u00e3o da economia, como j\u00e1 estamos a ver h\u00e1 algum tempo. Tor\u00e7o para que a equipe econ\u00f4mica escolhida por Temer fique e que tenha sucesso em levar \u00e0 frente a agenda que est\u00e1 elaborando para o pa\u00eds. Contudo, a verdade inconveniente \u00e9 que, hoje, n\u00e3o temos garantia de que esse time ficar\u00e1, pois n\u00e3o sabemos qual ser\u00e1 o destino do governo provis\u00f3rio. Nova revela\u00e7\u00f5es da Lava-Jato s\u00e3o o grande imponder\u00e1vel capaz de remover qualquer senso de otimismo, a qualquer momento. Por essas raz\u00f5es, minha previs\u00e3o \u00e9 de queda ainda mais acentuada no segundo trimestre, levando a uma contra\u00e7\u00e3o do PIB de 4% em 2016. A margem de erro dessa previs\u00e3o, entretanto, \u00e9 enorme.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Retomada<\/strong><br \/>\nPrevis\u00f5es em meio aos imponder\u00e1veis da Lava-Jato e da pol\u00edtica est\u00e3o muito dif\u00edceis. Penso que, se tudo correr razoavelmente bem, n\u00e3o sem alguns trancos e barrancos, a situa\u00e7\u00e3o melhora em 2018. Antes, acho muito dif\u00edcil. Pode haver estabiliza\u00e7\u00e3o do PIB, algum parco crescimento at\u00e9 l\u00e1, mas nada que reverta a trajet\u00f3ria atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pacote de Temer<\/strong><br \/>\nAlguns ficaram entre a decep\u00e7\u00e3o e o otimismo morno, mas eu achei as propostas na medida certa. Imposs\u00edvel esperar para j\u00e1 an\u00fancios com corre\u00e7\u00f5es de um deficit praticamente incorrig\u00edvel em 2016. Provavelmente, a meta deficit\u00e1ria ser\u00e1 cumprida com alguma margem em raz\u00e3o da repatria\u00e7\u00e3o de recursos do exterior. E, s\u00f3. Duas medidas se destacaram: o teto para o crescimento dos gastos e a \u00eanfase ao projeto de lei do senador Jos\u00e9 Serra (agora ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores)\u00a0 que retira da Petrobras o \u00f4nus de ter de arcar com os investimentos do pr\u00e9-sal, abrindo espa\u00e7o para a vinda do investimento externo, sobretudo, neste momento em que h\u00e1 alguma revers\u00e3o nos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo. Essa \u00e9 a via que pode surtir alguns efeitos positivos na economia em prazo mais curto, ajudando um pouco a atividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Diferen\u00e7a<\/strong><br \/>\nQuanto ao teto para o crescimento dos gastos, penso que poucos viram a relev\u00e2ncia na medida. Ela \u00e9 importante e\u00a0 diferente da que Nelson Barbosa (ex-ministro da Fazenda) prop\u00f4s ao permitir decl\u00ednio imediato na raz\u00e3o gastos\/PIB, quando a economia voltar a crescer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Transpar\u00eancia<\/strong><br \/>\nA proposta do limite para o gasto pela infla\u00e7\u00e3o da equipe de Temer alinha-se com o que tem sido a boa pr\u00e1tica internacional desde a crise financeira de 2008. De l\u00e1 para c\u00e1, v\u00e1rios pa\u00edses emergentes \u201412 \u2014 adotaram tais limites. Segundo estudo do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), a defini\u00e7\u00e3o de teto para aumento dos gastos d\u00e1 mais transpar\u00eancia \u00e0 pol\u00edtica fiscal e permite o melhor monitoramento do governo e da sociedade. Agora, ao problema: a medida necessariamente significa a extin\u00e7\u00e3o de mecanismos de indexa\u00e7\u00e3o que, hoje, tornam o aumento das despesas autom\u00e1tico, independente do que ocorre com a economia, ou mesmo do que almeja o governo. Quebrar tais mecanismos de indexa\u00e7\u00e3o exige aprova\u00e7\u00e3o de emenda constitucional pelo Congresso. O mesmo Congresso que demorou mais de 16 horas para aprovar a nova meta fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fragilidade<\/strong><br \/>\nMeu otimismo \u00e9 menor do que tenho visto entre diversos analistas, economistas e cientistas pol\u00edticos. Como vimos no caso Juc\u00e1 (senador pelo PMDB-RR e ministro exonerado do Planejamento devido ao envolvimento na Lava -Jato), h\u00e1 muitos \u201cimponder\u00e1veis\u201d no minist\u00e9rio de Michel Temer. Al\u00e9m disso, presenciamos a demora para aprovar a nova meta fiscal: 16 horas de discuss\u00f5es, com a bancada oposicionista tentando criar todo tipo de rev\u00e9s. O que o governo interpretou como vit\u00f3ria me pareceu alguma fragilidade. Ora, se foram necess\u00e1rias tantas horas para aprovar algo que alivia as tens\u00f5es imediatas, imagine o que ocorrer\u00e1 quando o que estiver em jogo \u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o de medidas e emendas que aumentam as tens\u00f5es e n\u00e3o as desanuviam? Tenho certeza de que esse debate sobre o teto para o crescimento dos gastos est\u00e1 muito longe da vit\u00f3ria no Congresso. E n\u00e3o sei ao certo quais s\u00e3o as reais chances de passar pelo escrut\u00ednio dos parlamentares ainda movidos pela tese falaciosa do golpe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Agenda abandonada<\/strong><br \/>\nO teto para o crescimento dos gastos, que retoma a agenda abandonada em 2005, qualificada por Dilma na \u00e9poca como \u201crudimentar\u201d e, que, o ministro Nelson Barbosa tentou anos mais tarde emplacar sem sucesso, tem import\u00e2ncia maior do que muitos reconheceram. Tenho dito que o estado lament\u00e1vel da economia brasileira n\u00e3o permite medidas imediatas para cobrir o rombo nas contas p\u00fablicas. Portanto, parece-me justificado e correto o foco no m\u00e9dio prazo com medidas como essa e outras citadas no documento (do PMDB) <em>Ponte para o Futuro<\/em>. Urge remover os engessamentos or\u00e7ament\u00e1rios brasileiros. Acho que se Temer for capaz de alcan\u00e7ar isso, ter\u00e1 grandes chances de ganhar o que chamo de legitimidade por desempenho. A confian\u00e7a vir\u00e1 a reboque.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Reforma da Previd\u00eancia<\/strong><br \/>\nTenho menos esperan\u00e7as de que a reforma da Previd\u00eancia seja feita por este governo. Mas tenho a certeza de que haver\u00e3o de trabalhar em ampla reforma. H\u00e1 gente muito competente para tanto na equipe do ministro Henrique Meirelles (Fazenda). Contudo, uma coisa \u00e9 elaborar a reforma, outra \u00e9 discuti-la com a sociedade e aprov\u00e1-la no Congresso Nacional. O debate com a sociedade brasileira ainda n\u00e3o est\u00e1 maduro o suficiente. Muitos n\u00e3o compreenderam que a escolha, hoje, \u00e9 entre n\u00e3o mais receber aposentadorias e benef\u00edcios por falta de recursos no futuro, e postergar a aposentadoria e\/ou aceitar redu\u00e7\u00f5es em alguns benef\u00edcios para n\u00e3o os perder de vez. Como j\u00e1 vimos mundo afora, reformas como a previdenci\u00e1ria s\u00e3o complicadas, mesmo em meio a uma crise profunda e na presen\u00e7a de governos com horizontes superiores ao que restar\u00e1 ao governo Temer, caso Dilma seja afastada em definitivo. Por isso, creio que haver\u00e1 decep\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crise fiscal<\/strong><br \/>\nSe o governo Temer n\u00e3o tiver for\u00e7a pol\u00edtica no Congresso e n\u00e3o conseguir aprovar as medidas de ajuste, o Brasil caminhar\u00e1 para uma aguda crise fiscal. Falta dinheiro ao governo federal, falta dinheiro aos estados. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que o pa\u00eds est\u00e1 quebrado. Hoje, h\u00e1 alguma esperan\u00e7a de que essa situa\u00e7\u00e3o possa ser revertida a m\u00e9dio prazo, em\u00a0 uns tr\u00eas anos, com a aprova\u00e7\u00e3o das medidas e emendas de ajuste da nova equipe econ\u00f4mica. Contudo, esse cen\u00e1rio muda rapidamente caso se constate que o governo n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a pol\u00edtica que hoje muitos imaginam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vis\u00e3o de fora<\/strong><br \/>\nAqui fora, h\u00e1 otimismo cauteloso com o Brasil. Todos esperam a confirma\u00e7\u00e3o de que Temer ter\u00e1 mandato definitivo. As medidas foram bem recebidas. H\u00e1 um entendimento de que os problemas do Brasil s\u00e3o grav\u00edssimos e que n\u00e3o haver\u00e1 milagres. Agora, mudan\u00e7as na equipe econ\u00f4mica em t\u00e3o pouco tempo s\u00e3o ruins para a credibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 18h10min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ROSANA HESSEL &nbsp; A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Petterson Institute for International Economics, em Washington, v\u00ea muitas dificuldades para o novo governo conseguir aprovar medidas espinhosas, como a reforma previdenci\u00e1ria, mas acredita que a equipe de Temer dever\u00e1 preparar o terreno para isso. \u201cO debate com a sociedade brasileira ainda n\u00e3o est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1252","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1252"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1252\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1253,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1252\/revisions\/1253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}