{"id":126,"date":"2015-07-04T12:06:00","date_gmt":"2015-07-04T15:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/martirio_do_bc\/"},"modified":"2015-07-04T12:06:00","modified_gmt":"2015-07-04T15:06:00","slug":"martirio_do_bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/martirio_do_bc\/","title":{"rendered":"MART\u00cdRIO DO BC"},"content":{"rendered":"\n<p>Com a economia indo para o buraco numa velocidade muito maior do que a esperada pelo governo e pelo mercado, todos os olhos est\u00e3o voltados para o Banco Central, que ter\u00e1, no fim deste m\u00eas, a miss\u00e3o de definir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic). Nos \u00faltimos dias, tanto o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, quanto os diretores de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, e de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, Luiz Awazu Pereira, trataram de emitir sinais aos investidores sobre os rumos da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Ficou a sensa\u00e7\u00e3o de que o arrocho na Selic est\u00e1 pr\u00f3ximo do fim. <\/p>\n<p>Desde que retomou o processo de alta dos juros, em outubro de 2014, o BC vem sendo surpreendido por dados ruins da infla\u00e7\u00e3o e da atividade. A aposta inicial era de que a subida da Selic n\u00e3o passaria de 12,50% ao ano, diante das perspectivas de recess\u00e3o econ\u00f4mica. Acreditava-se que a forte desacelera\u00e7\u00e3o da atividade seria suficiente para derrubar a infla\u00e7\u00e3o mais rapidamente. A cada decis\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), por\u00e9m, o que se via era um quadro muito pior para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a carestia. N\u00e3o restou outra alternativa ao BC a n\u00e3o ser pesar a m\u00e3o sobre a taxa b\u00e1sica. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos do governo, n\u00fameros piores ainda v\u00e3o surgir no horizonte, seja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade, seja em rela\u00e7\u00e3o ao custo de vida. H\u00e1, contudo, a vis\u00e3o de que o BC j\u00e1 incorporou, nos \u00faltimos aumentos dos juros \u2014 de 11% para 13,75% anuais \u2014, o pico da infla\u00e7\u00e3o, que deve encostar nos 10% neste ano. Portanto, com o PIB caindo quase 2% em 2015 e o impacto dos pre\u00e7os administrados na carestia come\u00e7ando a se diluir, \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o seja mais necess\u00e1rio levar a Selic para n\u00edveis extremos, de 15% ou 16%, como se cogitou no mercado. <\/p>\n<p>Ainda faltam tr\u00eas semanas para o BC definir a nova taxa b\u00e1sica. Mais do que os indicadores da economia, o que pesar\u00e1 na decis\u00e3o do Copom ser\u00e1 a expectativa do mercado. Para a autoridade monet\u00e1ria, \u00e9 vital que as proje\u00e7\u00f5es dos agentes econ\u00f4micos caminhem para os 4,5% definidos como centro da meta de infla\u00e7\u00e3o. O BC precisa ter a certeza de que as a\u00e7\u00f5es tomadas at\u00e9 agora, refor\u00e7adas por uma ret\u00f3rica contundente de que levar\u00e1 o custo de vida para o objetivo definido pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) at\u00e9 o fim de 2016, convenceram os investidores. <\/p>\n<p>Descompasso <\/p>\n<p>Apesar de parte do mercado j\u00e1 comprar o discurso do Banco Central, o economista-chefe do Banco Santander, Maur\u00edcio Molan, n\u00e3o acredita no sucesso da autoridade monet\u00e1ria. \u201cN\u00e3o cremos que a infla\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 pr\u00f3xima de 4,5% em 2016. E, na nossa opini\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 muito o que o BC possa fazer sobre isso\u201d, diz. No entender de Molan, tanto a equipe chefiada por Tombini quanto parcela importante dos analistas est\u00e3o subestimando o peso dos pre\u00e7os administrados (energia el\u00e9trica, combust\u00edveis, \u00e1gua, transportes) na infla\u00e7\u00e3o de 2016. <\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos do economista, a infla\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os administrados, que representam 23% do IPCA, ser\u00e1 superior a 7% no pr\u00f3ximo ano, puxada pela gasolina e pela energia, bem acima das estimativas do BC, de 5,3%, e das do mercado, de 5,9%. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. \u201cO impacto contracionista da demanda fraca sobre a in\u00e9rcia (repasses levando em conta a infla\u00e7\u00e3o passada) e o menor impacto da alta do d\u00f3lar na carestia n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para derrubar o IPCA aos n\u00edveis esperados pela autoridade monet\u00e1ria\u201d, afirma. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Molan espera alta mais forte da moeda norte-americana: cerca de 15% no ano que vem contra 6% projetados pelo mercado, devido ao aumento dos juros nos Estados Unidos. \u201cPor isso, revisamos nossa proje\u00e7\u00e3o para a infla\u00e7\u00e3o de 2015, de 8,5% para 9,5%, e, para 2016, mantivemos a estimativa de 6,5%\u201d, emenda. Ele reconhece que est\u00e1 bem mais pessimista que a m\u00e9dia do mercado, que aponta infla\u00e7\u00e3o de 5,5% no pr\u00f3ximo ano, mas afirma que o BC, mesmo num forte quadro recessivo, n\u00e3o conseguir\u00e1 entregar o que prometeu. <\/p>\n<p>IPCA vai a 8,94% <\/p>\n<p>\u00bb Na pr\u00f3xima quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgar\u00e1 o IPCA de junho. Na m\u00e9dia, o mercado prev\u00ea alta de 0,83%, com o acumulado de 12 meses chegando a 8,94%. <\/p>\n<p>Crise abate chocolate <\/p>\n<p>\u00bb Terceiro maior produtor e consumidor de chocolates do mundo, o mercado brasileiro fechou o primeiro trimestre do ano com retra\u00e7\u00e3o de 10% ante o mesmo per\u00edodo de 2014, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab). \u201cA crise mexeu \u2014 e muito \u2014 no bolso do consumidor brasileiro\u201d, diz o vice-presidente da entidade, Ubiracy Fonseca. <\/p>\n<p>Combina\u00e7\u00e3o de vinho e frio <\/p>\n<p>\u00bb Os dias frios incrementaram a venda de vinhos no pa\u00eds. O P\u00e3o de A\u00e7\u00facar est\u00e1 apostando em salto de 20% ante o inverno de 2014. A op\u00e7\u00e3o dos consumidores tem sido por bebidas de boas marcas, como Torees (Espanha) e Aves del Sur \u2014 Carta Vieja (Chile). <\/p>\n<p>Sistema mais s\u00f3lido <\/p>\n<p>\u00bb O Banco Central contesta nota da coluna sobre o momento dif\u00edcil enfrentado por bancos de pequeno e m\u00e9dio portes. Garante que as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o bem menos expostas a riscos que no passado e com liquidez suficiente para enfrentar eventual aumento da inadimpl\u00eancia. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a economia indo para o buraco numa velocidade muito maior do que a esperada pelo governo e pelo mercado, todos os olhos est\u00e3o voltados para o Banco Central, que ter\u00e1, no fim deste m\u00eas, a miss\u00e3o de definir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic). 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