{"id":128,"date":"2015-07-07T00:10:00","date_gmt":"2015-07-07T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/contagem_regressiva\/"},"modified":"2015-07-07T00:10:00","modified_gmt":"2015-07-07T03:10:00","slug":"contagem_regressiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/contagem_regressiva\/","title":{"rendered":"CONTAGEM REGRESSIVA"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo montou ontem uma opera\u00e7\u00e3o de guerra para acalmar os \u00e2nimos no mercado financeiro e entre o empresariado. Diante do forte debate sobre a possibilidade de a presidente Dilma Rousseff deixar o governo, seja por meio de ren\u00fancia, seja por meio do impeachment, houve uma dissemina\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos entre os agentes econ\u00f4micos, que n\u00e3o escondem o temor de o pa\u00eds mergulhar em uma profunda crise caso tal medida extrema se confirme. <\/p>\n<p>H\u00e1, entre os investidores e o empresariado, a convic\u00e7\u00e3o de que as dificuldades pol\u00edticas que minam Dilma est\u00e3o chegando ao \u00e1pice e tornando ainda mais dif\u00edcil a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. O discurso \u00e9 un\u00e2nime de que os primeiros quatro anos de mandato da petista foram terr\u00edveis para o pa\u00eds, pois destru\u00edram todas as bases da estabilidade. Contratos foram rompidos unilateralmente, a infla\u00e7\u00e3o disparou, as contas se tornaram sin\u00f4nimos de maquiagem e a atividade despencou, embalada por uma forte onda de desconfian\u00e7a. O Brasil mergulhou com tudo na recess\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas, no entender dos agentes econ\u00f4micos, apesar do custo elevado, todos esses problemas poderiam ser solucionados mais rapidamente se o governo n\u00e3o estivesse t\u00e3o fragilizado politicamente e com \u00edndice t\u00e3o elevado de rejei\u00e7\u00e3o popular. O que mais assusta os investidores e o empresariado \u00e9 o fato de a grande op\u00e7\u00e3o para o lugar de Dilma vir do PMDB, o vice-presidente da Rep\u00fablica, Michel Temer, que, no entender deles, seria massacrado pelos presidentes da C\u00e2mara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros. <\/p>\n<p>N\u00e3o se pode esquecer ainda que o PMDB est\u00e1 t\u00e3o envolvido nas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras quanto o PT de Dilma. Portanto, moralmente, o partido n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de assumir o comando do pa\u00eds. Se isso viesse a acontecer, certamente a popula\u00e7\u00e3o se rebelaria, transformando a substitui\u00e7\u00e3o da petista num trauma sem precedentes para o pa\u00eds, muito diferente do impeachment de Collor de  <\/p>\n<p>Mello, que foi sucedido pelo vice, Itamar Franco. No governo dele nasceu o Plano Real, que livrou o Brasil da praga inflacion\u00e1ria. <\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Lu\u00eds Oreiro, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a despeito do clima extremamente hostil, h\u00e1 como Dilma terminar o mandato, mesmo que sem a lideran\u00e7a de que o pa\u00eds precisa. O primeiro passo seria ela se entender com o PMDB, que lhe daria o suporte necess\u00e1rio para implantar o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Outro passo seria entregar a cabe\u00e7a do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, apontado como o grande piv\u00f4 das desaven\u00e7as com os peemedebistas. <\/p>\n<p>\u201cIndependentemente das op\u00e7\u00f5es feitas por Dilma, o que est\u00e1 claro \u00e9 que o governo n\u00e3o pode mais estender a crise pol\u00edtica, pois ela paralisou o pa\u00eds. J\u00e1 estar\u00edamos em tempos dif\u00edceis com o ajuste fiscal e o aumento das taxas de juros pelo Banco Central, mas, com a fragilidade da presidente, todos os problemas na economia se agravaram\u201d, diz Oreiro. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, por mais que o ministro da Fazenda se esforce para indicar que o governo est\u00e1 disposto a fazer o dever de casa para arrumar a economia, est\u00e1 nas m\u00e3os da presidente da Rep\u00fablica salvar o pa\u00eds. <\/p>\n<p><b>Cassa\u00e7\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>Nas conversas com empres\u00e1rios e investidores, gente gra\u00fada do governo vem garantindo que n\u00e3o h\u00e1 nada que incrimine Dilma na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, que desbaratou a quadrilha que roubava a Petrobras. Mas essas mesmas pessoas admitem que a corrup\u00e7\u00e3o na estatal \u00e9 o ponto mais fraco da presidente, devido \u00e0 quantidade de den\u00fancias de uso de dinheiro oriundo de propina na campanha eleitoral da petista. Caso esse fato prevale\u00e7a e ela seja cassada pela Justi\u00e7a Eleitoral, Temer ir\u00e1 junto e novas elei\u00e7\u00f5es ser\u00e3o marcadas. <\/p>\n<p>\u201cNa minha avalia\u00e7\u00e3o, seria um golpe Dilma ser impedida de continuar o mandato por causa das pedaladas fiscais que est\u00e3o sendo investigadas pelo TCU (Tribunal de Contas da Uni\u00e3o). Agora, n\u00e3o descarto a cassa\u00e7\u00e3o pela Justi\u00e7a Eleitoral\u201d, avalia Oreiro. Ele ressalta ainda que n\u00e3o acredita na possibilidade de a presidente ter tirado proveito pr\u00f3prio dos desvios da Petrobras. \u201cDilma pode ter muitos defeitos, mas n\u00e3o creio que tenha feito algo de errado no caso da petroleira. No m\u00e1ximo, pode ter fechado os olhos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 origem do dinheiro para a campanha presidencial\u201d, emenda. <\/p>\n<p>Quem acompanha o dia a dia do governo sabe que o inferno de Dilma est\u00e1 longe de acabar. Com isso, a equipe econ\u00f4mica ter\u00e1 muito trabalho para reduzir o m\u00e1ximo poss\u00edvel o peso da crise pol\u00edtica na economia. Joaquim Levy j\u00e1 foi avisado que ter\u00e1 de apresentar muito mais do que o ajuste fiscal anunciado at\u00e9 agora para convencer empres\u00e1rios e investidores de que o governo n\u00e3o est\u00e1 paralisado. A contagem regressiva j\u00e1 come\u00e7ou. E 31 de dezembro de 2018, o \u00faltimo dia de mandato que as urnas deram a Dilma, est\u00e1 muito, mas muito longe. <\/p>\n<p><b>Suspiro no com\u00e9rcio<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) dar\u00e1 hoje uma boa not\u00edcia. O \u00cdndice de Confian\u00e7a do Empres\u00e1rio do Com\u00e9rcio (Icec) registrou alta pela primeira vez depois de oito meses seguidos de retra\u00e7\u00e3o. Houve eleva\u00e7\u00e3o de 0,6% ante maio. <\/p>\n<p><b>Futuro ajuda<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Segundo a CNC, o Icec foi puxado pelas expectativas futuras, que avan\u00e7aram 3,8%, e pela inten\u00e7\u00e3o de investimentos, que subiu 0,6%. A avalia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es correntes segue negativa na compara\u00e7\u00e3o mensal, com queda de 1,6%, e manteve a tend\u00eancia de deteriora\u00e7\u00e3o observada nos \u00faltimos dez meses, embora com menor intensidade. <\/p>\n<p><b>Estoque nas alturas<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Na compara\u00e7\u00e3o entre junho deste anoe o mesmo m\u00eas de 2014, a confian\u00e7a do com\u00e9rcio registrou a 23\u00aa queda seguida, de 21,1%, devido \u00e0 forte deteriora\u00e7\u00e3o na percep\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es correntes (-42,4%). Com recuo recorde nas vendas, os empres\u00e1rios sofrem com estoques elevados, que est\u00e3o no segundo maior n\u00edvel da s\u00e9rie hist\u00f3rica. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h10min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo montou ontem uma opera\u00e7\u00e3o de guerra para acalmar os \u00e2nimos no mercado financeiro e entre o empresariado. 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