{"id":129,"date":"2015-07-08T00:01:00","date_gmt":"2015-07-08T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/na_sala_de_gas\/"},"modified":"2015-07-08T00:01:00","modified_gmt":"2015-07-08T03:01:00","slug":"na_sala_de_gas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/na_sala_de_gas\/","title":{"rendered":"NA SALA DE G\u00c1S"},"content":{"rendered":"\n<p>A presidente Dilma Rousseff desembarcou na R\u00fassia, mas deixou um rastilho de p\u00f3lvora no Brasil. Ao chamar para si a discuss\u00e3o sobre se continuar\u00e1 ou n\u00e3o poder, agigantou a crise pol\u00edtica que est\u00e1 matando a economia. No mercado financeiro, as declara\u00e7\u00f5es da petista \u00e0 Folha de S.Paulo \u2014 \u201ceu n\u00e3o vou cair\u201d \u2014 s\u00f3 fizeram aumentar a desconfian\u00e7a sobre os rumos da atual administra\u00e7\u00e3o, que, neste momento, deveria estar fortalecida o suficiente para tocar um forte processo de ajuste fiscal e de combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o por meio da alta de juros. <\/p>\n<p>A imagem mais usada ontem pelos analistas para resumir a crise pol\u00edtica foi a de que o Brasil se transformou em uma sala cheia de g\u00e1s, um ambiente propenso a s\u00e9rios acidentes. A pergunta que todos fazem \u00e9 se, antes de as janelas serem abertas para limpar o ambiente, algu\u00e9m acender\u00e1 a fagulha que levar\u00e1 tudo pelos ares. O clima de desconfian\u00e7a se acentuou tanto que o risco de Dilma renunciar ou ser impedida de continuar no comando do pa\u00eds se tornou real. Deixou de ser especula\u00e7\u00e3o contida em relat\u00f3rios confidenciais que circulam pelas mesas de opera\u00e7\u00e3o de bancos. <\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos de Christopher Garman, analista pol\u00edtico da Eurasia Group, as chances de Dilma n\u00e3o terminar o mandato j\u00e1 s\u00e3o de 30%. Ele ressalta que, muito provavelmente, o governo sofrer\u00e1 s\u00e9rios revezes pol\u00edticos nos pr\u00f3ximos seis ou oito meses, prejudicando a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas prometidas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. No entender do especialista, a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, que desbaratou a quadrilha que assaltava a Petrobras, \u00e9 a maior amea\u00e7a ao mandato da petista. <\/p>\n<p>A crise pol\u00edtica que mina a cadeira presidencial fez com que o risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS), esp\u00e9cie de seguro usado pelo investidores, voltasse a subir e descolasse de vez dos \u00edndices de pa\u00edses latinos que ostentam, como a economia brasileira, o selo de bom pagador (investment grade). A taxa do pa\u00eds alcan\u00e7ou 270 pontos ontem contra 182 da Col\u00f4mbia, 136 do M\u00e9xico, 146 do Peru e 96 do Chile. <\/p>\n<p>No entender dos donos do dinheiro que circula pelo mundo, mesmo pagando os maiores juros do planeta (13,75% ao ano), o Brasil est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o para l\u00e1 de complicada, com a economia mergulhada numa severa recess\u00e3o e a possibilidade de a presidente da Rep\u00fablica perder o mandato. Como bem ressalta o economista-chefe do Ita\u00fa Unibanco, Ilan Goldfajn, maio e junho foram meses terr\u00edveis para o pa\u00eds e o terceiro trimestre come\u00e7ou sem sinais de estabiliza\u00e7\u00e3o. A piora vai continuar firme e forte. <\/p>\n<p>Desespero <\/p>\n<p>Nesse quadro desesperador da economia, a fatura recair\u00e1, sobretudo, sobre os menos favorecidos. Indicadores de posse do governo mostram que a desigualdade social voltou a aumentar com for\u00e7a desde o in\u00edcio deste ano, por causa da perversa combina\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o alta com desemprego. A tal nova classe m\u00e9dia, composta por quase 50 milh\u00f5es de pessoas que se aproveitaram do expressivo crescimento da economia entre 2004 e 2010, est\u00e1 come\u00e7ando a ruir. \u00c9 a\u00ed que mora o maior problema para Dilma. <\/p>\n<p>Vendo o poder de compra cair e parte das conquistas se perderem, essa nova classe m\u00e9dia, que \u00e9 bastante pragm\u00e1tica, ampliar\u00e1 as cobran\u00e7as sobre a presidente, que, pelo contexto atual, ter\u00e1 quase nada a entregar. Os programas sociais mantidos pelo governo n\u00e3o explicam o grosso da ascens\u00e3o social dos \u00faltimos anos. Esse movimento foi sustentado pela infla\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima do centro da meta, de 4,5%, e o crescimento m\u00e9dio de 4% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB). <\/p>\n<p>Desde 2011, contudo, o n\u00edvel da atividade s\u00f3 faz afundar, a infla\u00e7\u00e3o disparou, mirando os 10%, e o setor p\u00fablico est\u00e1 longe de garantir bons servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Quando se olha para a frente, n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de retomada do crescimento t\u00e3o cedo. Na melhor das hip\u00f3teses, o PIB s\u00f3 voltar\u00e1 a se expandir pr\u00f3ximo de 2% em 2018, o \u00faltimo ano do mandato garantido pelas urnas a Dilma. <\/p>\n<p>Diante de tais perspectivas, n\u00e3o foi por acaso que, ao ser questionado recentemente por um grupo de economistas se as medidas tomadas pelo governo at\u00e9 agora nas \u00e1reas fiscal e monet\u00e1ria dar\u00e3o certo, o secret\u00e1rio executivo do Minist\u00e9rio da Fazenda, Tarc\u00edsio Godoy, respondeu: \u201cTudo o que estamos fazendo \u00e9 para evitar o rebaixamento do Brasil pelas ag\u00eancias de risco e para conter a infla\u00e7\u00e3o. Se vai dar certo, eu n\u00e3o sei. Mas vamos focar no que conseguimos ter controle\u201d. <\/p>\n<p>Nos dois dias em que permanecer\u00e1 na R\u00fassia, Dilma poder\u00e1 respirar outros ares, tratar que temas bem mais agrad\u00e1veis com os l\u00edderes da China, da \u00cdndia e \u00c1frica do Sul, pa\u00edses que, com o anfitri\u00e3o do encontro e o Brasil, formam o Brics. Mas o movimento para lhe minar a caminhada quando retornar ao Pal\u00e1cio do Planalto est\u00e1 forte. A oposi\u00e7\u00e3o mais organizada, a popularidade no ch\u00e3o, a base aliada esfacelada e a economia em frangalhos aumentar\u00e3o a press\u00e3o sobre a sala de g\u00e1s da qual pode vir o pior. <\/p>\n<p>Constrangimento entre servidores <\/p>\n<p>\u00bb Causou constrangimento ontem a decis\u00e3o de S\u00e9rgio Mendon\u00e7a, nomeado pelo Minist\u00e9rio do Planejamento para negociar aumento de sal\u00e1rios com servidores, de acatar pedido do secret\u00e1rio-geral de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Itamaraty, S\u00e9rgioDanese, de negociar em separado o reajuste com os diplomatas. <\/p>\n<p>Rebeli\u00e3o de diplomatas <\/p>\n<p>\u00bb Em assembleia dos funcion\u00e1rios do Itamaraty, havia vencido a posi\u00e7\u00e3o de aceitar a proposta de aumento de 21,3% feita pelo governo. Mas, contr\u00e1rios \u00e0 decis\u00e3o, os diplomatas decidiram romper com os oficiais e os assistentes de chancelaria. E pressionaram para negociar o reajuste em separado. <\/p>\n<p>Prevaleceu o prest\u00edgio <\/p>\n<p>\u00bb A divis\u00e3o entre os servidores do Itamaraty foi parar na Justi\u00e7a. Os diplomatas conseguiram uma liminar para anular a assembleia que beneficiaria o governo. Mesmo assim, Mendon\u00e7a se curvou ao prest\u00edgio dos diplomatas. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff desembarcou na R\u00fassia, mas deixou um rastilho de p\u00f3lvora no Brasil. Ao chamar para si a discuss\u00e3o sobre se continuar\u00e1 ou n\u00e3o poder, agigantou a crise pol\u00edtica que est\u00e1 matando a economia. 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