{"id":130,"date":"2015-07-09T00:10:00","date_gmt":"2015-07-09T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/tregua_sem_tregua\/"},"modified":"2015-07-09T00:10:00","modified_gmt":"2015-07-09T03:10:00","slug":"tregua_sem_tregua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/tregua_sem_tregua\/","title":{"rendered":"TR\u00c9GUA SEM TR\u00c9GUA"},"content":{"rendered":"\n<p>Auxiliares mais afoitos da presidente Dilma Rousseff preparavam os bumbos ontem para comemorar o fato de a infla\u00e7\u00e3o de junho, de 0,79%, ter ficado ligeiramente abaixo da m\u00e9dia prevista pelo mercado, de 0,83%, mas foram atropelados com tudo pelo terremoto financeiro vindo da China. <\/p>\n<p>A ideia era difundir o discurso de que a carestia estava seguindo, ainda que lentamente, o caminho de desacelera\u00e7\u00e3o tra\u00e7ado pelo Banco Central. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, fez muito bem esse trabalho ao ser questionado sobre o fato de o custo de vida ter registrado, no m\u00eas passado, a maior alta para junho em 19 anos. Mas soou falso. <\/p>\n<p>Por tr\u00e1s do otimismo que o governo tenta espalhar, o que se viu foi um sentimento de p\u00e2nico. N\u00e3o estava, no roteiro da equipe econ\u00f4mica, ter que lidar, agora, com uma crise vinda da China, o segundo parceiro comercial do pa\u00eds, para onde seguem quase 20% dos produtos brasileiros. Foram os chineses, com a demanda fren\u00e9tica por mat\u00e9rias-primas, que, nos oito anos da era Lula, levou o Brasil a dar saltos expressivos no Produto Interno Bruto (PIB). <\/p>\n<p>Desde que Dilma assumiu o poder, contudo, a China foi desacelerando as compras e, com isso, o PIB brasileiro, minguando. Assim, na hip\u00f3tese de o estouro da bolha acion\u00e1ria chinesa contaminar toda a economia real daquele pa\u00eds, n\u00e3o haver\u00e1 escapat\u00f3ria para o Brasil, admite Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Partners. A recess\u00e3o brasileira, que hoje j\u00e1 se mostra perturbadora, ser\u00e1 mais profunda. <\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 de as exporta\u00e7\u00f5es para a na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica, que acumulam queda de 22,6% no primeiro semestre do ano, despencarem. Com menos d\u00f3lares circulando pela economia brasileira, as cota\u00e7\u00f5es da moeda norte-americana devem disparar \u2014 somente ontem, o salto foi de 1,7% \u2014, jogando a infla\u00e7\u00e3o para al\u00e9m dos 10% em 2015 e tornando quase imposs\u00edvel para o BC entregar a carestia no centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 o fim do ano que vem. <\/p>\n<p>Velho chama a aten\u00e7\u00e3o para os efeitos perversos do agravamento da crise chinesa sobre o Brasil. No entender dele, muito do estrago que est\u00e1 se desenhando agora poderia ser evitado se o governo tivesse usado os tempos de chuva de d\u00f3lares para promover reformas estruturais na economia, melhorar a infraestrutura e incentivar o aumento da produ\u00e7\u00e3o. O que se viu, por\u00e9m, foi um desenfreado est\u00edmulo ao consumo, como se a bonan\u00e7a nunca fosse acabar. <\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o da economia brasileira \u00e9 desoladora e pode piorar. O governo achou que teria uma tr\u00e9gua com a infla\u00e7\u00e3o abaixo do que previa o mercado, mas vieram as p\u00e9ssimas not\u00edcias da China. Foi uma esp\u00e9cie de tr\u00e9gua sem tr\u00e9gua\u201d, diz. Ele acredita que, com os chineses espalhando p\u00e2nico, a avers\u00e3o ao risco a pa\u00edses emergentes tende a atingir n\u00edveis alarmantes. E o Brasil, por estar em situa\u00e7\u00e3o muito delicada, conjugando recess\u00e3o com crise pol\u00edtica que amea\u00e7a o mandato da presidente Dilma, ser\u00e1 visto com olhos mais desconfiados. <\/p>\n<p>Desmoraliza\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>Tudo joga contra o pa\u00eds neste momento. Em meio ao turbilh\u00e3o chin\u00eas, o Congresso desmoralizou o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O senador Romero Juc\u00e1 (PMDB-RR) apresentou proposta para reduzir, de 1,1% para 0,4% do PIB, a meta de superavit prim\u00e1rio deste ano e de 2% para 1% a de 2016. Todo mundo sabe que o objetivo ambicioso de Levy, totalizando R$ 66,3 bilh\u00f5es, n\u00e3o seria alcan\u00e7ado, mas, por credibilidade da pol\u00edtica fiscal, seria importante que o pr\u00f3prio ministro anunciasse a redu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Juc\u00e1, ao se justificar, disse que havia chegado \u201ca hora da verdade dos n\u00fameros\u201d, uma vez que o governo se especializou em pedaladas fiscais. O problema \u00e9 que, mesmo mais realistas, as metas de superavit prim\u00e1rio definidas pelo Congresso indicam que a esperada estabilidade da d\u00edvida p\u00fablica n\u00e3o vai se confirmar. O endividamento cravou, em maio, o n\u00edvel recorde de 62,5% do PIB. E vai continuar subindo, assim como o deficit nominal, que inclui os gastos com juros e j\u00e1 esbarram em 8% de todas as riquezas produzidas pelo pa\u00eds. <\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que os parlamentares est\u00e3o contratando o rebaixamento do Brasil pelas ag\u00eancias de risco, que, certamente ficou mais perto, diante da ratifica\u00e7\u00e3o, pelo Senado, do projeto que vincula a corre\u00e7\u00e3o das aposentarias superiores ao sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e0 pol\u00edtica de reajuste do piso salarial. \u00c9 como se jogassem uma p\u00e1 de cal na possibilidade de rea\u00e7\u00e3o da economia a partir do ano que vem. Mais do que isso: est\u00e3o atropelando todo o bom senso com o intuito de tornar insustent\u00e1vel a perman\u00eancia de Dilma no poder. <\/p>\n<p>Insensatez custa caro. Se os parlamentares que fustigam o governo acreditam que poder\u00e3o ratear o poder com a desejada queda de Dilma, devem se atentar que quebrar o pa\u00eds n\u00e3o beneficia ningu\u00e9m. Muito pelo contr\u00e1rio. <\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00e3o de Delfim <\/p>\n<p>\u00bb Ex-ministro da Fazenda, Delfim Netto vem dizendo, em conversas com economistas, que o PT acabou como op\u00e7\u00e3o para o poder. Agora, s\u00f3 resta \u00e0 legenda sobreviver como oposi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Descaso com a confian\u00e7a <\/p>\n<p>\u00bb Dentro do governo, todos lamentam a falta de confian\u00e7a no pa\u00eds. Dizem, sem meias palavras, que tanto Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, quanto a presidente Dilma subestimaram o poder da credibilidade para um pa\u00eds. <\/p>\n<p>Arrocho perto do fim <\/p>\n<p>\u00bb Metade do mercado financeiro j\u00e1 acredita que o Banco Central dar\u00e1 mais uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros, no fim de julho, para 14% ao ano, e encerrar\u00e1 o arrocho que tanto incomoda o Planalto. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h10min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Auxiliares mais afoitos da presidente Dilma Rousseff preparavam os bumbos ontem para comemorar o fato de a infla\u00e7\u00e3o de junho, de 0,79%, ter ficado ligeiramente abaixo da m\u00e9dia prevista pelo mercado, de 0,83%, mas foram atropelados com tudo pelo terremoto financeiro vindo da China. 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