{"id":131,"date":"2015-07-10T00:01:00","date_gmt":"2015-07-10T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/travessia_no_deserto\/"},"modified":"2015-07-10T00:01:00","modified_gmt":"2015-07-10T03:01:00","slug":"travessia_no_deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/travessia_no_deserto\/","title":{"rendered":"TRAVESSIA NO DESERTO"},"content":{"rendered":"\n<p>A fragilidade da economia, agravada pela crise pol\u00edtica, tornou-se um tormento para o sistema financeiro. Em conversas nos \u00faltimos dias, o presidente de uma das maiores institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds definiu sua vis\u00e3o sobre o momento atual do pa\u00eds: \u201cEstamos vivendo no deserto\u201d. <\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es est\u00e3o quase paradas. O cr\u00e9dito, a principal fonte de renda dos bancos, minguou. Do lado das fam\u00edlias, s\u00e3o poucas as que se aventuram a pagar juros t\u00e3o elevados num quadro de recess\u00e3o e desemprego. Do lado das empresas, n\u00e3o h\u00e1 apetite algum por correr riscos de se assumir d\u00e9bitos para ampliar os neg\u00f3cios. <\/p>\n<p>\u201cO quadro \u00e9 assustador\u201d, define o mesmo banqueiro. Ele conta que, nesse ambiente totalmente adverso, tamb\u00e9m as institui\u00e7\u00f5es financeiras ficaram mais arredias. Empr\u00e9stimos, quando concedidos, s\u00e3o feitos com muito crit\u00e9rio. A seletividade foi amplificada. Os bancos temem uma onda de calote. <\/p>\n<p>O rigor na sele\u00e7\u00e3o de clientes \u00e9 geral, tem valido tanto para os bancos p\u00fablicos quanto para os privados. Ainda que a inadimpl\u00eancia n\u00e3o tenha estourado, mesmo com o n\u00famero de desempregados saltando, em todo o pa\u00eds, de 6,4 milh\u00f5es para 8,1 milh\u00f5es somente nos primeiros cinco meses do ano, a ordem \u00e9 ser conservador. <\/p>\n<p>Os bancos acreditam que o \u00edndice de calote vai crescer mais rapidamente neste segundo semestre do ano. \u201cN\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria\u201d, ressalta o banqueiro. \u201cCom a infla\u00e7\u00e3o rodando acima de 8% nos \u00faltimos meses e as demiss\u00f5es se acentuando, o resultado sempre \u00e9 mais inadimpl\u00eancia, mesmo que o controle de riscos esteja atuando a todo valor\u201d, emenda. <\/p>\n<p>A tens\u00e3o no sistema financeiro s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior gra\u00e7as \u00e0 boa sa\u00fade dos bancos. At\u00e9 maio, as d\u00edvidas vencidas h\u00e1 mais de 90 dias e n\u00e3o pagas somavam R$ 92,1 bilh\u00f5es. Mas as institui\u00e7\u00f5es provisionaram R$ 154,2 bilh\u00f5es para cobrir esse buraco. Esse colch\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o \u00e9 67,4% maior do que as d\u00edvidas de dif\u00edcil recebimento. <\/p>\n<p>Entre os banqueiros, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que 2015 foi para o buraco, 2016 est\u00e1 praticamente perdido e, na melhor das hip\u00f3teses, haver\u00e1 crescimento em 2017. O consumo, acreditam, continuar\u00e1 desabando. O estrago feito no or\u00e7amento das fam\u00edlias nos \u00faltimos anos, com a infla\u00e7\u00e3o alta, e mais recentemente, com o choque de tarifas p\u00fablicas, inibe a recomposi\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento dom\u00e9stico a curto prazo. <\/p>\n<p>Sem consumo, n\u00e3o h\u00e1 a menor disposi\u00e7\u00e3o das empresas em investir. Para os empresariado, \u00e9 melhor manter-se capitalizado neste momento dif\u00edcil da travessia do que correr riscos de produzir e n\u00e3o ter para quem vender. Na maior parte dos setores, os estoques est\u00e3o elevad\u00edssimos. N\u00e3o por acaso, centenas de empresas est\u00e3o demitindo, dando f\u00e9rias coletivas ou reduzindo os turnos de trabalho. <\/p>\n<p>Luz no horizonteNas conversas, os banqueiros ressaltam que at\u00e9 o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) foi obrigado a pisar no freio. Os repasses est\u00e3o de 40% a 50% menores do que os observados em 2014. Al\u00e9m da procura menor por financiamentos, a institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica sofre com a falta de recursos. O Tesouro Nacional est\u00e1 seguindo \u00e0 risca a determina\u00e7\u00e3o do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de n\u00e3o repassar dinheiro ao banco. <\/p>\n<p>\u201cNeste momento, s\u00f3 nos resta torcer para que a crise pol\u00edtica n\u00e3o afunde mais a economia. A cada dia, as proje\u00e7\u00f5es para o PIB (Produto Interno Bruto) se tornam mais sombrias. J\u00e1 perdemos 2015 e tudo indica que haver\u00e1 contra\u00e7\u00e3o da atividade tamb\u00e9m no pr\u00f3ximo ano, o que ser\u00e1 um desastre\u201d, destaca o banqueiro, que se tornou uma esp\u00e9cie de desaguadouro das lam\u00farias do sistema financeiro. <\/p>\n<p>Ele ressalta que o clima est\u00e1 t\u00e3o ruim, que, mesmo vendo boas oportunidades no mais recente programa de infraestrutura lan\u00e7ado pelo governo, n\u00e3o h\u00e1 como os bancos se engajarem nos empreendimentos neste ano ou mesmo na primeira metade de 2016. Antes de mais nada, as institui\u00e7\u00f5es querem saber como ficar\u00e3o as maiores empreiteiras do pa\u00eds, pegas pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato roubando o caixa da Petrobras. Sem o desenho do que ser\u00e1 o mercado da constru\u00e7\u00e3o pesada no pa\u00eds, n\u00e3o h\u00e1 como montar as estrat\u00e9gias de financiamento dos empreendimentos. <\/p>\n<p>Para o governo, o discurso dos bancos ser\u00e1 sempre o de que est\u00e3o engajados na segunda fase do Programa de Investimentos em Log\u00edstica (PIL). Em casa, a ordem \u00e9 esperar por uma luz no horizonte, m\u00ednima que seja, para come\u00e7ar a botar o nariz na porta e a respirar. <\/p>\n<p>Nos limites institucionais <\/p>\n<p>\u00bb Analista da Nomura Securities, Jo\u00e3o Pedro Ribeiro estima entre 20% e 25% as chances de a presidente Dilma n\u00e3o terminar o mandato. No entender dele, mesmo que o afastamento da petista se torne uma realidade, o que n\u00e3o est\u00e1 no cen\u00e1rio central dele, n\u00e3o haver\u00e1 enorme perturba\u00e7\u00e3o social e conflitos ou qualquer tipo de crise que ultrapasse os limites institucionais. <\/p>\n<p>Mau humor cr\u00f4nico <\/p>\n<p>\u00bb Quem acompanhou de perto a reuni\u00e3o de c\u00fapula dos Brics, grupo que re\u00fane Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul, notou a falta de paci\u00eancia da presidente Dilma Rousseff durante as discuss\u00f5es. <\/p>\n<p>Vers\u00e3o do Itamaraty <\/p>\n<p>\u00bb O Itamaraty garante que o secret\u00e1rio-geral das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, embaixador S\u00e9rgio Danese, n\u00e3o pediu a S\u00e9rgio Mendon\u00e7a, secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho no Servi\u00e7o P\u00fablico do Minist\u00e9rio do Planejamento, que inclu\u00edsse um representante dos diplomatas nas discuss\u00f5es sobre reajustes de sal\u00e1rios dos servidores. Afirma que a participa\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o dos Diplomatas Brasileiros (ADB) nas negocia\u00e7\u00f5es decorreu de decis\u00e3o judicial. <\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00e3o ratificada <\/p>\n<p>\u00bb A coluna reafirma, por\u00e9m, o que disse anteontem: Danese falou, sim, com Mendon\u00e7a por telefone sobre a situa\u00e7\u00e3o dos diplomatas. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fragilidade da economia, agravada pela crise pol\u00edtica, tornou-se um tormento para o sistema financeiro. Em conversas nos \u00faltimos dias, o presidente de uma das maiores institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds definiu sua vis\u00e3o sobre o momento atual do pa\u00eds: \u201cEstamos vivendo no deserto\u201d. As opera\u00e7\u00f5es est\u00e3o quase paradas. 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