{"id":1372,"date":"2016-06-10T07:01:13","date_gmt":"2016-06-10T10:01:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1372"},"modified":"2016-06-10T07:50:58","modified_gmt":"2016-06-10T10:50:58","slug":"coluna-no-correio-bola-esta-com-ilan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-bola-esta-com-ilan\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: A bola est\u00e1 com Ilan"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de toda a credibilidade que carrega, o novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, dificilmente conseguir\u00e1 entregar a infla\u00e7\u00e3o no centro da meta, de 4,5%, em 2017. Na melhor das hip\u00f3teses, o far\u00e1 em 2018, ou seja, nove anos depois da \u00faltima vez que isso aconteceu \u2014 em 2009, com o mundo mergulhado em uma grav\u00edssima crise, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) cravou alta de 4,31%. O estrago provocado pelo agora ex-BC Alexandre Tombini no controle da infla\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o grande, que revert\u00ea-lo exigir\u00e1 tempo e paci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A heran\u00e7a deixada por Tombini \u00e9 dram\u00e1tica. Na m\u00e9dia, entre 2011, quando ele assumiu o BC, e maio deste ano, a infla\u00e7\u00e3o anual ficou em 7,1%, quase do dobro do objetivo definido em lei. Nem mesmo a brutal recess\u00e3o na qual o pa\u00eds est\u00e1 mergulhado foi capaz de derrubar o custo de vida. Motivo: os agentes econ\u00f4micos sempre trabalharam com remarca\u00e7\u00f5es preventivas para se proteger de um Banco Central leniente, dominado pelos interesses do Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foram muitas as desculpas encontradas por Tombini para justificar a resist\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o. Choques externos, choques de demandas, choques de oferta. O BC, infelizmente, nunca assumiu a real raz\u00e3o para a carestia a\u00e7oitar o or\u00e7amento das fam\u00edlias: a falta de um compromisso claro para conter o avan\u00e7o do custo de vida. A pol\u00edtica monet\u00e1ria conduzida pela equipe de Tombini sempre foi pautada pelos interesses eleitoreiros da presidente afastada, Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2011, durante as comemora\u00e7\u00f5es do Dia do Trabalho, Dilma declarou guerra aos juros altos. Obrigou o Banco do Brasil e a Caixa Econ\u00f4mica Federal a cortarem os encargos cobrados de empresas e de consumidores e for\u00e7ou o BC a derrubar a taxa b\u00e1sica (Selic) para o menor n\u00edvel da hist\u00f3ria. Mesmo com a infla\u00e7\u00e3o alta, a autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o apresentou resist\u00eancia. Muito pelo contr\u00e1rio, Tombini assumiu pessoalmente a miss\u00e3o de entregar o trof\u00e9u que Dilma tanto queria para ostentar na campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. A Selic caiu a 7,25% ao ano, taxa que, quando descontada a infla\u00e7\u00e3o projetada para 12 meses \u00e0 frente, ficava em 2%. Esses eram os juros reais dos sonhos da petista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como se tornou rotina no governo de Dilma, a farsa durou pouco. Seis meses depois de registrar seu piso, a Selic voltou a subir. Curiosamente, o aperto monet\u00e1rio parou em abril de 2014, quando a campanha da petista por mais quatro anos no Pal\u00e1cio do Planalto j\u00e1 estava nas ruas. N\u00e3o haveria, segundo os marqueteiros de Dilma, como explicar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que a pessoa que sempre gritou com os juros altos estava permitindo aumento nas taxas. De novo, a pol\u00edtica falou mais alto e, claro, Tombini n\u00e3o se op\u00f4s. Em outubro, assim que as urnas confirmaram a vit\u00f3ria da chefe, o ent\u00e3o presidente do BC voltou a aumentar a taxa b\u00e1sica at\u00e9 os atuais 14,25%. Mas, a\u00ed, j\u00e1 n\u00e3o havia mais porque se preocupar com os eleitores. \u00c0s favas com eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Perigo dos bajuladores<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ilan n\u00e3o pode repetir esses erros ao ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do poder. Ao se sentar na cadeira de presidente do BC, ter\u00e1 de fazer uma gest\u00e3o comprometida com o controle da infla\u00e7\u00e3o, o imposto mais cruel que incide sobre os pobres. Independentemente da cobran\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos, que j\u00e1 come\u00e7ou, e dos desejos do Pal\u00e1cio do Planalto, ter\u00e1 que manter a taxa de juros em n\u00edveis condizentes para levar o IPCA \u00e0 meta e resgatar a confian\u00e7a na autoridade monet\u00e1ria. Sem o efetivo controle da infla\u00e7\u00e3o, a economia continuar\u00e1 desorganizada, impedindo a retomada mais forte do crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O discurso de Ilan nos \u00faltimos dias foi forte. Mas entre palavras e realidade h\u00e1 uma grande dist\u00e2ncia. O recente hist\u00f3rico do BC que o diga. N\u00e3o faltaram promessas de Tombini para o controle da infla\u00e7\u00e3o. Em alguns momentos, houve muita gente que deu cr\u00e9dito a ele. Todas, por\u00e9m, s\u00f3 colheram decep\u00e7\u00e3o. A falta de compromisso com a popula\u00e7\u00e3o chegou a tal ponto, que o Banco Central alardeou, sem constrangimento, que o Minist\u00e9rio da Fazenda de Guido Mantega cumpriria as metas fiscais. O time de Tombini sabia, contudo, que aquilo era uma farsa. Na verdade, a equipe econ\u00f4mica de Dilma estava se esbaldando com manobras nas contas, maquiagens e pedaladas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse filme \u00e9 bem conhecido de Ilan, que, por muitas vezes, o criticou. Tomara n\u00e3o repita o que se tornou regra entre os que assumem cargos importantes no governo. Quando est\u00e3o fora, atiram as pedras, apontam os defeitos e levantam os riscos ao pa\u00eds. O presidente do BC precisa ser coerente, cumprir as miss\u00f5es que lhe foram entregues e se despir de interesses pol\u00edticos. O pa\u00eds j\u00e1 pagou um pre\u00e7o alto demais pelo deslumbramento de pessoas que precisam de s\u00e9quitos de bajuladores para dizer que tudo o que fazem \u00e9 lindo, quando, na verdade, deveriam ser alertados sobres as op\u00e7\u00f5es erradas que fizeram. Dilma \u00e9 o maior exemplo disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Expectativa e leni\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Partners, o novo presidente do BC deve dar aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s expectativas de infla\u00e7\u00e3o dos agentes econ\u00f4micos. Quanto mais elas estiverem ancoradas, mais f\u00e1cil ser\u00e1 a tarefa de levar a carestia para o centro da meta. Deve, tamb\u00e9m, deixar o c\u00e2mbio flutuar de acordo com as condi\u00e7\u00f5es de mercado, pois isso potencializar\u00e1 os efeitos da pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com Tombini, as expectativas sempre estiveram descoladas do discurso do BC. Por uma simples raz\u00e3o: ningu\u00e9m acreditava no compromisso efetivo do ex-presidente da institui\u00e7\u00e3o para controlar a infla\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e0 toa, ele se tornou sin\u00f4nimo de leni\u00eancia. Infelizmente, a fatura foi transferida para toda a popula\u00e7\u00e3o por meio da recess\u00e3o e do desemprego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, Ilan tem uma oportunidade hist\u00f3rica: al\u00e9m de resgatar a credibilidade do BC, poder\u00e1 trazer de volta a previsibilidade e criar as condi\u00e7\u00f5es para o crescimento. A bola est\u00e1 com ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Bras\u00edlia, 07h01min<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de toda a credibilidade que carrega, o novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, dificilmente conseguir\u00e1 entregar a infla\u00e7\u00e3o no centro da meta, de 4,5%, em 2017. 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