{"id":139,"date":"2015-07-21T08:51:00","date_gmt":"2015-07-21T11:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pe_no_freio\/"},"modified":"2015-07-21T08:51:00","modified_gmt":"2015-07-21T11:51:00","slug":"pe_no_freio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pe_no_freio\/","title":{"rendered":"P\u00c9 NO FREIO"},"content":{"rendered":"\n<p>A infla\u00e7\u00e3o em alta, os juros proibitivos e o desemprego em disparada se transformaram na tempestade perfeita que as fam\u00edlias tanto temiam. N\u00e3o por acaso, pesquisa que a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) divulga hoje mostra nova queda na inten\u00e7\u00e3o de consumo dos lares.  <\/p>\n<p>Pelo levantamento, o \u00edndice que mede o desejo das fam\u00edlias de irem \u00e0s compras (ICF) desabou 5,3% neste m\u00eas ante junho e 27,9% na compara\u00e7\u00e3o com julho de 2014. Foi o sexto recuo consecutivo, com o indicador cravando 86,9 pontos, o n\u00edvel mais baixo da s\u00e9rie hist\u00f3rica.  <\/p>\n<p>O des\u00e2nimo est\u00e1 disseminado. Tanto nas classes com rendimentos acima de 10 sal\u00e1rio m\u00ednimos quanto nas camadas com ganhos inferiores, a ordem \u00e9 pisar no freio. O que mais assusta, na avalia\u00e7\u00e3o de Juliana Serapio, assessora econ\u00f4mica da CNC, \u00e9 que n\u00e3o se v\u00ea nenhum ponto de inflex\u00e3o \u00e0 frente. As fam\u00edlias est\u00e3o sem perspectivas de melhora.  <\/p>\n<p>O n\u00edvel de confian\u00e7a dos lares com renda menor que 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos tombou 5,1% na passagem de junho para julho. Entre as fam\u00edlias mais abastadas, a queda foi de 6,5%. Por regi\u00e3o, o maior descontentamento com a economia est\u00e1 no Centro-Oeste, apesar dos bons resultados da agricultura e de o Distrito Federal ter boa parte de sua m\u00e3o de obra empregada pelo setor p\u00fablico.  <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Juliana, o pa\u00eds assiste, atualmente, ao desmonte do modelo de crescimento adotado pelo governo, totalmente baseado no consumo. N\u00e3o se priorizou, nos \u00faltimos 12 anos, os investimentos que poderiam dar maior competitividade \u00e0 economia, inclusive ampliando a produtividade dos trabalhadores.  <\/p>\n<p>O resultado desse quadro \u00e9 que ind\u00fastria e com\u00e9rcio est\u00e3o com os estoques elevad\u00edssimos. Sem produ\u00e7\u00e3o e sem capacidade de girar as mercadorias, as empresas v\u00e3o demitir. O desemprego maior levar\u00e1 \u00e0 mais desconfian\u00e7a. O encalhe aumentar\u00e1 e a economia afundar\u00e1 de vez.<b>  <\/p>\n<p>Falta de propostas<\/b>  <\/p>\n<p>Para Evandro Buccini, economista-chefe da Rio Bravo Investimentos, diante do quadro atual, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o Brasil viver\u00e1 a pior recess\u00e3o desde os anos de 1980, per\u00edodo em que a economia esteve tragada pela hiperinfla\u00e7\u00e3o. No entender dele, a recupera\u00e7\u00e3o, quando vier, ser\u00e1 muito lenta.  <\/p>\n<p>Segundo ele, ainda n\u00e3o se pode dizer que o pa\u00eds caminha para ter uma d\u00e9cada perdida. \u201cMas, desde 2013, assistimos a uma forte desacelera\u00e7\u00e3o da atividade. Por enquanto, podemos dizer que meia d\u00e9cada perderemos\u201d, diz. Ou seja, \u00e9 poss\u00edvel que somente a partir de 2019 a economia volte a crescer acima de 2%, m\u00ednimo considerado satisfat\u00f3rio para o Brasil.  <\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Buccini, h\u00e1 boa vontade do governo em resolver problemas emergenciais, como o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Estruturalmente, por\u00e9m, a economia brasileira est\u00e1 com os dois p\u00e9s fincados no atraso. Nada foi resolvido, a come\u00e7ar pela infraestrutura.  <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. O ajuste fiscal de Levy n\u00e3o combateu o pior dos males das contas p\u00fablicas: os gastos excessivos. As despesas continuam crescendo a passos largos. As medidas de arrocho anunciadas at\u00e9 agora passam, principalmente, pelo aumento de receitas, sobretudo as extraordin\u00e1rias, pondo em d\u00favida a sustentabilidade de indicadores importantes para a boa sa\u00fade do pa\u00eds, como a d\u00edvida bruta, que est\u00e1 em 62,5% do Produto Interno Bruto (PIB).  <\/p>\n<p>A mesma avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pela economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. Para ela, preocupa a estrat\u00e9gia do governo de contar com a eleva\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria e com receitas oriundas da vendas de ativos, de concess\u00f5es e da regulariza\u00e7\u00e3o de recursos enviados ao exterior sem o conhecimento da Receita Federal para fazer o superavit prim\u00e1rio de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.  <\/p>\n<p>Perante esse conjunto de medidas, a impress\u00e3o de Zeina \u00e9 de que o governo enfrenta dificuldade para propor uma agenda s\u00f3lida que enfrente o crescimento inercial de gastos p\u00fablicos. \u201cDe quebra, a busca por novas receitas pode acabar sinalizando ao Congresso que n\u00e3o h\u00e1 urg\u00eancia de cortes de despesas. Receitas extraordin\u00e1rias n\u00e3o deveriam ser vistas como medidas de ajuste fiscal\u201d, afirma.  <\/p>\n<p>Com tantas d\u00favidas pairando no ar, \u00e9 compreens\u00edvel que fam\u00edlias, empres\u00e1rios e investidores estejam arredios. O desvio de rota do Brasil nos \u00faltimos quatro anos foi longe demais. Reencontrar o caminho da prosperidade levar\u00e1 tempo. E custar\u00e1 muitos e muitos empregos.  <\/p>\n<p><b>Comemora\u00e7\u00e3o ponto a ponto<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb O Banco Central comemora cada ponto de queda nas proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o para 2016. Acredita que est\u00e1 vencendo a batalha da comunica\u00e7\u00e3o com os agentes econ\u00f4micos.  <\/p>\n<p><b>Alvos da Lava-Jato<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb Muitos acham que a crise pol\u00edtica atingiu n\u00edveis alarmantes, mas, no Pal\u00e1cio do Planalto, h\u00e1 quem celebre o fato de a Lava-Jato ter chegado com tudo no Congresso e no Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU).  <\/p>\n<p><b>A favor do governo<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb Na vis\u00e3o desse grupo palaciano, as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o diminuem a for\u00e7a do Congresso para tripudiar o ajuste fiscal proposto por Levy e enfraquece a posi\u00e7\u00e3o do TCU contra as pedaladas fiscais. Ser\u00e1?<b>  <\/p>\n<p><\/b><b>O tem\u00edvel tubar\u00e3o branco<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb Imperd\u00edvel o novo livro do jornalista Louren\u00e7o Cazarr\u00e9 A longa migra\u00e7\u00e3o do tem\u00edvel tubar\u00e3o branco. Corram \u00e0s livrarias.  <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 08h55min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A infla\u00e7\u00e3o em alta, os juros proibitivos e o desemprego em disparada se transformaram na tempestade perfeita que as fam\u00edlias tanto temiam. N\u00e3o por acaso, pesquisa que a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) divulga hoje mostra nova queda na inten\u00e7\u00e3o de consumo dos lares. 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