{"id":145,"date":"2015-07-23T08:30:00","date_gmt":"2015-07-23T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o_inicio_do_fim\/"},"modified":"2015-07-23T08:30:00","modified_gmt":"2015-07-23T11:30:00","slug":"o_inicio_do_fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o_inicio_do_fim\/","title":{"rendered":"O IN\u00cdCIO DO FIM"},"content":{"rendered":"\n<p>Os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, tentaram ontem dirimir d\u00favidas, mas n\u00e3o conseguiram conter a onda de desconfian\u00e7a que se espalhou entre os investidores por causa da redu\u00e7\u00e3o radical das metas fiscais deste ano, de 1,13% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB), e de 2016 (2% para 0,7%) e 2017 (2% para 1,3%). <\/p>\n<p>Ainda que a grande maioria dos analistas vislumbrasse a incapacidade do governo de entregar os superavits prim\u00e1rios prometidos por Levy assim que ele foi empossado no cargo, a sensa\u00e7\u00e3o que ficou foi a de que a presidente Dilma Rousseff se cansou do arrocho. Passados quase sete meses do segundo mandato, o governo n\u00e3o colheu nenhum b\u00f4nus do ajuste, mas apenas \u00f4nus, o pior deles, a disparada do desemprego, que est\u00e1 sugando o restinho da aprova\u00e7\u00e3o que a petista acumula. <\/p>\n<p>Os especialistas veem duas coincid\u00eancias na mudan\u00e7a de postura do governo em rela\u00e7\u00e3o ao aperto iniciado logo depois das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. H\u00e1 pouco mais de duas semanas, tanto Levy quanto Barbosa tornaram p\u00fablica a disputa que ambos travavam nos bastidores em torno da meta fiscal. Criou-se uma como\u00e7\u00e3o de que eles estavam em guerra declarada, mas, na verdade, foi um jogo de cena para preparar o terreno \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do superavit, que, no entender de Dilma, estava pesado demais para uma economia em recess\u00e3o. <\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, o Banco Central passou a indicar que o aumento da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) estava pr\u00f3ximo do fim. Quem conversasse com os diretores da institui\u00e7\u00e3o at\u00e9 a primeira metade de junho teria a certeza de que o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), que se re\u00fane na pr\u00f3xima semana, elevaria a Selic em 0,50 ponto percentual neste m\u00eas e em 0,25 ponto em setembro, cravando 14,50% ao ano. Agora, os sinais s\u00e3o de que uma subida de 0,25 ponto, para 14%, j\u00e1 est\u00e1 de bom tamanho para uma economia que pode encolher 2% ou mais neste ano. <\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 surpresa, portanto, se, mais \u00e0 frente, o BC disser que, em vez do fim de 2016, como prometeu veementemente, a infla\u00e7\u00e3o s\u00f3 convergir\u00e1 para o centro da meta, de 4,5%, ao longo de 2017. <\/p>\n<p><b>Pa\u00eds da especula\u00e7\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>No Pal\u00e1cio do Planalto, \u00e9 vis\u00edvel o discurso de que o ajuste fiscal se tornou mais pol\u00edtico. Com o desemprego em disparada e o risco de queda maior do PIB, passou a prevalecer, entre assessores presidenciais, a vis\u00e3o de que o governo teria que abrir um pouco o torniquete e deixar de lado o discurso de Levy de que, quanto mais r\u00e1pido for o ajuste, mais rapidamente a economia reagir\u00e1. A aposta, neste momento, \u00e9 de fazer um arrocho mais ameno, dilu\u00eddo por todo o segundo mandato de Dilma, e, assim, reduzir o impacto sobre os eleitores. <\/p>\n<p>Essa postura mais amena do governo no ajuste, por sinal, foi tema de recente conversa entre Dilma e o presidente do Senado, Renan Calheiros, a quem o Planalto quer atrair para se tornar um contraponto ao presidente da C\u00e2mara, Eduardo Cunha, que rompeu oficialmente com o governo. Renan vinha criticando os excessos de medidas anunciadas por Levy para cumprir a agora abandonada meta de superavit de 1,13% do PIB. <\/p>\n<p>No entender de analistas, o ajuste mais brando pode reduzir as cr\u00edticas ao governo, sobretudo do PT, o partido de Dilma, que prometeu se juntar \u00e0 Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) na pr\u00f3xima semana para protestar em frente ao Minist\u00e9rio da Fazenda. Mas, para Jo\u00e3o Pedro Ribeiro, da Nomura Securities em Nova York, o Brasil ficou mais perto de perder o grau de investimentos, selo de bom pagador dado pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco. \u201cTudo est\u00e1 pior desde o in\u00edcio do ano: o desempenho da economia, o ajuste fiscal e o quadro pol\u00edtico\u201d, diz. <\/p>\n<p>Para ele, as ag\u00eancias Moody\u2019s e Fitch v\u00e3o rebaixar o pa\u00eds, igualando a classifica\u00e7\u00e3o \u00e0 da Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P). Assim, o pr\u00f3ximo passo das tr\u00eas principais ag\u00eancias do mundo ser\u00e1 empurrar o Brasil para o grupo de na\u00e7\u00f5es especulativas, do qual sa\u00edmos depois de anos e anos de esfor\u00e7o e responsabilidade fiscal. <\/p>\n<p>Ribeiro reconhece, por\u00e9m, que h\u00e1 justificativas para superavits prim\u00e1rios menores: a fraqueza da economia, que derruba a arrecada\u00e7\u00e3o; a impossibilidade do governo de contar com um ambiente pol\u00edtico que ajude a aumentar receitas e a cortar gastos; e a tentativa de sinalizar transpar\u00eancia e realismo nas contas p\u00fablicas. Com o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) no pesco\u00e7o de Dilma, por causa das pedaladas fiscais do ano passado, teme-se que questionamentos semelhantes venham a ser feitos diante de uma meta considerada irreal.<b> <\/p>\n<p>Filme de terror<\/b> <\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do BC e s\u00f3cio da Mau\u00e1 Capital, \u00e9 muito ruim ver que o governo n\u00e3o conseguir\u00e1 chegar perto do prometido superavit de 1,1% do PIB. Mas, segundo ele, os novos n\u00fameros d\u00e3o maior realismo ao ajuste diante da situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o fraca da atividade e, consequentemente, das receitas. \u201cTudo mostra que est\u00e1vamos numa situa\u00e7\u00e3o muito pior do que ach\u00e1vamos\u201d, afirma. \u201cO fato de o governo ter t\u00e3o baixa popularidade e de o Congresso ter aprovado parcialmente o ajuste pesou muito na situa\u00e7\u00e3o que vemos hoje (de metas fiscais menores)\u201d, emenda. <\/p>\n<p>Entre os especialistas, diante do afrouxamento do quadro fiscal, n\u00e3o se sabe at\u00e9 que ponto o ministro Levy est\u00e1 firme no cargo. A torcida \u00e9 para que esteja, a fim de que prevale\u00e7a a posi\u00e7\u00e3o dele, de que o governo n\u00e3o est\u00e1 com licen\u00e7a para gastar. Em meio ao mar de questionamentos, os mais pessimistas \u2014 e n\u00e3o s\u00e3o poucos \u2014 come\u00e7am a ver o que definem como o come\u00e7o do fim, que pode resultar em desemprego acima de 10%, PIB com queda de mais de 2,5% e impeachment da presidente Dilma. Trata-se de um filme de horror que n\u00e3o merecemos. <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 08h35min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, tentaram ontem dirimir d\u00favidas, mas n\u00e3o conseguiram conter a onda de desconfian\u00e7a que se espalhou entre os investidores por causa da redu\u00e7\u00e3o radical das metas fiscais deste ano, de 1,13% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB), e de 2016 (2% para 0,7%) e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-145","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}