{"id":14632,"date":"2020-06-22T17:46:30","date_gmt":"2020-06-22T20:46:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=14414"},"modified":"2020-06-22T17:46:30","modified_gmt":"2020-06-22T20:46:30","slug":"paulo-guedes-sob-pressao-por-resultados-concretos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/paulo-guedes-sob-pressao-por-resultados-concretos\/","title":{"rendered":"Paulo Guedes sob press\u00e3o por resultados concretos"},"content":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o presidente Jair Bolsonaro cada vez mais acuado pela Justi\u00e7a e com a pandemia de covid-19 derrubando qualquer chance de crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) este ano, o ministro da Economia, Paulo Guedes, passou a ser mais cobrado por resultados concretos tanto pelo presidente quanto pela nova base de apoio, o Centr\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem acompanha o dia a dia do Pal\u00e1cio do Planalto, garante que, daqui para frente, o ministro da Economia estar\u00e1 na mira do presidente. E ser\u00e1 cobrado diariamente para apresentar resultados sobre as medidas que o governo tomou para minimizar os estragos provocados pelo novo coronav\u00edrus e pela pris\u00e3o do amigo da fam\u00edlia Fabr\u00edcio Queiroz, conforme divulgou o <strong>Blog<\/strong> na semana passada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A reforma administrativa, que tinha o objetivo de atacar a despesa com pessoal, saiu da pauta da equipe econ\u00f4mica, de acordo com fontes da pasta. E a tribut\u00e1ria ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita, apesar de t\u00e9cnicos e do ministro sempre defenderem uma simplifica\u00e7\u00e3o com a unifica\u00e7\u00e3o de tributos federais, mas nada nos moldes de um IVA (Imposto sobre Valor Agregado) no sentido mais amplo, como o de pa\u00edses desenvolvidos. E, para piorar, a falta de medidas eficientes para o socorro de empresas e fraudes na concess\u00e3o do aux\u00edlio emergencial s\u00e3o dois pontos nevr\u00e1lgicos para a credibilidade do ministro da Economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guedes est\u00e1 ficando sem argumentos para manter o discurso otimista de retomada da economia e muito menos consegue avan\u00e7ar na agenda reformista complementar \u00e0 reforma da Previd\u00eancia.\u00a0 Apesar de ser a \u00fanica promessa que ele conseguiu cumprir quando tomou posse, o m\u00e9rito n\u00e3o \u00e9 atribu\u00eddo a ele, mas ao Congresso, que embarcou a pauta e vinha assumindo o protagonismo, inclusive, na reforma tribut\u00e1ria. Nem mesmo a abertura comercial e as privatiza\u00e7\u00f5es sa\u00edram do papel. D\u00favidas se ele continuar\u00e1 no cargo voltam a rondar as mesas dos mercados enquanto a promessa de arrecadar R$ 1 trilh\u00e3o com privatiza\u00e7\u00f5es virou folclore. E uma das principais cr\u00edticas ao ministro \u00e9 a falta de um plano mais claro e mais bem elaborado para tirar o pa\u00eds sair dessa crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas apresenta\u00e7\u00f5es que costuma fazer para operadores do mercado financeiro, Guedes insiste em iniciar os discursos afirmando que o pa\u00eds estava decolando no in\u00edcio, mas o avi\u00e3o foi abatido pela crise do coronav\u00edrus. S\u00f3 que os n\u00fameros mostram que nada disso estava acontecendo, apesar de a Bolsa ter ultrapassado 100 mil pontos em um cen\u00e1rio de incertezas para as reformas e o controle dos gastos p\u00fablicos, especialmente, com a recess\u00e3o profunda em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A economia brasileira n\u00e3o conseguiu crescer acima de 1% desde 2017 at\u00e9 2019 devido \u00e0 baixa produtividade do pa\u00eds e o novo governo n\u00e3o conseguiu adotar medidas eficientes para mudar esse quadro. Depois de registrar queda de 1,5% no primeiro trimestre de 2020, dados preliminares sinalizam que o tombo no segundo trimestre ser\u00e1 entre 10% e 15%, na melhor das hip\u00f3teses. O desemprego est\u00e1 em alta, encostando nos 13%. Investidores estrangeiros batem em debanda em um claro sinal de que h\u00e1 algo errado, apesar de a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) estar no menor patamar da hist\u00f3ria, enquanto a d\u00edvida p\u00fablica continua crescendo, apesar do recuo em 2019, podendo chegar perto de 100% do PIB at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Logo, a virada r\u00e1pida prometida por Guedes e esperada por Bolsonaro est\u00e1 muito longe de acontecer, especialmente, porque o cen\u00e1rio que est\u00e1 sendo vislumbrado poder\u00e1 ser de uma verdadeira instabilidade no processo de retomada, com aberturas e fechamentos intermitentes dos munic\u00edpios devido \u00e0 falta de medidas do governo federal centralizadas e mais efetivas no combate \u00e0 pandemia. Basta lembrar que, ap\u00f3s demitir os dois \u00faltimos ministros da Sa\u00fade, Bolsonaro continua, h\u00e1 mais de um m\u00eas, sem um nome de peso na \u00e1rea cient\u00edfica na pasta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A falta de um plano de retomada de Guedes para a recess\u00e3o profunda em que o pa\u00eds mergulhou, ali\u00e1s, tem deixado analistas preocupados. Contudo, no mercado financeiro, ainda existe uma ala que est\u00e1 otimista devido aos juros baixos e ignora a crise pol\u00edtica em torno de Bolsonaro e seus familiares. Um economista de um grande banco de investimentos que pediu anonimato, no entanto, admitiu que j\u00e1 existe uma preocupa\u00e7\u00e3o de que a press\u00e3o de Bolsonaro sobre Guedes vai aumentar, mais no fim do ano. Resta saber se ele vai aguentar a press\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cCertamente, Guedes ser\u00e1 cobrado por resultados e tamb\u00e9m ser\u00e1 cobrado para mais est\u00edmulos, especialmente de gasto com infraestrutura. O Centr\u00e3o demandar\u00e1 mais presen\u00e7a no governo em troca de apoio para sobreviv\u00eancia pol\u00edtica. N\u00e3o consigo ver na mesma equa\u00e7\u00e3o Guedes, central e militares do Planalto. Algu\u00e9m est\u00e1 sobrando e, no caso, \u00e9 o ministro da Economia\u201d, avaliou Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Segundo ele, \u00e9 um c\u00e1lculo pessoal do ministro saber at\u00e9 quando fica em um governo que est\u00e1 afundando. \u201cPode ser que ele fique at\u00e9 o final como ficou o Marc\u00edlio (Moreira) com o Collor ou o (Nelson) Barbosa com a Dilma, mas cada vez mais ter\u00e1 muita dificuldades em fazer qualquer medida de pol\u00edtica econ\u00f4mica razo\u00e1vel\u201d, destacou. Ele descarta avan\u00e7o de reformas.\u00a0\u201cO governo Bolsonaro n\u00e3o ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de fazer, por exemplo, nenhuma mudan\u00e7a constitucional relevante\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Solmucci, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), lembrou que a quest\u00e3o do cr\u00e9dito n\u00e3o chegar na ponta para as empresas deve estar incomodando o presidente. Especialistas criticam o modelo para micro e pequenas empresas e falam que ele foi mal desenhado ao ponto de ter que ser refeito. Conforme dados do Tesouro Nacional, dos R$ 404,2 bilh\u00f5es de recursos extras do governo federal anunciados no combate \u00e0 pandemia, R$ 176,4 bilh\u00f5es foram pagos, ou seja, menos da metade. Os financiamentos prometidos para as empresas micro e pequenas, por exemplo, ainda est\u00e3o travados e os programas est\u00e3o sendo revisados, atrasando o acesso das empresas aos recursos. \u201c\u00c9 incr\u00edvel este atraso. Ele est\u00e1 quebrando muitas empresas que teriam chances de se manter no mercado\u201d, destacou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A economista e advogada Elena Landau acredita que, por enquanto, Bolsonaro n\u00e3o pode se dar ao luxo de pressionar Guedes. \u201cO presidente n\u00e3o pode tirar ele agora, porque o governo acaba de vez, apesar de o ministro estar cada vez mais desacreditado\u201d, afirmou ela, acrescendo que a crise mostrou que Guedes n\u00e3o tem compet\u00eancia para lidar com pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dados da Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU) divulgados na quinta-feira apontam o pagamento irregular de R$ 222,9 milh\u00f5es decorrentes de 317.163 pagamentos a agentes p\u00fablicos do aux\u00edlio emergencial, socorro destinado aos trabalhadores informais e desempregados. Desse total de fraudes, 17,5 mil benefici\u00e1rios s\u00e3o servidores militares da Uni\u00e3o, ativos, inativos ou pensionistas e 292,3 mil, agentes p\u00fablicos ativos e inativos de governos regionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Elena, Guedes n\u00e3o far\u00e1 como Sergio Moro e renunciar ao cargo, \u201cporque ele acredita que ser\u00e1 um grande ministro\u201d. Para o economista Jos\u00e9 Luis Oreiro, professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Bolsonaro est\u00e1 acuado, mas entender a rela\u00e7\u00e3o dele com Guedes \u00e9 complicado e cabe apenas a um psic\u00f3logo. \u201cQue o ministro n\u00e3o engana mais ningu\u00e9m \u00e9 \u00f3bvio\u201d, afirmou. Ele criticou, inclusive, dados que Guedes anda divulgando da carga tribut\u00e1ria, acima de 40% do PIB, incluindo deficit prim\u00e1rio na conta, algo que nenhum pa\u00eds da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), o chamado clube dos ricos, faz. &#8220;Ao inv\u00e9s de se contentar a fazer o que sempre faz, que \u00e9 apresentar teses estapaf\u00fardias sem comprova\u00e7\u00e3o nos dados, o Ministro da Economia resolveu inovar. Para mostrar a necessidade de reduzir a carga tribut\u00e1ria brasileira, Paulo Guedes criou um novo conceito de carga tribut\u00e1ria, a saber: a soma da carga tribut\u00e1ria propriamente dita com o d\u00e9ficit nominal do setor p\u00fablico&#8221;, escreveu Oreiro em seu blog.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; Com o presidente Jair Bolsonaro cada vez mais acuado pela Justi\u00e7a e com a pandemia de covid-19 derrubando qualquer chance de crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) este ano, o ministro da Economia, Paulo Guedes, passou a ser mais cobrado por resultados concretos tanto pelo presidente quanto pela nova base de apoio, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[179,589,2922,3613,58,31],"class_list":["post-14632","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-crise","tag-economia","tag-jair-bolsonaro","tag-paulo-guedes","tag-pib","tag-recessao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14632"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14632\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}