{"id":148,"date":"2015-07-26T00:10:00","date_gmt":"2015-07-26T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/deficits_disseminados\/"},"modified":"2015-07-26T00:10:00","modified_gmt":"2015-07-26T03:10:00","slug":"deficits_disseminados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/deficits_disseminados\/","title":{"rendered":"DEFICITS DISSEMINADOS"},"content":{"rendered":"\n<p>A decis\u00e3o do Brasil de reduzir a meta fiscal deste ano, de 1,13% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB), n\u00e3o \u00e9 um fato isolado na Am\u00e9rica Latina. Boa parte dos pa\u00edses da regi\u00e3o optaram por afrouxar o compromisso de ajustar as finan\u00e7as p\u00fablicas, diz o economista Marcos Buscaglia, do Bank of America Merrill Lynch. Um fato preocupante. <\/p>\n<p>Ele ressalta que o processo de deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas vem sendo observado desde o ano passado, quando a m\u00e9dia dos deficits dos governos centrais quase dobrou, saltando para 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) ante os 2% observados em 2013. Pelos c\u00e1lculos dele, \u00e9 poss\u00edvel que o rombo pule para 4,6% em 2015. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Buscaglia, a piora dos indicadores fiscais da Am\u00e9rica Latina est\u00e1 sendo liderada pelo Brasil, onde o deficit passar\u00e1 de 5,3% para 6,2% do PIB. Ele acredita que o pa\u00eds comandado por Dilma Rousseff se meteu em uma armadilha ao abusar das pol\u00edticas antic\u00edclicas para reduzir o impacto das crises externas na atividade dom\u00e9stica. <\/p>\n<p>O que se observa no levantamento realizado pelo economista do Bank of America \u00e9 que os pa\u00edses latinos tentaram estimular a atividade para compensar, sobretudo, a queda dos pre\u00e7os das commodities, produtos prim\u00e1rios como min\u00e9rio de ferro e soja, que t\u00eam cota\u00e7\u00e3o internacional. Mas as investidas n\u00e3o deram certas. Mesmo com toda a gastan\u00e7a estatal, o PIB da regi\u00e3o desacelerou e, na m\u00e9dia, cresceu apenas 0,6% no ano passado contra 2,6% de 2013. <\/p>\n<p>A deteriora\u00e7\u00e3o fiscal est\u00e1 disseminada e a revers\u00e3o exigir\u00e1 esfor\u00e7o redobrado dos governos, que ainda n\u00e3o se mostram dispostos a fazer os ajustes necess\u00e1rios. O Brasil, lembra Buscaglia, come\u00e7ou o segundo mandato de Dilma sinalizando um aperto significativo nas contas. Mas, com a forte queda das receitas, o quadro se mostrou mais dif\u00edcil que o imaginado. Agora, \u00e9 importante que o governo realmente se mostre disposto a seguir o novo roteiro. Mesmo menores, os superavits prim\u00e1rios s\u00e3o vitais para a retomada da confian\u00e7a no pa\u00eds. <\/p>\n<p><b>Pior do pior<\/b> <\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima quinta-feira, ser\u00e1 poss\u00edvel ter a no\u00e7\u00e3o exata de como andam as contas do governo. O Tesouro Nacional apresentar\u00e1 os n\u00fameros de junho e do primeiro semestre. Nos c\u00e1lculos de Maur\u00edcio Molan, economista-chefe do Banco Santander, o rombo no m\u00eas passado foi de R$ 3,2 bilh\u00f5es, devido ao fraco desempenho da arrecada\u00e7\u00e3o, \u00e0 resist\u00eancia de queda de gastos e ao pagamento de parte dos subs\u00eddios do Programa de Sustenta\u00e7\u00e3o do Investimento (PSI). No acumulado do primeiro semestre, o saldo ser\u00e1 pr\u00f3ximo de zero. <\/p>\n<p>Com isso, acredita ele, o resultado prim\u00e1rio do setor p\u00fablico consolidado (Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios) ser\u00e1 deficit\u00e1rio em R$ 500 milh\u00f5es em junho, mesmo com o esperado superavit de R$ 2,7 bilh\u00f5es dos governos regionais. A se confirmarem esses n\u00fameros, o deficit prim\u00e1rio recuar\u00e1 levemente, de 0,68% para 0,60% do PIB. J\u00e1 o resultado nominal (que inclui os gastos com juros) dever\u00e1 continuar em alta, batendo em espantosos 8,0% do PIB. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m mostrar\u00e1 piora a rela\u00e7\u00e3o entre d\u00edvida e PIB, j\u00e1 que as despesas com juros est\u00e3o em disparada. A d\u00edvida l\u00edquida, segundo Molan, bater\u00e1 em 33,9% do PIB e a bruta, em 62,8%. Todos esses indicadores mostram o quanto as finan\u00e7as do pa\u00eds est\u00e3o desajustadas. Mesmo com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tentando fazer um ajuste convincente, prometendo uma meta de superavit maior, a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 era de calamidade. Imagine como elas ficar\u00e3o, agora, com a frouxid\u00e3o anunciada na \u00faltima quarta-feira. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os investidores est\u00e3o t\u00e3o desconfiados. <\/p>\n<p><b>Tombo de 6% do PIB<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O economista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, diz que as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas do Brasil se deterioraram acentuadamente nos \u00faltimos meses. Ele ressalta que os dados da atividade sugerem que a recess\u00e3o se aprofundou e o PIB caiu a um ritmo anualizado de 6% no segundo trimestre.<b> <\/p>\n<p><\/b><b>Quadro de depress\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Rostagno ressalta que o quadro atual \u00e9 de dar depress\u00e3o. A taxa de desemprego ajustada atingiu, em junho, o maior n\u00edvel em quase cinco anos (6,5%), com o corte de empregos formais nos \u00faltimos 10 meses. O n\u00edvel de confian\u00e7a das empresas (ind\u00fastria, com\u00e9rcio, constru\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os) e dos consumidores est\u00e1 no ch\u00e3o e a infla\u00e7\u00e3o, acima de 9%. <\/p>\n<p><b>Gastos eleitorais<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O economista do Mizuho acredita que, com a nova meta fiscal, o Brasil n\u00e3o conseguir\u00e1 estabilizar a rela\u00e7\u00e3o entre a d\u00edvida e o PIB at\u00e9 2018, como promete o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, j\u00e1 que aquele ano ser\u00e1 de elei\u00e7\u00f5es, per\u00edodos em que a pol\u00edtica fiscal costuma ser frouxa. <\/p>\n<p><b>Dois anos de recess\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Sendo assim, destaca Rostagno, o risco de o Brasil perder o grau de investimento aumentou significativamente, o que levar\u00e1 os investidores a adotarem uma postura mais cautelosa em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds, fazendo com que a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar feche este ano em R$ 3,50 e salte para R$ 3,80 em 2016, tornando a atual recess\u00e3o mais profunda e prolongada. Ele prev\u00ea que o PIB cair\u00e1 2,1% em 2015 e 0,7% no pr\u00f3ximo ano. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h10min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o do Brasil de reduzir a meta fiscal deste ano, de 1,13% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB), n\u00e3o \u00e9 um fato isolado na Am\u00e9rica Latina. Boa parte dos pa\u00edses da regi\u00e3o optaram por afrouxar o compromisso de ajustar as finan\u00e7as p\u00fablicas, diz o economista Marcos Buscaglia, do Bank of America Merrill Lynch. 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