{"id":1499,"date":"2016-06-19T11:49:29","date_gmt":"2016-06-19T14:49:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1499"},"modified":"2016-06-19T14:17:11","modified_gmt":"2016-06-19T17:17:11","slug":"uma-cada-cinco-pessoas-que-renegociam-dividas-volta-indadimplencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/uma-cada-cinco-pessoas-que-renegociam-dividas-volta-indadimplencia\/","title":{"rendered":"Uma em cada cinco pessoas que renegociam d\u00edvidas volta \u00e0 inadimpl\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>POR HAMILTON FERRARI E HENRICK MENEZES<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estar endividado \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel em qualquer circunst\u00e2ncia, mas, em tempos de recess\u00e3o econ\u00f4mica, o quadro piora, pois, muitas vezes, a renegocia\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos n\u00e3o \u00e9 suficiente para manter o consumidor fora das listas de maus pagadores. De acordo com os dados do Banco Central (BC), uma em cada cinco pessoas inadimplentes vive esse problema e, para piorar, em abril, a taxa m\u00e9dia de juros das opera\u00e7\u00f5es de renegocia\u00e7\u00e3o atingiu o maior n\u00edvel da s\u00e9rie hist\u00f3rica: 54,67% ao ano. No m\u00eas, o calote das d\u00edvidas revistas atingiu 17,7%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pela estat\u00edstica do BC, que lista apenas pagamentos com mais de 90 dias de atraso, das 59,25 milh\u00f5es de pessoas que estavam com o nome negativado no pa\u00eds, em maio \u2014 segundo o SPC Brasil (Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito) \u2014, 10 milh\u00f5es n\u00e3o conseguiram sair do vermelho, apesar de terem negociado os d\u00e9bitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O atendente de lanchonete Josemar Santos, 25 anos, \u00e9 uma dessas pessoas. Negociou a d\u00edvida de R$ 3 mil que tinha de parcelas atrasadas de um im\u00f3vel, mas acabou voltando \u00e0 inadimpl\u00eancia. A fam\u00edlia de Santos foi uma das v\u00edtimas da crise econ\u00f4mica que abateu o pa\u00eds. \u201cEu havia renegociado com mensalidades que cabiam no meu or\u00e7amento, por\u00e9m, meu pai, que ajudava no or\u00e7amento dom\u00e9stico, ficou desempregado e, no momento, tenho outras prioridades. \u00c9 do meu interesse pagar a minha d\u00edvida, mas at\u00e9 agora n\u00e3o deu\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diretor da DSOP Educa\u00e7\u00e3o Financeira, S\u00edlvio Bianchi diz que a crise econ\u00f4mica agravou a situa\u00e7\u00e3o, mas a falta de educa\u00e7\u00e3o financeira das pessoas foi determinante para esse momento t\u00e3o complicado. \u201cMuitas tiveram redu\u00e7\u00e3o dos ganhos e ficaram sem emprego, mas n\u00e3o se organizaram financeiramente de forma preventiva. N\u00e3o se pode controlar a crise, ent\u00e3o, precisamos estar preparados para qualquer surpresa\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desemprego est\u00e1 no patamar mais elevado desde 2012, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). S\u00e3o 11,4 milh\u00f5es de brasileiros sem trabalho. O educador financeiro Reinaldo Domingos acredita que \u00e9 dif\u00edcil se esquivar da crise. \u201cDevido \u00e0 alta infla\u00e7\u00e3o, as empresas est\u00e3o demitindo cada vez mais. Portanto, ter uma poupan\u00e7a para futuras eventualidades \u00e9 uma sa\u00edda para as fam\u00edlias n\u00e3o terem surpresas desagrad\u00e1veis\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Risco da facilidade<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por pior que seja a situa\u00e7\u00e3o, no entanto, especialistas aconselham a n\u00e3o recorrer ao cr\u00e9dito oferecido a negativados (pessoas endividadas que est\u00e3o na lista de devedores dos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito). Os juros cobrados nessas institui\u00e7\u00f5es podem chegar a 900% ao ano. A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, considera essa a pior op\u00e7\u00e3o para quem quer solucionar problemas com d\u00e9bitos atrasados. \u201cN\u00e3o vale a pena sair de uma d\u00edvida com juros menores para embarcar em parcelas com taxas maiores apenas pela facilidade. Usar cr\u00e9ditos desse g\u00eanero s\u00f3 em caso de vida ou morte\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa possibilidade at\u00e9 passou pela cabe\u00e7a de Josemar, quando viu que n\u00e3o conseguiria honrar com a parcela negociada, mas o atendente de lanchonete comparou os juros anuais das duas institui\u00e7\u00f5es financeiras e optou por continuar devendo \u00e0 atual, e aguardar um momento oportuno para quitar o d\u00e9bito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro conselho para quem est\u00e1 endividado \u00e9 trocar d\u00edvidas com taxas mais elevadas pelas com juros mais baixos. Um exemplo disso, segundo Bianchi, da DSOP, \u00e9 substituir um empr\u00e9stimo rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito por um cr\u00e9dito consignado. \u201cOs juros do cart\u00e3o de cr\u00e9dito variam de 450% a 630% ao ano. S\u00e3o alt\u00edssimas. Ent\u00e3o, o devedor pode conseguir trocar pelo cr\u00e9dito consignado, que hoje tem uma taxa m\u00e9dia de 27%\u201d, explica. O empr\u00e9stimo exige um pagamento das presta\u00e7\u00f5es por meio do desconto direto do sal\u00e1rio de quem pegou o financiamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os especialistas alertam, no entanto, que os endividados s\u00f3 devem negociar d\u00e9bitos ou trocar d\u00edvidas caras por mais baratas quando tiverem total conhecimento do pr\u00f3prio or\u00e7amento. Durante 30 dias, o devedor precisa identificar todos os centavos gastos. \u201cAluguel, telefone, cafezinho, gorjeta, lanche, contas, bebidas, aulas e por a\u00ed vai. O dinheiro sai do nosso bolso. \u00c0s vezes, voc\u00ea pensa que uma quantidade pequena n\u00e3o faz diferen\u00e7a, mas, quando chega ao fim do m\u00eas, ela fica bem maior\u201d, destaca Bianchi. Ao final do processo, ser\u00e1 poss\u00edvel fazer cortes nos desperd\u00edcios e itens sup\u00e9rfluos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, a pedagoga Denise Gomes, 27 anos, extrapolou com o uso do cart\u00e3o de cr\u00e9dito e do cheque especial. Com tantos gastos, ela devia mais de R$ 6 mil para o banco. Mas, com disciplina, conseguiu se reorganizar e liquidar o d\u00e9bito ap\u00f3s a renegocia\u00e7\u00e3o. \u201cEu tive que me reeducar financeiramente. Comecei a anotar tudo que gastava, tive a dura tarefa de cortar os gastos. Renegociei a d\u00edvida em parcelas que cabiam em meu or\u00e7amento. Demorou, mas enfim eu me livrei da d\u00edvida\u201d, relata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 10h10min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR HAMILTON FERRARI E HENRICK MENEZES &nbsp; Estar endividado \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel em qualquer circunst\u00e2ncia, mas, em tempos de recess\u00e3o econ\u00f4mica, o quadro piora, pois, muitas vezes, a renegocia\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos n\u00e3o \u00e9 suficiente para manter o consumidor fora das listas de maus pagadores. 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