{"id":150,"date":"2015-07-28T11:29:00","date_gmt":"2015-07-28T14:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bateu_o_desespero\/"},"modified":"2015-07-28T11:29:00","modified_gmt":"2015-07-28T14:29:00","slug":"bateu_o_desespero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bateu_o_desespero\/","title":{"rendered":"BATEU O DESESPERO"},"content":{"rendered":"\n<p>Havia muito tempo que uma reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) n\u00e3o causava tanta como\u00e7\u00e3o no governo, como a que come\u00e7a hoje e termina amanh\u00e3. Diante da perspectiva de aprofundamento da recess\u00e3o \u2014 as previs\u00f5es apontam para queda superior a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano \u2014, as apostas eram de que o Banco Central elevaria a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em mais 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, e daria por encerrado o aperto iniciado depois das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, em outubro de 2014. Agora, j\u00e1 n\u00e3o se sabe mais para onde v\u00e3o os juros. <\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto, o entendimento predominante \u00e9 o de que o BC n\u00e3o deveria nem mexer na Selic, de 13,75% ao ano, j\u00e1 que uma taxa maior s\u00f3 contribuir\u00e1 para derrubar a atividade, com aumento do desemprego. Essa ala de t\u00e9cnicos argumenta que a infla\u00e7\u00e3o deste ano, que caminha a passos largos para os 10%, j\u00e1 est\u00e1 dada e n\u00e3o ser\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o mais firme da autoridade monet\u00e1ria neste momento que conter\u00e1 a carestia. O importante para esse grupo \u00e9 que, de 2016 em diante, o custo de vida cair\u00e1 \u00e0 metade, gra\u00e7as ao BC, que n\u00e3o titubeou em elevar os juros, mesmo com a economia perdendo for\u00e7a. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que, olhando apenas para o n\u00edvel da atividade, certamente, o Banco Central n\u00e3o precisaria elevar mais na Selic. Na verdade, deveria estar reduzindo a taxa para evitar que, tamb\u00e9m em 2016, o ano seja perdido, com nova queda do PIB. O problema \u00e9 que a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 ref\u00e9m de uma situa\u00e7\u00e3o que ela mesmo criou ao, no primeiro mandato de Dilma, agir de forma leniente com a infla\u00e7\u00e3o. Seja por interfer\u00eancia do Planalto, seja por erros nas proje\u00e7\u00f5es, a autoridade monet\u00e1ria indicou para os formadores de pre\u00e7os que tinha comprado a tese de que um pouquinho mais de carestia n\u00e3o faria mal a ningu\u00e9m e estimularia o PIB. Viu sua credibilidade ruir. <\/p>\n<p>Agora, o BC precisa mostrar que mudou, que o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o \u00e9 para valer e que a promessa de levar o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) ao centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 dezembro do ano que vem, n\u00e3o \u00e9 mais uma das obras de fic\u00e7\u00e3o que se tornaram marca registrada do governo. O custo para o pa\u00eds, por\u00e9m, ser\u00e1 enorme. Mesmo que a alta da Selic fique em 0,25 ponto, como acredita parte do mercado, o certo \u00e9 que os juros maiores v\u00e3o bater no consumo das fam\u00edlias e nos investimentos produtivos. N\u00e3o h\u00e1 como pensar em recupera\u00e7\u00e3o da atividade t\u00e3o cedo. <\/p>\n<p>Levy diminuiu <\/p>\n<p>As falhas do BC se tornam maiores porque, nos \u00faltimos dias, tudo passou a conspirar por mais infla\u00e7\u00e3o. O governo decidiu afrouxar o ajuste fiscal. Os gastos maiores v\u00e3o pressionar o custo de vida. As desconfian\u00e7as em torno do superavit prim\u00e1rio empurraram o d\u00f3lar para o n\u00edvel mais alto em 12 anos. Mesmo com a economia em recess\u00e3o, haver\u00e1 repasses da valoriza\u00e7\u00e3o da moeda norte-americana para os demais pre\u00e7os da economia. Com esse roteiro de p\u00e9ssima qualidade, \u00e9 assustador ver como o governo Dilma continua a errar. <\/p>\n<p>O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, vem dizendo que a redu\u00e7\u00e3o da meta de superavit prim\u00e1rio de 1,13% para 0,15% do PIB n\u00e3o foi uma derrota dele. Sem d\u00favida, foi. Sobretudo, porque esse afrouxamento veio acompanhado da redu\u00e7\u00e3o das metas de 2016 e 2017, contratando press\u00f5es inflacion\u00e1rias que v\u00e3o interferir nas decis\u00f5es futuras de pol\u00edtica monet\u00e1ria do BC. N\u00e3o por acaso, o mercado voltou a subir as proje\u00e7\u00f5es para o IPCA de 2017, que, at\u00e9 a semana passada, se mostravam ancoradas no centro da meta, de 4,5%, definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). <\/p>\n<p>Levy, agora, resolveu jogar para cima do Congresso a responsabilidade pela redu\u00e7\u00e3o da meta, uma vez que os parlamentares n\u00e3o aprovaram medidas que poderiam ajudar no cumprimento de uma meta fiscal mais ambiciosa. Tem raz\u00e3o em parte, j\u00e1 que deputados e senadores \u2014 muitos da base aliada \u2014 resolveram se aproveitar da baixa popularidade da presidente da Rep\u00fablica para fustigar o Planalto. <\/p>\n<p>Mas o governo poderia ter feito mais, cortado gastos muito al\u00e9m do adicional de R$ 8,6 bilh\u00f5es anunciados por Levy. Ele mesmo defendia que a tesourada limasse pelo menos R$ 15 bilh\u00f5es do Or\u00e7amento deste ano. Tamb\u00e9m nesse ponto foi derrotado. Por isso, a desconfian\u00e7a dos investidores de que o ministro continue com o poder que demonstrou quando assumiu a chefia da equipe econ\u00f4mica. <\/p>\n<p>Com tantas barbeiragens, n\u00e3o adianta o governo mostrar desespero com a poss\u00edvel alta dos juros. Tudo seria muito diferente se a presidente Dilma tivesse seguido uma regra b\u00e1sica: respeitar a estabilidade da economia. Tanto inventou que j\u00e1 est\u00e1 colhendo a maior retra\u00e7\u00e3o do PIB em 25 anos e pode ser responsabilizada pela hist\u00f3ria por ter levado o Brasil a perder quase uma d\u00e9cada, destruindo sonhos de brasileiros que acreditaram que um futuro melhor estava a caminho. <\/p>\n<p>Divers\u00e3o e fraude <\/p>\n<p>\u00bb Um cliente da Caixa Econ\u00f4mica Federal gastou R$ 250 em uma noitada em Goi\u00e2nia no cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Quando a fatura chegou em casa e a mulher pediu explica\u00e7\u00f5es da despesa, ele alegou que o cart\u00e3o havia sido fraudado. Para manter o discurso, encaminhou um pedido ao banco para a exclus\u00e3o do d\u00e9bito. A Caixa, claro, n\u00e3o aceitou. <\/p>\n<p>Desconfian\u00e7a de gigantes <\/p>\n<p>\u00bb Entre as institui\u00e7\u00f5es que se revezam na lista das que mais acertam as previs\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o nas pesquisas realizadas semanalmente pelo Banco Central, nenhuma est\u00e1 com estimativa para o IPCA de 2016 abaixo de 5,4%. V\u00e1rias est\u00e3o trabalhando com taxas entre 6% e 6,5%, um problem\u00e3o para o BC administrar. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 11h31min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia muito tempo que uma reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) n\u00e3o causava tanta como\u00e7\u00e3o no governo, como a que come\u00e7a hoje e termina amanh\u00e3. 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