{"id":151,"date":"2015-07-29T08:08:00","date_gmt":"2015-07-29T11:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_ficha_caiu\/"},"modified":"2015-07-29T08:08:00","modified_gmt":"2015-07-29T11:08:00","slug":"a_ficha_caiu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_ficha_caiu\/","title":{"rendered":"A FICHA CAIU"},"content":{"rendered":"\n<p>A adora\u00e7\u00e3o que o mercado financeiro sempre demonstrou em rela\u00e7\u00e3o ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, come\u00e7ou a se transformar em decep\u00e7\u00e3o. Desde que ele perdeu a queda de bra\u00e7o em torno das metas fiscal deste ano e de 2016 e 2017, que foram reduzidas drasticamente, os analistas passaram a mapear os movimentos do chefe da equipe econ\u00f4mica para medir o real poder dele dentro do governo e no Congresso. A conclus\u00e3o foi a de que Levy \u00e9 bem menor do que todos imaginavam. Passados quase oito meses do segundo mandato de Dilma, ele fez muito pouco ante o esperado e, para desespero dos investidores, a economia piorou muito desde que ele se sentou na cadeira mais importante da Esplanada dos Minist\u00e9rios. <\/p>\n<p>Quando foi anunciado ministro, antes mesmo de o primeiro mandato de Dilma acabar, Levy foi al\u00e7ado ao posto de super-homem, aquele que, em quest\u00e3o de tempo, conseguiria reverter todo o estrago promovido na economia nos anos anteriores. Presente todos os dias na m\u00eddia, incensado at\u00e9 por integrantes da oposi\u00e7\u00e3o, ganhou status de celebridade. A for\u00e7a demonstrada por ele levava todos a conclu\u00edrem que os tempos de dificuldades seriam curtos. Os ajustes demorariam, no m\u00e1ximo, seis meses. Logo, o Brasil estaria de novo na rota do crescimento. O que se viu, por\u00e9m, foi um ministro sendo engolido pela realidade de um governo fraco, sem representatividade, e enfraquecido por disputas internas lideradas por l\u00edderes do PT, o partido de Dilma. <\/p>\n<p>A for\u00e7a demonstrada por Levy era tamanha que a mesma Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P), que, agora, amea\u00e7a retirar do Brasil o selo de bom pagador, resolveu, no in\u00edcio do ano, dar um voto de confian\u00e7a ao pa\u00eds. Representantes da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco disseram, \u00e0 \u00e9poca, que o esfor\u00e7o demonstrado pelo ministro para fazer o ajuste fiscal e retomar o crescimento econ\u00f4mico era louv\u00e1vel. Mas a demora para apresentar resultados fez a ficha cair. Levy n\u00e3o conseguiu imprimir seu ritmo no governo nem obteve o apoio necess\u00e1rio do Congresso para levar adiante propostas que poderiam dar uma cara menos ruim \u00e0s contas p\u00fablicas. <\/p>\n<p>\u201cFoi uma decep\u00e7\u00e3o atr\u00e1s da outra\u201d, admite Renato Nobile, presidente do Bullmark Financial Group. Ele ressalta que hoje, na \u00f3tica dos investidores, Levy n\u00e3o \u00e9 mais visto como um homem de mercado, que daria rumo \u00e0 economia, nem como um integrante poderoso do governo. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um homem do PMDB nem do PT, os dois principais partidos da base aliada. \u201cEle n\u00e3o demostra nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica. E, pior, o que se v\u00ea \u00e9 a presidente Dilma dando cada vez mais as cartas na economia. A redu\u00e7\u00e3o das metas de superavit prim\u00e1rio foi decis\u00e3o dela, e n\u00e3o contou com o aval do ministro da Fazenda\u201d, acrescenta. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da S&amp;P, se Levy sair hoje da Fazenda n\u00e3o ser\u00e1 nenhum trauma. O importante para quem est\u00e1 no cargo \u00e9 entregar o que prometeu, seja quem for. \u00c9 isso o que importa para a ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco, que o Brasil fa\u00e7a superavits prim\u00e1rios consistentes para evitar que o endividamento do pa\u00eds dispare. A perspectiva \u00e9 de que, com as metas fiscais definidas pelo governo \u2014 0,15% do PIB neste ano; 0,7% em 2016; 1,3% em 2017; e 2% em 2018 \u2014 a d\u00edvida bruta saltar\u00e1 de 62% para 70% do PIB, ou seja, em vez de melhorar, os indicadores fiscais do pa\u00eds v\u00e3o piorar, e muito. <\/p>\n<p><b>Banco de reserva<\/b> <\/p>\n<p>Levy n\u00e3o foi a primeira op\u00e7\u00e3o de Dilma para a Fazenda. Foi a que sobrou depois de ela sondar nomes do primeiro time do mercado financeiro, como o do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. O ministro nem era um nome muito conhecido, apesar da compet\u00eancia reconhecida pelo que fez nos cargos que havia ocupado em v\u00e1rios governos. Mas, como os investidores precisavam se apegar a alguma coisa, ao ser o escolhido pela presidente para suceder Guido Mantega, acabou se tornando o fiador da pol\u00edtica econ\u00f4mica do segundo mandato da petista. <\/p>\n<p>Apesar da decep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 torcida para a sa\u00edda de Levy do governo. Ruim com ele, pior sem ele. A sensa\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 a de que o ministro n\u00e3o conseguir\u00e1 entregar tudo o que prometeu. E o pr\u00eamio que receber\u00e1 ser\u00e1 o rebaixamento do Brasil ao grupo de pa\u00edses especulativos. Certamente, n\u00e3o passava pela cabe\u00e7a dele dar um passo t\u00e3o grande para tr\u00e1s. <\/p>\n<p>N\u00e3o precisa ser nenhum expert em economia para saber o que ocorrer\u00e1 se o pa\u00eds perder o selo de bom pagador. A recess\u00e3o, que j\u00e1 est\u00e1 pesada, se aprofundar\u00e1, o desemprego disparar\u00e1 e a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o dar\u00e1 tr\u00e9gua. Que triste legado, Levy! <\/p>\n<p><b>Bolha do cr\u00e9dito<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Economista-chefe para mercados emergentes da consultoria brit\u00e2nica Capital Economics, Neil Shearing prev\u00ea que a economia brasileira poder\u00e1 enfrentar uma nova crise, desta vez com a \u201ca desacelera\u00e7\u00e3o da bolha de cr\u00e9dito, que est\u00e1 apenas come\u00e7ando\u201d.&nbsp; Para ele, haver\u00e1 estresse no sistema financeiro, com opera\u00e7\u00f5es de liquida\u00e7\u00e3o duvidosa podendo aumentar drasticamente. <\/p>\n<p><b>Tombo real<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Na avalia\u00e7\u00e3o de Shearing, \u201co ar da bolha de cr\u00e9dito est\u00e1 esvaziando\u201d e ajudando a derrubar o crescimento do Brasil. O ritmo de avan\u00e7o dos empr\u00e9stimos e financiamentos caiu de um pico de 26,9% ao ano para apenas 7,6% em maio \u00faltimo. Como a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 acima de 9%, em termos reais, o cr\u00e9dito encolheu. <\/p>\n<p><b>Colapso nos financiamentos<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Shearing ressalta que os financiamentos para a compra de carros entraram em colapso, o que explica o p\u00e9ssimo momento do setor automotivo. A grande surpresa, diz ele, \u00e9 que, mesmo com o enfraquecimento do cr\u00e9dito imobili\u00e1rio, o setor ainda n\u00e3o sofreu queda semelhante. \u201cConsiderando que os or\u00e7amentos familiares est\u00e3o sobrecarregados, suspeitamos que isso \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo\u201d, avisa. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 08h10min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A adora\u00e7\u00e3o que o mercado financeiro sempre demonstrou em rela\u00e7\u00e3o ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, come\u00e7ou a se transformar em decep\u00e7\u00e3o. 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