{"id":152,"date":"2015-07-30T07:30:00","date_gmt":"2015-07-30T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/aposta_agora_e_quando_juros_vao_cair\/"},"modified":"2015-07-30T07:30:00","modified_gmt":"2015-07-30T10:30:00","slug":"aposta_agora_e_quando_juros_vao_cair","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/aposta_agora_e_quando_juros_vao_cair\/","title":{"rendered":"APOSTA, AGORA, \u00c9 QUANDO JUROS V\u00c3O CAIR"},"content":{"rendered":"\n<p>A economia brasileira ter\u00e1, neste ano, o pior desempenho desde 1990. As proje\u00e7\u00f5es j\u00e1 apontam para queda de at\u00e9 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), consolidando todo o desastre do governo Dilma Rousseff. Mesmo com esse tombo, a infla\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m resistente, pode passar de 10% caso o d\u00f3lar insista na trajet\u00f3ria altista. Essa combina\u00e7\u00e3o perversa, de recess\u00e3o e infla\u00e7\u00e3o, est\u00e1 levando o desemprego para n\u00edveis assustadores. N\u00e3o h\u00e1 perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da atividade. Talvez, em meados de 2017, o pa\u00eds comece a dar os primeiros sinais de que saiu do atoleiro. Isso, \u00e9 claro, se Dilma mantiver o ju\u00edzo e adotar, de vez, uma pol\u00edtica econ\u00f4mica respons\u00e1vel. <\/p>\n<p>Esse quadro devastador n\u00e3o impediu o Banco Central de, mais uma vez, aumentar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), para 14,25% ao ano. Desde o piso alcan\u00e7ado pela Selic, de 7,25%, que vigorou por apenas seis meses, entre outubro de 2012 e abril de 2013, os juros subiram 7 pontos percentuais, um choque inacredit\u00e1vel para a atividade. O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) avisou que o arrocho est\u00e1 conclu\u00eddo. Diante desse recado expl\u00edcito, os analistas j\u00e1 come\u00e7aram a contagem regressiva para a redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica. <\/p>\n<p>At\u00e9 o fim do an\u00fancio do ciclo de alta, as apostas eram de que os cortes na Selic come\u00e7ariam a partir do segundo trimestre de 2016, quando, por efeito estat\u00edstico, a infla\u00e7\u00e3o mostrar\u00e1 um tombo. Agora, uma leva de especialistas come\u00e7a a cogitar a possibilidade de os juros baixarem ainda no fim deste ano, dada a gravidade do quadro econ\u00f4mico. O que se ver\u00e1 daqui por diante \u00e9 um filme de terror. O desemprego vai disparar, o calote nos empr\u00e9stimos e financiamentos dar\u00e1 um salto expressivo e o estouro da bolha de cr\u00e9dito tender\u00e1 a espalhar o p\u00e2nico. <\/p>\n<p>Entre os banqueiros, o clima \u00e9 de total apreens\u00e3o. A ordem foi ampliar o m\u00e1ximo poss\u00edvel as provis\u00f5es para cr\u00e9dito de liquida\u00e7\u00e3o duvidosa. A torneira de empr\u00e9stimos praticamente fechou. Empresas do setor imobili\u00e1rio est\u00e3o tendo todos os pedidos de financiamento negados. Teme-se que o setor repita o colapso registrado no ramo automobil\u00edstico. Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria relevante se as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito n\u00e3o representassem hoje quase 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Os mais pessimistas falam em um poss\u00edvel estouro de bolha semelhante ao que se viu nos Estados Unidos em 2008. <\/p>\n<p>Quadro tenebroso <\/p>\n<p>As perspectivas para o emprego s\u00e3o tenebrosas. Al\u00e9m do fechamento de vagas, haver\u00e1 forte queda nos sal\u00e1rios. Para se tornar competitivo, o setor produtivo ter\u00e1 de cortar o m\u00e1ximo de custos, e a m\u00e3o de obra representa hoje um peso enorme no or\u00e7amento das companhias. Sem emprego, muitos ter\u00e3o que suspender o pagamento de parcelas de carros e im\u00f3veis. O calote s\u00f3 n\u00e3o disparou ainda porque muitos trabalhadores demitidos recorreram ao seguro-desemprego. Mas como esse benef\u00edcio t\u00eam prazo de validade e a recoloca\u00e7\u00e3o no mercado est\u00e1 dif\u00edcil, os consumidores ser\u00e3o obrigados a deixar de honrar os compromissos em dia. <\/p>\n<p>Mesmo os bancos p\u00fablicos, que vinham sustentando o cr\u00e9dito, j\u00e1 pisaram fundo no freio. Somente opera\u00e7\u00f5es com muitas garantia est\u00e3o sendo aprovadas. Linhas de empr\u00e9stimos que os consumidores tinham dispon\u00edveis foram fechadas ou reduzidas drasticamente. \u201cO momento \u00e9 de se recolher. O que estamos vendo pela frente \u00e9 um baque profundo da atividade, com o desemprego podendo chegar a dois d\u00edgitos ainda no fim deste ano\u201d, diz um executivo de uma das institui\u00e7\u00f5es controladas pelo Tesouro Nacional. <\/p>\n<p>Para tentar reverter esse quadro, uma das sa\u00eddas ser\u00e1 o BC come\u00e7ar a cortar juros o mais cedo poss\u00edvel. A institui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 sabendo das press\u00f5es que vir\u00e3o pela frente, dada a profundidade da recess\u00e3o, avisou que a taxa de 14,25% ao ano ser\u00e1 mantida nesse patamar por um per\u00edodo prolongado. Mas ningu\u00e9m descarta um cavalo de pau na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria, como o que se viu no fim de agosto de 2011, quando o Copom surpreendeu quase 100% dos analistas e reduziu subitamente a Selic em 0,50 ponto, para 12%. <\/p>\n<p>O problema foi que, a partir daquele momento, a credibilidade do BC come\u00e7ou a ruir. A autoridade monet\u00e1ria deu in\u00edcio ao mais longo ciclo de queda de juros que o Brasil j\u00e1 registrou &#8211; foram 5,25 pontos, at\u00e9 7,25% ao ano -, mesmo com a infla\u00e7\u00e3o em alta, mantendo-se sistematicamente pr\u00f3xima ou acima do teto da meta, de 6,5%. Essa queda na taxa b\u00e1sica foi vista como um trof\u00e9u pol\u00edtico que o BC quis entregar para a presidente Dilma, que estava imbu\u00edda de levar os juros ao menor patamar da hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>Naquele momento, a economia se mostrava ainda forte. Vinha de uma expans\u00e3o de 7,6%. Agora, o cen\u00e1rio \u00e9 completamente outro. A atividade est\u00e1 encolhendo numa velocidade muito r\u00e1pida, mas com infla\u00e7\u00e3o alta e, pior, com o risco de o Brasil ser rebaixado para o grupo de pa\u00edses especulativos. O BC sabe que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil a sua vida daqui por diante. Mas tamb\u00e9m tem a no\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 pagando pelos erros que cometeu. Tomara que, daqui por diante, n\u00e3o se meta em aventuras. Um deslize a mais custar\u00e1 anos e anos de sofrimento. <\/p>\n<p>Clima de apreens\u00e3o <\/p>\n<p>\u00bb Governo e analistas ficaram at\u00f4nitos com a decis\u00e3o do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Tony Volpon, de n\u00e3o participar da reuni\u00e3o de ontem do Copom. O Pal\u00e1cio do Planalto est\u00e1 preocupado com a extens\u00e3o do caso. A ordem \u00e9 acompanhar com lupa o desenrolar do mercado financeiro hoje. <\/p>\n<p>Jos\u00e9 Serra, o bicho-pap\u00e3o <\/p>\n<p>\u00bb Alexandre Tombini, presidente do BC, demonstrou total apoio a Volpon. Mas h\u00e1 um temor dentro do banco sobre as repercuss\u00f5es pol\u00edticas do fato in\u00e9dito de um diretor ficar de fora do Copom. O bicho-pap\u00e3o se chama Jos\u00e9 Serra, que est\u00e1 disposto a fazer barulho. O senador pelo PSDB j\u00e1 avisou que convocar\u00e1 Volpon para explicar, no Senado, uma poss\u00edvel antecipa\u00e7\u00e3o de voto. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 07h30min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A economia brasileira ter\u00e1, neste ano, o pior desempenho desde 1990. As proje\u00e7\u00f5es j\u00e1 apontam para queda de at\u00e9 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), consolidando todo o desastre do governo Dilma Rousseff. Mesmo com esse tombo, a infla\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m resistente, pode passar de 10% caso o d\u00f3lar insista na trajet\u00f3ria altista. 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