{"id":153,"date":"2015-07-31T13:12:00","date_gmt":"2015-07-31T16:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pendurados_no_tesouro\/"},"modified":"2015-07-31T13:12:00","modified_gmt":"2015-07-31T16:12:00","slug":"pendurados_no_tesouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pendurados_no_tesouro\/","title":{"rendered":"PENDURADOS NO TESOURO"},"content":{"rendered":"\n<p>O desejo do governo de retirar do papel o projeto de concess\u00f5es de  infraestrutura pode se transformar em uma grande frustra\u00e7\u00e3o diante da  nova alta da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) para 14,25% ao ano.  Especialistas que v\u00eam trabalhando na estrutura\u00e7\u00e3o de projetos garantem  que, com a Selic nesse patamar, n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 empreendimento que possa se  tornar vi\u00e1vel, sobretudo com o pa\u00eds mergulhado em uma profunda recess\u00e3o  e numa crise pol\u00edtica que s\u00f3 tende a se agravar. <\/p>\n<p>O discurso  entre os potenciais investidores \u00e9 um s\u00f3: \u00e9 melhor ficar na seguran\u00e7a  dos t\u00edtulos do Tesouro Nacional do que correr riscos de entrar em barcas  furadas. No entender dos dono do dinheiro, apesar das promessas do  governo de que as concess\u00f5es ser\u00e3o rent\u00e1veis, h\u00e1 uma desconfian\u00e7a  generalizada em rela\u00e7\u00e3o ao compromisso dos agentes p\u00fablicos de fixarem  regras est\u00e1veis e transparentes, que n\u00e3o ser\u00e3o mudadas no meio do  caminho de acordo com os interesses do Pal\u00e1cio do Planalto. <\/p>\n<p>Um  projeto de infraestrutura demora, em m\u00e9dia, dois anos para ser  estruturado. Como tudo est\u00e1 parado, n\u00e3o h\u00e1 chance de nada sair at\u00e9 o fim  de 2016. Os investidores ressaltam ainda que as taxas de remunera\u00e7\u00e3o  das concess\u00f5es indicadas at\u00e9 agora pelo governo, entre 9% e 10% ao ano,  n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para mexer com o apetite do capital. No m\u00ednimo, o  retorno das concess\u00f5es ter\u00e1 de ser de quatro pontos percentuais acima da  infla\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 caminhando para os 10%. <\/p>\n<p>Nem mesmo os  investidores estrangeiros t\u00eam se movimentado para entrar no bonde das  concess\u00f5es de rodovias, portos, ferrovias e aeroportos. Alegam que, a  despeito de as taxas de juros em seus pa\u00edses de origem estarem pr\u00f3ximas  de zero, sentem-se desconfort\u00e1veis com o momento pol\u00edtico e econ\u00f4mico do  Brasil. Entre os investidores, muitos apostam no afastamento da  presidente Dilma Rousseff do poder, seja por ren\u00fancia, seja pelo  impeachment. Temem que o pa\u00eds mergulhe no caos se a ruptura pol\u00edtica for  traum\u00e1tica. <\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dos investidores, o Brasil se tornou um  pa\u00eds de elevado risco. Nada do que \u00e9 prometido pelo governo \u00e9 colocado  em pr\u00e1tica. As regras continuam mudando no meio do jogo. O caso mais  recente, lembram, foi o das metas fiscais. O superavit prim\u00e1rio  prometido para este ano caiu de 1,13% para 0,15% do Produto Interno  Bruto (PIB). O ajuste que poderia ser um passo importante para resgatar a  confian\u00e7a est\u00e1 ficando apenas no discurso. <\/p>\n<p>Descompasso <\/p>\n<p>Para o  economista Roberto Luiz Troster, a confian\u00e7a no pa\u00eds n\u00e3o voltar\u00e1  enquanto o Pal\u00e1cio do Planalto continuar emitido sinais difusos. No  mesmo dia em que o Minist\u00e9rio do Planejamento anunciou cortes adicionais  de R$ 1,2 bilh\u00e3o na sa\u00fade e de R$ 1 bilh\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, o Planalto  divulgou a libera\u00e7\u00e3o de R$ 4,9 bilh\u00f5es em emendas parlamentares para  tentar acalmar os \u00e2nimos na volta do recesso do Congresso. <\/p>\n<p>\u201cA  sensa\u00e7\u00e3o que se tem \u00e9 a de que o governo administra um Brasil  conveniente para Bras\u00edlia e n\u00e3o um Brasil conveniente para o Brasil\u201d,  diz Troster. \u201c\u00c9 por isso que ningu\u00e9m acredita em um ajuste profundo das  contas p\u00fablicas. Dilma falou em mudan\u00e7as, mas continua com pr\u00e1ticas do  governo anterior, que levou o pa\u00eds para o buraco\u201d, acrescenta. A  tend\u00eancia, acredita o economista, \u00e9 de o Brasil continuar mergulhado em  um c\u00edrculo vicioso, que combina desemprego alto, os maiores juros do  mundo, infla\u00e7\u00e3o acima do desej\u00e1vel e crescimento p\u00edfio. <\/p>\n<p>Nesse  contexto, \u00e9 fac\u00edlimo entender o porqu\u00ea de os empres\u00e1rios, que deveriam  estar investindo em infraestrutura e no aumento da produ\u00e7\u00e3o, est\u00e3o  preferindo ficar pendurados em t\u00edtulos do governo. Com juros de 14,25%  ao ano, acreditam que est\u00e3o se protegendo de qualquer malef\u00edcio que  possa vir da economia. Os lucros est\u00e3o garantidos. <\/p>\n<p>Prote\u00e7\u00e3o de R$ 157 bi <\/p>\n<p>\u00bb Os bancos j\u00e1 separaram  em seus balan\u00e7os R$ 157 bilh\u00f5es para cobrir perdas com calotes da  clientela. A apreens\u00e3o \u00e9 grande, por causa da disparada do desemprego <\/p>\n<p>Calotes no cart\u00e3o&nbsp;\u00bb  A inadimpl\u00eancia das pessoas f\u00edsicas no cart\u00e3o de cr\u00e9dito voltou a  disparar. Atingiu, em junho, 36,9%, o n\u00edvel mais alto do ano. <\/p>\n<p>Saldo no vermelho <\/p>\n<p> \u00bb  O saldo dos empr\u00e9stimos concedidos pelos bancos privados j\u00e1 est\u00e1  negativo em 1% no ano. Pisaram com tudo na libera\u00e7\u00e3o de recursos. <\/p>\n<p>Nordeste encolhe <\/p>\n<p> \u00bb  Por regi\u00e3o, o maior tombo no saldo de empr\u00e9stimos e financiamento est\u00e1  no Nordeste, com contra\u00e7\u00e3o de 1,9% nas opera\u00e7\u00f5es com pessoas f\u00edsicas. <\/p>\n<p>Bras\u00edia, 13h15min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desejo do governo de retirar do papel o projeto de concess\u00f5es de infraestrutura pode se transformar em uma grande frustra\u00e7\u00e3o diante da nova alta da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) para 14,25% ao ano. 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