{"id":154,"date":"2015-08-01T00:10:00","date_gmt":"2015-08-01T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/um_susto_atras_do_outro\/"},"modified":"2015-08-01T00:10:00","modified_gmt":"2015-08-01T03:10:00","slug":"um_susto_atras_do_outro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/um_susto_atras_do_outro\/","title":{"rendered":"UM SUSTO ATR\u00c1S DO OUTRO"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum exagero quando se diz que o Brasil est\u00e1 vivendo um filme  de terror. Basta uma olhada mais profunda nas contas p\u00fablicas para se  assustar com os n\u00fameros. S\u00e3o caracter\u00edsticos de um pa\u00eds \u00e0 beira do  colapso fiscal. Quando se levam em considera\u00e7\u00e3o os gastos com juros, o  rombo nas finan\u00e7as do pa\u00eds chega a 8,12% do Produto Interno Bruto (PIB).  Nos primeiros seis meses do ano, a d\u00edvida bruta saltou de 58,9% para  63% do PIB, um aumento m\u00e9dio mensal de 0,5 ponto percentual, eleva\u00e7\u00e3o  que se repetiu em julho, j\u00e1 avisou o Banco Central. <\/p>\n<p>Diante desse  retrato aterrorizante, n\u00e3o h\u00e1 como o Brasil escapar da perda do grau de  investimentos. Desde que o pa\u00eds come\u00e7ou a fazer ajuste fiscal, em 1997,  n\u00e3o se viu uma deteriora\u00e7\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pida das contas p\u00fablicas em t\u00e3o curto  espa\u00e7o de tempo. Em sua defesa, a equipe econ\u00f4mica alega que os n\u00fameros  atuais refletem a limpeza das manobras cont\u00e1beis que prevaleceram no  primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. S\u00e3o esqueletos retirados \u00e0  for\u00e7a do arm\u00e1rio. Essa, por\u00e9m, \u00e9 apenas uma parte da realidade. O  governo continua gastando muito \u2014 e mal. <\/p>\n<p>Se volt\u00e1ssemos ao in\u00edcio  do governo Dilma, em 2011, n\u00f3s nos deparar\u00edamos com a promessa do ent\u00e3o  ministro da Fazenda, Guido Mantega, de zerar o deficit nominal do pa\u00eds  quatro anos depois. Naquele per\u00edodo, o buraco nas finan\u00e7as p\u00fablicas  ainda n\u00e3o despertava tanta preocupa\u00e7\u00e3o. Estava em 2,6% do PIB, patamar  administr\u00e1vel para uma economia com um hist\u00f3rico de gastadora contumaz.  Agora, sabe-se que Mantega estava mentido e que ele deixou uma heran\u00e7a  maldita que fez o rombo nas contas do governo triplicar. <\/p>\n<p>O atual  ministro da Fazenda, Joaquim Levy, assumiu prometendo arrumar a casa. E  r\u00e1pido. Mas, como ressalta a economista Nat\u00e1lia Cotarelli, do Banco ABC  Brasil, Levy se preocupou muito mais em fazer o ajuste por meio do  aumento de receitas \u2014 mais impostos \u2014 do que pelo corte de gastos, o  mais recomend\u00e1vel. O problema \u00e9 que muitas das medidas que o ministro  prop\u00f4s depende do aval do Congresso. E mesmo que elas venham a ser  aprovadas, o que os especialistas consideram muito dif\u00edcil, diante da  fragilidade da base aliada de Dilma, o superavit prim\u00e1rio (economia para  o pagamento de juros) ser\u00e1, na melhor das hip\u00f3teses, de apenas 0,15% do  PIB. <\/p>\n<p>Nat\u00e1lia chama ainda a aten\u00e7\u00e3o para o c\u00edrculo vicioso que se  criou na quest\u00e3o fiscal. Para combater a infla\u00e7\u00e3o, o Banco Central vem  aumentando os juros \u2014 a taxa Selic est\u00e1 em14,25% ao ano. Esse movimento,  por\u00e9m, aumenta as despesas do Tesouro Nacional, que \u00e9 obrigado a emitir  mais t\u00edtulos, elevando a d\u00edvida p\u00fablica. O ideal seria que o governo  estivesse fazendo superavits prim\u00e1rios maiores para conter o impacto  provocado pelo BC, mas o que se v\u00ea \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. Por isso, o  espanto provocado pelas contas. <\/p>\n<p><b>Desastre<\/b> <\/p>\n<p>O filme de terror  vai al\u00e9m das finan\u00e7as do governo. Na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, o Instituto  Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostrar\u00e1 o comportamento  desastroso da ind\u00fastria. Se os c\u00e1lculos do economista-chefe do Banco  Santander, Maur\u00edcio Molan, estiverem corretos, a produ\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas  registrou, em junho, contra\u00e7\u00e3o de 0,9% ante maio e de 5,4% em rela\u00e7\u00e3o ao  mesmo per\u00edodo de 2014. Esse resultado decepcionante foi puxado pelo  setor automotivo, que encolheu 15,4% na compara\u00e7\u00e3o de junho de 2105 com o  mesmo m\u00eas do ano passado. <\/p>\n<p>Diante do desempenho da ind\u00fastria,  que, segundo Molan, tombou 2,4% no segundo trimestre do ano frente o  primeiro, o PIB de abril a junho foi ao fundo de po\u00e7o. Nas contas de  Luciano Rostagno, economista-chefe do Mizuho Bank, a retra\u00e7\u00e3o do Produto  pode ter chegado a 1,5%, taxa que, anualizada, atinge 6%, um tombo  espetacular que vai manchar ainda mais a imagem do governo \u2014 se isso for  poss\u00edvel. <\/p>\n<p>Como ep\u00edlogo da fita assustadora, o pa\u00eds vai se  deparar, na sexta-feira, com a infla\u00e7\u00e3o de julho. A expectativa \u00e9 de que  o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha ficado em 0,62%,  taxa elevada demais para o m\u00eas, quando costuma ficar bem pr\u00f3xima de  zero. Com isso, a carestia acumulada em 12 meses bater\u00e1 em 9,56%, n\u00edvel  sem precedentes desde 2003. A carestia foi puxada pelos alimentos e  pelos pre\u00e7os administrados, como os da energia el\u00e9trica e da telefonia  fixa. <\/p>\n<p>N\u00e3o custa lembrar que tantos n\u00fameros ruins v\u00e3o coincidir  com o fim do recesso do Congresso. A presidente Dilma tentou, nos  \u00faltimos dias, criar um clima mais positivo com parlamentares ao se  aproximar dos governadores. Mas quem conhece a fundo a din\u00e2mica da  C\u00e2mara e do Senado avisa: a petista viver\u00e1 um inferno. Com as  investiga\u00e7\u00f5es da Lava-Jato chegando mais perto dos pol\u00edticos, n\u00e3o haver\u00e1  tr\u00e9gua em rela\u00e7\u00e3o ao Pal\u00e1cio do Planalto. A guerra est\u00e1 declarada. <\/p>\n<p><b>Assistindo de camarote<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb  Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, n\u00e3o quer saber da  disputa declarada por poder entre os ministros da Fazenda, Joaquim Levy,  e do Planejamento, Nelson Barbosa. Tombini comentou com amigos que j\u00e1  tem problemas demais para resolver. <\/p>\n<p><b>Faca nos dentes<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb As  equipes de Levy e de Barbosa est\u00e3o com a faca nos dentes, como se diz na  linguagem popular, prontas para o confronto. No fim da tarde de  quinta-feira, quando a Fazenda e o Planejamento divulgaram n\u00fameros  divergentes sobre o corte do Or\u00e7amento, ouviram-se improp\u00e9rios dos dois  lados. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h10min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum exagero quando se diz que o Brasil est\u00e1 vivendo um filme de terror. Basta uma olhada mais profunda nas contas p\u00fablicas para se assustar com os n\u00fameros. S\u00e3o caracter\u00edsticos de um pa\u00eds \u00e0 beira do colapso fiscal. 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