{"id":15587,"date":"2020-09-02T10:49:21","date_gmt":"2020-09-02T13:49:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=15587"},"modified":"2020-09-02T22:32:53","modified_gmt":"2020-09-03T01:32:53","slug":"brasil-vera-uma-retomada-em-v-ou-um-voo-de-galinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/brasil-vera-uma-retomada-em-v-ou-um-voo-de-galinha\/","title":{"rendered":"Brasil ver\u00e1 uma retomada em V ou um voo de galinha?"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"font-weight: 400\">ROSANA HESSEL<\/span><\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2><span style=\"font-weight: 400\">O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem se mostrado mais otimista do que o normal quando o assunto \u00e9 a retomada da economia, o ponto de suas declara\u00e7\u00f5es destoarem dos fatos: o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do governo Jair Bolsonaro j\u00e1 \u00e9 o pior da hist\u00f3ria, em parte, devido \u00e0 pandemia de covid-19.\u00a0<\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nem mesmo os mais otimistas concordam com o ministro quando ele insiste em afirmar que a economia \u201cj\u00e1 est\u00e1 se recuperando em V\u201d no terceiro trimestre.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">O impulso de alguns indicadores antecedentes deste trimestre n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel. Al\u00e9m disso, a base de compara\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito baixa, o que atrapalha qualquer leitura de tend\u00eancia. Logo, h\u00e1 grande chance de essa subida que est\u00e1 sendo vista agora ser um mero \u201cvoo de galinha\u201d, ou seja, uma alta que n\u00e3o vai se manter por muito tempo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cOs n\u00fameros da ind\u00fastria de julho s\u00e3o melhores, mas o problema continua sendo a queda dram\u00e1tica dos servi\u00e7os, que sentem o maior impacto da crise. Os servi\u00e7os t\u00eam peso grande no PIB e respondem pela maior parcela do emprego. As pessoas n\u00e3o est\u00e3o voltando aos velhos h\u00e1bitos de consumo pr\u00e9-covid e, por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever uma retomada em V\u201d, diz o economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial. Para ele, em vez de um movimento em V, veremos uma curva parecida com a forma de uma raiz quadrada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>N\u00edveis pr\u00e9-crise s\u00f3 no fim de 2022<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pib-do-segundo-trimestre-desaba-97-e-brasil-entra-em-recessao-diz-ibge\/\">tombo de 9,7% do PIB<\/a> no segundo trimestre de 2020 em compara\u00e7\u00e3o com os tr\u00eas meses imediatamente anteriores foi pior do que a mediana das estimativas do mercado, e a queda foi a maior da hist\u00f3ria desde 1980.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Nem mesmo as afirma\u00e7\u00f5es de Guedes de que a economia estava decolando antes do \u201cmeteoro\u201d do coronav\u00edrus s\u00e3o cr\u00edveis. Basta olhar os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Ap\u00f3s a recess\u00e3o de 2015 e 2016, o PIB n\u00e3o teve for\u00e7a para crescer, continuou rodando em um ritmo de 1% ao longo dos quatro trimestres de 2019.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, analistas n\u00e3o hesitam em afirmar que o Brasil ainda vai demorar mais do que os <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/queda-do-pib-brasileiro-fica-proxima-da-media-global-diz-austin\/\">outros pa\u00edses<\/a> para retornar ao patamar pr\u00e9-crise devido \u00e0 baixa capacidade de crescimento do pa\u00eds. Com a queda de 9,7% no segundo trimestre de 2020, o PIB brasileiro voltou ao patamar de 2009. Com muita sorte, e considerando a manuten\u00e7\u00e3o do teto de gastos, a volta aos n\u00edveis de antes da pandemia s\u00f3 dever\u00e1 ocorrer no fim de 2022 pelas estimativas da Tend\u00eancias Consultoria. E olhe l\u00e1.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do PIB, as estimativas revisadas foram bastante contradit\u00f3rias. Algumas foram mantidas, umas, melhoraram, e outras, pioraram, como foi o caso do Goldman Sachs, que alterou de 5% para 5,4% a estimativa de queda neste ano. Alberto Ramos, diretor para a Am\u00e9rica Latina do banco norte-americano, aponta como um dos motivos da revis\u00e3o o efeito de carregamento estat\u00edstico do PIB do primeiro semestre, de retra\u00e7\u00e3o 9,1%. Ou seja, se a economia se mantiver no patamar do segundo trimestre at\u00e9 o fim do ano, os 5,4% de contra\u00e7\u00e3o s\u00e3o fact\u00edveis.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial vai pesar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale diz que, apesar de revisar de 5,3% para 4,8% a proje\u00e7\u00e3o de queda do PIB, n\u00e3o acredita em retomada em V, pois manteve em 2,2% a previs\u00e3o de crescimento do PIB em 2021. \u201cRetomada em V s\u00f3 nos indicadores de confian\u00e7a. Vai levar tempo para\u00a0 a economia se recuperar por causa dos servi\u00e7os\u201d, destaca.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Vale reconhece que o aux\u00edlio emergencial de R$ 600 ajudou a evitar uma queda maior no PIB no segundo trimestre. Uma simula\u00e7\u00e3o feita por ele indica que, em vez de a retra\u00e7\u00e3o ter sido de 11,4% na compara\u00e7\u00e3o com o segundo trimestre de 2019, o tombo seria de 18,2% sem o benef\u00edcio. Vale ainda fez um alerta para a piora da distribui\u00e7\u00e3o de renda no ano que vem, devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial \u00e0 metade, para R$ 300, a partir do ano que vem com o Renda Brasil, substituto do Bolsa Fam\u00edlia. Ele tamb\u00e9m aponta piora no mercado de trabalho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na avalia\u00e7\u00e3o da economista Monica de Bolle, pesquisadora s\u00eanior do Peterson Institute for International Economics, de Washington, essas diverg\u00eancias de previs\u00f5es ocorrem porque os modelos econom\u00e9tricos n\u00e3o est\u00e3o conseguindo simular o que est\u00e1 acontecendo com a economia devido \u00e0 pandemia. Os resultados do PIB, segundo ela, s\u00e3o consequ\u00eancias diretas da condu\u00e7\u00e3o das medidas equivocadas de combate \u00e0 doen\u00e7a na \u00e1rea de sa\u00fade. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dissociar a sa\u00fade da economia. Os dados do PIB n\u00e3o podem piorar, porque a pandemia est\u00e1 em curso e descontrolada. Logo, retornar ao patamar pr\u00e9-crise ainda n\u00e3o d\u00e1 para prever, mas, certamente, vai demorar muito\u201d, avalia M\u00f4nica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ela lembra<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0que o pico de cont\u00e1gio da pandemia de covid-19 no Brasil estendeu-se por um per\u00edodo muito mais extenso do que em outros pa\u00edses, pois o governo federal n\u00e3o apoiou medidas de governadores para quarentenas mais duras logo na chegada do novo coronav\u00edrus ao pa\u00eds. Pior: incentivou as pessoas a circularem normalmente, porque classificou a doen\u00e7a como uma \u201cgripezinha\u201d.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">O quadro apontado por ela para a economia brasileira \u00e9 de uma depress\u00e3o econ\u00f4mica, com quebradeira de empresas pela frente, especialmente, por causa da demora para a libera\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos \u00e0s micro e pequenas empresas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mergulho na depress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na vis\u00e3o de Monica, o rombo atual e crescente das contas p\u00fablicas poderia ter sido evitado se o confinamento tivesse sido mais duro no in\u00edcio da pandemia, como ocorreu em pa\u00edses como a Coreia do Sul. Daqui para frente, enquanto n\u00e3o houver uma vacina contra a covid-19, o Brasil ter\u00e1 que conviver com idas e vindas da pandemia, como j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo em v\u00e1rias regi\u00f5es da Europa. Por isso, o pa\u00eds pagar\u00e1 caro , inclusive, por meio de um programa de renda b\u00e1sica mais amplo para continuar evitando tombos ainda maiores na atividade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Diante dessa realidade, acredita a economista, as proje\u00e7\u00f5es de queda do PIB abaixo de 5% n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis e devem ser revistas quando o voo de galinha se confirmar e os dados do quarto trimestre apresentaram recuo em rela\u00e7\u00e3o ao anterior.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"> Pelas contas dela, para que o PIB registre queda de 4,7% neste ano, conforme as estimativas do Minist\u00e9rio da Economia, ser\u00e1 preciso que a economia avance 5% a 6% no terceiro e no quarto trimestres, respectivamente. \u201cIsso n\u00e3o vai acontecer\u201d, aposta. Monica admite que h\u00e1 chances de o PIB encolher de 7% a 8% neste ano, mas mant\u00e9m sua proje\u00e7\u00e3o de retra\u00e7\u00e3o de 9% a 10%.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Alessandra Ribeiro, s\u00f3cia da Tend\u00eancias, adianta que est\u00e1 revendo de 7,3% para 6% a estimativa de queda do PIB neste ano e tamb\u00e9m n\u00e3o consegue enxergar tombo menor do que esse patamar, especialmente, porque esse cen\u00e1rio considera a manuten\u00e7\u00e3o do teto de gastos. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO n\u00edvel de incerteza ainda \u00e9 muito elevado, e n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de retomada forte do consumo. Tamb\u00e9m n\u00e3o sabemos o verdadeiro impacto nas pequenas e m\u00e9dias empresas e quantas v\u00e3o conseguir sobreviver ao baque da pandemia. Logo, o processo de recupera\u00e7\u00e3o no segmento de servi\u00e7os, em que essas empresas s\u00e3o a maioria, dever\u00e1 ser demorado\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade comprometeu economia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da economista Silva Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Ibre-FGV), o resultado do PIB do segundo trimestre, apesar de ter apresentado diverg\u00eancias com as previs\u00f5es mais otimistas, n\u00e3o fez com que o instituto revisasse a estimativa de queda de 5,4% neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Nossa vis\u00e3o \u00e9 de que o segundo semestre dever\u00e1 ser melhor do que o primeiro, mas uma normaliza\u00e7\u00e3o do setor de servi\u00e7os, que gera muito emprego informal, n\u00e3o deve ser acelerada. O que temos novamente s\u00e3o novos e velhos problemas, com os investimentos em n\u00edveis muito baixos devido \u00e0 baixa produtividade. \u00c9 preciso uma previs\u00e3o mais positiva sobre reformas estruturais, mas n\u00e3o estamos vendo isso&#8221;, pontua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Monica de Bolle, por sua vez, critica a busca de rem\u00e9dios que foram utilizados em crises anteriores. &#8220;A recess\u00e3o atual \u00e9 diferente e vai exigir mais criatividade do governo e da sua equipe na busca de solu\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma.\u00a0 O fato, na avalia\u00e7\u00e3o dela, \u00e9 que &#8220;o Brasil perdeu na sa\u00fade e na economia&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 10h49min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem se mostrado mais otimista do que o normal quando o assunto \u00e9 a retomada da economia, o ponto de suas declara\u00e7\u00f5es destoarem dos fatos: o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do governo Jair Bolsonaro j\u00e1 \u00e9 o pior da hist\u00f3ria, em parte, devido \u00e0 pandemia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":11785,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[589,58,112,4887,4886],"class_list":["post-15587","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-economia","tag-pib","tag-retomada","tag-retomada-em-v","tag-voo-de-galinha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15587"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15587\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15602,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15587\/revisions\/15602"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}