{"id":156,"date":"2015-08-05T10:10:00","date_gmt":"2015-08-05T13:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pais_das_aberracoes\/"},"modified":"2015-08-05T10:10:00","modified_gmt":"2015-08-05T13:10:00","slug":"pais_das_aberracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pais_das_aberracoes\/","title":{"rendered":"PA\u00cdS DAS ABERRA\u00c7\u00d5ES"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil se tornou o pa\u00eds das aberra\u00e7\u00f5es. A come\u00e7ar pelos juros. N\u00e3o bastasse o Banco Central ter elevado a taxa b\u00e1sica da economia (Selic) para 14,25% ao ano, o n\u00edvel mais alto desde 2006, parte do mercado financeiro voltou a cogitar a possibilidade de o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) promover novo aumento em setembro pr\u00f3ximo. Motivo: enfrentar a press\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o provocada pela disparada do d\u00f3lar. O aumento da Selic, destacam os analistas, deve ser de pelo menos 0,25 ponto percentual, independentemente de o Produto Interno Bruto (PIB) estar se decompondo, podendo fechar 2015 com queda de 3%, algo sem precedente em um quarto de s\u00e9culo. <\/p>\n<p>Levantamento realizado pelo Ita\u00fa Unibanco mostra o quanto o Brasil est\u00e1 distante da realidade mundial quando o assunto s\u00e3 os juros. Em julho, de 31 na\u00e7\u00f5es analisadas pela institui\u00e7\u00e3o, somente o pa\u00eds e a \u00c1frica do Sul elevaram as taxas que servem de par\u00e2metro para a forma\u00e7\u00e3o do custo do dinheiro. Cinco promoveram cortes nos juros \u2014 Su\u00e9cia, Canad\u00e1, Hungria, Nova Zel\u00e2ndia e R\u00fassia \u2014 e o restante manteve a pol\u00edtica monet\u00e1ria inalterada. <\/p>\n<p>Segundo os economistas do Ita\u00fa, desde o fim do ano passado, nenhum pa\u00eds manteve uma postura t\u00e3o contracionista quanto o Brasil. Todo esse arrocho tem explica\u00e7\u00e3o. Durante os primeiros quatro anos do governo Dilma Rousseff, o BC de Alexandre Tombini menosprezou a for\u00e7a da infla\u00e7\u00e3o. Mesmo com os reajustes se disseminando, a op\u00e7\u00e3o foi por uma postura mais amena na condu\u00e7\u00e3o da Selic. A autoridade monet\u00e1ria chegou ao ponto de levar a taxa b\u00e1sica para 7,25% ao ano, mesmo com o custo de vida se mantendo muito distante do centro da meta inflacion\u00e1ria, de 4,5%, que deveria perseguir. <\/p>\n<p>O BC s\u00f3 come\u00e7ou a falar grosso em outubro do ano passado, depois que as urnas confirmaram o segundo mandato de Dilma. Mas j\u00e1 era tarde. Tanto que a institui\u00e7\u00e3o teve que adicionar \u00e0 Selic a necessidade de recompor sua credibilidade. Se o BC n\u00e3o tivesse cedido \u00e0s press\u00f5es pol\u00edticas e agido quando era necess\u00e1rio, certamente os juros estariam em n\u00edveis bem menores hoje, talvez at\u00e9 caindo, para animar a atividade.<b> <\/p>\n<p>Perda de mandato<\/b> <\/p>\n<p>A aberra\u00e7\u00e3o da Selic provoca outras distor\u00e7\u00f5es, como os juros cobrados dos consumidores. N\u00e3o h\u00e1, pelo menos em economias civilizadas, not\u00edcias sobre taxas de 372% ao ano no cart\u00e3o de cr\u00e9dito nem de 241% no cheque especial. Com encargos nesses patamares, \u00e9 imposs\u00edvel se falar em recupera\u00e7\u00e3o do consumo das fam\u00edlias. O natural \u00e9 esperar uma explos\u00e3o da inadimpl\u00eancia, uma vez que a infla\u00e7\u00e3o persistentemente alta corroeu o poder de compra e o desemprego voltou com tudo. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Enquanto o mundo d\u00e1 claros sinais de recupera\u00e7\u00e3o \u2014 a perspectiva \u00e9 de avan\u00e7o m\u00e9dio de 3,3% neste ano \u2014, a atividade no pa\u00eds derrete. Das maiores economias do planeta, somente o Brasil e a R\u00fassia, que sofre por causa de um forte embargo imposto pelos Estados Unidos e a Europa, ter\u00e3o retra\u00e7\u00e3o em 2015. Quando o quadro se restringe \u00e0 Am\u00e9rica Latina, apenas duas economias contabilizar\u00e3o queda: a brasileira e a venezuelana. <\/p>\n<p>Esse \u00e9 o retrato das maluquices que Dilma cometeu no primeiro mandato. Achando que poderia reinventar a roda, a petista recorreu \u00e0 tal nova matriz econ\u00f4mica, que se mostrou um verdadeiro desastre com suas pedaladas e manobras fiscais. O estrago foi t\u00e3o grande que, mesmo a presidente dizendo que mudou, que agora defende ajuste fiscal e combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m acredita nela. Tornou-se sin\u00f4nimo de descr\u00e9dito, o que s\u00f3 agrava o quadro atual. <\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o mais dram\u00e1tica de tudo isso \u00e9 que a n\u00e3o h\u00e1 revers\u00e3o \u00e0 vista. E a situa\u00e7\u00e3o ainda pode piorar, com Dilma correndo o risco de perder o mandato. O Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) est\u00e1 pr\u00f3ximo de dar um parecer negativo \u00e0s contas da presidente de 2014. J\u00e1 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgar\u00e1 se as campanhas da presidente foram financiadas com dinheiro oriundo da roubalheira na Petrobras. <\/p>\n<p>Definitivamente, esse Brasil nada tem a ver com o pa\u00eds que sonhamos para nossos filhos. <\/p>\n<p><b>Fiscaliza\u00e7\u00e3o mais frouxa<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A \u00e1rea de fiscaliza\u00e7\u00e3o do Banco Central vai de mal a pior. Todo o sistema financeiro est\u00e1 sendo acompanhado a dist\u00e2ncia. Os fiscais se recusam a bancar viagens com recursos pr\u00f3prios. <\/p>\n<p><b>Febraban investiga bancos<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban) abriu 18 averigua\u00e7\u00f5es para investigar problemas em institui\u00e7\u00f5es, sobretudo em atendimento nas ag\u00eancias, filas em excesso, saques questionados e contratos falhos. <\/p>\n<p><b>Processo de autorregula\u00e7\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb As averigua\u00e7\u00f5es fazem parte do processo de autorregula\u00e7\u00e3o adotado pela Febraban com o objetivo de olhar mais para os clientes, que n\u00e3o se cansam de reclamar dos bancos. <\/p>\n<p><b>Multas e suspens\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Abertos os processos disciplinares e constatados os problemas, a Febraban pode advertir, multar e at\u00e9 suspender as institui\u00e7\u00f5es do sistema de autorregula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 10h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil se tornou o pa\u00eds das aberra\u00e7\u00f5es. 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