{"id":16,"date":"2015-01-18T19:54:00","date_gmt":"2015-01-18T21:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/um_pais_de_ressaca\/"},"modified":"2015-01-18T19:54:00","modified_gmt":"2015-01-18T21:54:00","slug":"um_pais_de_ressaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/um_pais_de_ressaca\/","title":{"rendered":"UM PA\u00cdS DE RESSACA"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/23d74a94a928d4b281c180ce33d3b9ec.jpg\"> <\/p>\n<p><b>&gt;&gt; DIEGO AMORIM<\/b> <\/p>\n<p>De gole em gole, o Brasil se embriaga e se afunda em uma ressaca que tem durado mais do que a manh\u00e3 de segunda-feira. Por ano, com base em estat\u00edsticas oficiais e pesquisas cient\u00edficas, estima-se que o pa\u00eds perca, por ano, 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em decorr\u00eancia de problemas relacionados ao \u00e1lcool. Considerando o PIB de R$ 5,1 trilh\u00f5es, o custo social do uso abusivo de bebida alco\u00f3lica atingiu, em 2014, algo como R$ 372 bilh\u00f5es. <\/p>\n<p>Os preju\u00edzos para a economia s\u00e3o gritantes. Come\u00e7am por acidentes de tr\u00e2nsito provocados por motoristas b\u00eabados, que tiram a vida de milhares de brasileiros em plena idade produtiva, e passam por tratamentos car\u00edssimos bancados com recursos p\u00fablicos do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Incluem ainda gastos estratosf\u00e9ricos com conv\u00eanios m\u00e9dicos privados, despesas inesperadas que destroem o or\u00e7amento de fam\u00edlias, desemprego, afastamento do trabalho custeado pela Previd\u00eancia Social, baixa efici\u00eancia das empresas e tantos outros silenciosos sintomas. <\/p>\n<p>O <b>Correio<\/b> publica, a partir de hoje, uma s\u00e9rie de mat\u00e9rias mostrando como o \u00e1lcool, facilmente associado a celebra\u00e7\u00f5es, \u00e9 respons\u00e1vel por tristes hist\u00f3rias capazes de travar o desenvolvimento do pa\u00eds. \u201cVivemos uma guerra qu\u00edmica que inutiliza boa parte da nossa m\u00e3o de obra, independentemente da idade. Jovens e velhos, o \u00e1lcool destr\u00f3i sem piedade\u201d, diz, angustiado, o psiquiatra da rede p\u00fablica de sa\u00fade do Distrito Federal Erin Hunter, 72 anos. <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos quatro anos, o SUS contabilizou 313 mil interna\u00e7\u00f5es por alcoolismo, ao custo anual de R$ 249,3 milh\u00f5es. Dos tratamentos em cl\u00ednica geral, 20% s\u00e3o provocados pelo uso abusivo do \u00e1lcool. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3: 50% dos atendimentos masculinos psiqui\u00e1tricos t\u00eam liga\u00e7\u00f5es com o excesso de bebida. \u201cO pa\u00eds tem de se empenhar para alcan\u00e7ar, nessa \u00e1rea, o mesmo \u00eaxito da luta contra o tabagismo\u201d, convoca a diretora de Vigil\u00e2ncia e Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Deborah Malta. <\/p>\n<p><b>Afastamento<\/b> <\/p>\n<p>O n\u00famero de aux\u00edlios-doen\u00e7a por alcoolismo lidera o ranking dos benef\u00edcios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atrelados ao uso de drogas. Representa quase um ter\u00e7o do total de afastamentos do trabalho. De janeiro de 2009 a agosto de 2014, foram autorizados 75.139 aux\u00edlios para trabalhadores com depend\u00eancia do \u00e1lcool comprovada por per\u00edcia m\u00e9dica. No per\u00edodo, os gastos com as concess\u00f5es encostaram nos R$ 40 milh\u00f5es. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que a bebida alco\u00f3lica seja menos incentivada. H\u00e1 uma falsa ideia de que ela faz todo mundo se dar bem na vida\u201d, comenta o diretor do Departamento de Pol\u00edticas de Sa\u00fade e Seguran\u00e7a Ocupacional do INSS, Marco Ant\u00f4nio Gomes P\u00e9rez. <\/p>\n<p>O alcoolismo atinge pelo menos 15% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. \u00c9 considerado uma doen\u00e7a incur\u00e1vel, embora possa ser controlada. No mundo, mata cerca de 3,3 milh\u00f5es de pessoas por ano, mais do que a Aids, a viol\u00eancia e a tuberculose, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). No entender do secret\u00e1rio adjunto da Secretaria Nacional de Pol\u00edticas sobre Drogas (Senad) do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, Luiz Guilherme Mendes de Paiva, o Brasil precisa, com urg\u00eancia, mudar a percep\u00e7\u00e3o cultural em rela\u00e7\u00e3o ao \u00e1lcool. \u201cEstamos diante de um grave problema social e econ\u00f4mico negligenciado pela ampla aceita\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d, sustenta. <\/p>\n<p>A conta do alcoolismo \u00e9 extensa. Quem bebe demais triplica as chances de recorrer a licen\u00e7as m\u00e9dicas, aumenta em cinco vezes os riscos de acidentes de trabalho e em oito vezes a utiliza\u00e7\u00e3o de di\u00e1rias hospitalares. Al\u00e9m disso, leva fam\u00edlias a recorrerem tr\u00eas vezes mais \u00e0s assist\u00eancias m\u00e9dica e social. N\u00e3o \u00e0 toa, os preju\u00edzos do \u00e1lcool para o pa\u00eds superam e muito os bilh\u00f5es movimentados pela poderosa ind\u00fastria de bebidas. <\/p>\n<p><b>Seriedade<\/b> <\/p>\n<p>Para amenizar o baque do uso exagerado do \u00e1lcool e suas consequ\u00eancias irrevers\u00edveis, o Brasil ter\u00e1 de encarar a situa\u00e7\u00e3o com a seriedade exigida, defende o psiquiatra Leonardo Moreira, com 15 anos de experi\u00eancia. \u201cO beber, cair e levantar pode ser engra\u00e7ado, mas provoca muitos estragos, e todos sabem disso\u201d, sublinha. <\/p>\n<p>O brasileiro consome, em m\u00e9dia, 68,3 litros de \u00e1lcool por ano \u2014 quantidade que tem crescido em ritmo mais acelerado entre as mulheres. Um quarto da popula\u00e7\u00e3o bebe uma vez ou mais na semana, indicam os levantamentos mais recentes. No caso dos homens, essa frequ\u00eancia aumenta. \u201cA fase de lua de mel com a bebida acabou faz tempo para muitos que ca\u00edram no fundo do po\u00e7o sem perceber\u201d, alerta o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), o psiquiatra Jorge Jaber. <\/p>\n<p>Como no combate a qualquer outra droga, antecipar-se aos malef\u00edcios do \u00e1lcool se apresenta como uma sa\u00edda mais eficaz. A cada US$ 1 investido em preven\u00e7\u00e3o, apontam pesquisas mundiais, \u00e9 poss\u00edvel economizar US$ 10 desembolsados com os preju\u00edzos do alcoolismo. \u201cNingu\u00e9m quer proibir o \u00e1lcool, mas, sim, deixar mais claro os efeitos do uso nocivo dele\u201d, pondera a psiquiatra Carolina Hanna, pesquisadora do Grupo Interdisciplinar de Estudos de \u00c1lcool e Drogas (Grea) e do Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre Sa\u00fade e \u00c1lcool (Cisa).<i> <\/p>\n<p><\/i><i>Bras\u00edlia, 19h55<\/i> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&gt;&gt; DIEGO AMORIM De gole em gole, o Brasil se embriaga e se afunda em uma ressaca que tem durado mais do que a manh\u00e3 de segunda-feira. 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