{"id":161,"date":"2015-08-18T00:10:00","date_gmt":"2015-08-18T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/portas_fechadas-2\/"},"modified":"2015-08-18T00:10:00","modified_gmt":"2015-08-18T03:10:00","slug":"portas_fechadas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/portas_fechadas-2\/","title":{"rendered":"PORTAS FECHADAS"},"content":{"rendered":"\n<p>As empresas brasileiras que, nas \u00faltimas semanas, foram atr\u00e1s de empr\u00e9stimos no mercado internacional se depararam com um clima muito hostil em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds. Apesar dos bons resultados que v\u00eam apresentando, independentemente da grave crise que paralisa a atividade, as companhias ouviram dos investidores que o momento n\u00e3o \u00e9 prop\u00edcio para se ampliar o risco Brasil.  <\/p>\n<p>Ainda que o cen\u00e1rio principal dos investidores n\u00e3o seja o de perda de mandato da presidente Dilma Rousseff nem de colapso da economia, ningu\u00e9m v\u00ea, a curto prazo, um sinal de tr\u00e9gua para o governo. O entendimento \u00e9 de que as manifesta\u00e7\u00f5es do \u00faltimo domingo ficaram aqu\u00e9m do imaginado pelos analistas, o que d\u00e1 um al\u00edvio moment\u00e2neo ao Pal\u00e1cio do Planalto. Mas tudo conspira contra o pa\u00eds.  <\/p>\n<p>\u201cEstamos vendo uma tr\u00e9gua no mercado interno, sobretudo na quest\u00e3o pol\u00edtica, j\u00e1 que o Senado resolveu cooperar com o governo, mas o horizonte no exterior ficou mais complicado. A China tornou-se uma amea\u00e7a no curto prazo e o aumento dos juros nos Estados Unidos est\u00e1 se aproximando\u201d, diz Daniel Cunha, estrategista da XP Securities em Nova York. \u201cEst\u00e3o todos apreensivos sobre a capacidade do Brasil de lidar com esses eventos externos\u201d, acrescenta.  <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Cunha, o ambiente para investimentos no pa\u00eds est\u00e1 bastante turvo. N\u00e3o h\u00e1 previsibilidade em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, h\u00e1 muita inquieta\u00e7\u00e3o com os rumos da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, que desvendou a roubalheira na Petrobras, e a economia mergulhou em um processo recessivo que levar\u00e1 tempo para ser superado. Nesse clima, \u00e9 quase imposs\u00edvel para os investidores embarcarem em projetos de longo prazo de que o pa\u00eds tanto precisa, como os de infraestrutura.  <\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do ano, as empresas brasileiras emitiram US$ 8 bilh\u00f5es em t\u00edtulos no exterior. A maior parte das opera\u00e7\u00f5es se concentrou em junho, com US$ 5,9 bilh\u00f5es. Foi uma janela aberta logo ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o dos balan\u00e7os da Petrobras. De l\u00e1 para c\u00e1, por\u00e9m, as portas se fecharam quase que por completo, reflexo do agravamento da crise pol\u00edtica e da discuss\u00e3o aberta sobre impeachment ou ren\u00fancia de Dilma. A piora geral se refletiu nos pre\u00e7os dos ativos. O d\u00f3lar disparou e a bolsa de valores afundou.  <\/p>\n<p><b>Des\u00e2nimo<\/b>  <\/p>\n<p>Dentro do governo, h\u00e1 quem veja com al\u00edvio a dificuldade enfrentada pelas empresas para captar recursos no exterior. Motivo: o excesso de endividamento, que vem sendo motivo de alarde por parte do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Dados do Banco Central mostram que, de dezembro de 2011 at\u00e9 junho deste ano, os d\u00e9bitos das companhias saltaram de US$ 97,7 bilh\u00f5es para US$ 121,9 bilh\u00f5es.  <\/p>\n<p>Entre os bancos, o saldo devedor pulou de US$ 138,2 bilh\u00f5es para US$ 147,5 bilh\u00f5es. Mas \u00e9 importante ressaltar que, no caso do sistema financeiro, houve uma forte retra\u00e7\u00e3o nos d\u00e9bitos neste ano, de quase US$ 9 bilh\u00f5es, justamente porque faltou espa\u00e7o para a rolagem dos pap\u00e9is. Os poucos investidores que aceitaram assumir os riscos exigiram taxas muito elevadas, que tornariam as d\u00edvidas pesadas demais. O jeito foi pag\u00e1-las e esperar uma melhor oportunidade para as opera\u00e7\u00f5es.  <\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, diante da grave situa\u00e7\u00e3o na qual o Brasil se encontra, n\u00e3o h\u00e1 como esperar uma r\u00e1pida abertura dos mercados internacionais \u00e0s empresas. Com isso, muitos projetos que poderiam ajudar a tirar o pa\u00eds do atoleiro e, sobretudo, conter a disparada do desemprego v\u00e3o continuar nas gavetas. Isso significar\u00e1 mais pessimismo na economia e des\u00e2nimo dos eleitores.  <\/p>\n<p>Dilma foi dormir mais tranquila no domingo, acreditando que a for\u00e7a das ruas ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para lhe afastar do poder. Mas, com tantas m\u00e1s not\u00edcias ainda por vir, as massas tendem a se agigantar. E n\u00e3o se pode esquecer que a presidente virou, com Lula e o PT, o centro dos protestos. Dilma est\u00e1 muito mais fraca do que ela imagina.&nbsp;<b>Medo de calote<\/b>&nbsp;\u00bb H\u00e1 muita inquieta\u00e7\u00e3o entre empres\u00e1rios que exportam para o Brasil. Eles temem que, com a recess\u00e3o e a onda de quebradeira de empresas, comecem a colecionar calotes.&nbsp;<b>Corpo a corpo<\/b>&nbsp;\u00bb O temor \u00e9 tamanho que muitos exportadores t\u00eam enviado emiss\u00e1rios ao Brasil para conversar com a clientela. Querem se antecipar a qualquer imprevisto.  <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As empresas brasileiras que, nas \u00faltimas semanas, foram atr\u00e1s de empr\u00e9stimos no mercado internacional se depararam com um clima muito hostil em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds. 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