{"id":1651,"date":"2016-06-25T13:01:24","date_gmt":"2016-06-25T16:01:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1651"},"modified":"2016-06-25T13:39:52","modified_gmt":"2016-06-25T16:39:52","slug":"mundo-vai-crescer-menos-diz-mauricio-molan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/mundo-vai-crescer-menos-diz-mauricio-molan\/","title":{"rendered":"&#8220;Mundo vai crescer menos&#8221;, diz Maur\u00edcio Molan"},"content":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>O referendo no Reino Unido \u00e9 um sinal p\u00e9ssimo para o mundo. Mas ter\u00e1 poucos efeitos no Brasil, que poder\u00e1 come\u00e7ar a baixar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano, j\u00e1 em agosto, avisa o economia-chefe do Banco Santander, Maur\u00edcio Molan. Para isso, a meta de infla\u00e7\u00e3o de 2018 precisa ser fixada em patamar abaixo dos 4,5% que vigoram hoje. Reduzir o patamar, ao contr\u00e1rio de intensificar o arrocho monet\u00e1rio, vai reduzi-lo.<\/i><\/p>\n<p><i>Com perspectiva clara de levar o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) a 6,8% neste ano, 5% no pr\u00f3ximo e 4% em 2018, seria poss\u00edvel ao Banco Central (BC) come\u00e7ar a baixar os juros em agosto sem que isso volte a desancorar as expectativas quanto \u00e0 carestia.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p><i>Depois da experi\u00eancia dos \u00faltimos anos, com a volta da infla\u00e7\u00e3o a dois d\u00edgitos, ningu\u00e9m quer desordem. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 ansiedade geral pela retomada do crescimento econ\u00f4mico, algo que n\u00e3o est\u00e1 no mandato do BC, mas tampouco \u00e9 ignorado pela autoridade monet\u00e1ria.<\/i><\/p>\n<p><i>Molan est\u00e1 entre os observadores mais otimistas do cen\u00e1rio econ\u00f4mico. Ele espera alta dos investimentos j\u00e1 no pr\u00f3ximo trimestre. V\u00ea chances de que isso aconte\u00e7a a despeito da ociosidade na capacidade instalada das empresas. Explica que a realidade \u00e9 muito diversa, e algumas empresas j\u00e1 sentem necessidade de ampliar a produ\u00e7\u00e3o. Outras n\u00e3o, mas, como j\u00e1 chegaram ao n\u00edvel zero de investimentos, n\u00e3o podem reduzi-los ainda mais. Portanto, quem avan\u00e7ar levar\u00e1 o n\u00famero agregado para cima. Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista que o economista concedeu ao <b>Correio<\/b>.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Qual a import\u00e2ncia do resultado do referendo no Reino Unido?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 um sinal muito negativo, que mostra um vi\u00e9s populista na pol\u00edtica e o in\u00edcio de uma tend\u00eancia de os pa\u00edses se isolarem, o que pode reverter a globaliza\u00e7\u00e3o, processo que foi muito importante para os ganhos de produtividade em todo o mundo. Al\u00e9m disso, a decis\u00e3o mostra um preconceito muito grande contra os imigrantes, o que \u00e9 ruim n\u00e3o s\u00f3 para a economia, mas para o processo civilizat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quais os efeitos econ\u00f4micos?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 uma press\u00e3o baixista em termos de crescimento, reduzindo a corrente de com\u00e9rcio em todo o mundo e aumentando as incertezas. Por outro lado, os governos tendem a prolongar medidas de expans\u00e3o monet\u00e1ria. Para sorte ou azar, o Brasil \u00e9 uma economia fechada, ent\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio ter\u00e1 pouca influ\u00eancia aqui. O aumento das incertezas prejudica o pa\u00eds, mas o efeito foi maior at\u00e9 agora para os pa\u00edses da periferia europeia. O prolongamento da expans\u00e3o monet\u00e1ria nos beneficia, favorecendo o in\u00edcio do processo de redu\u00e7\u00e3o da Selic. Os efeitos negativos e positivos tendem a se anular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ser\u00e1 poss\u00edvel baixar os juros com a resist\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>De fato, em maio houve um repique em fun\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de alimentos, mas ser\u00e1 tempor\u00e1rio. O mercado j\u00e1 se convenceu de que a trajet\u00f3ria da infla\u00e7\u00e3o \u00e9 inequivocamente para baixo. Come\u00e7ar o corte em agosto, setembro ou outubro depende muito de como a nova equipe do Banco Central (BC) pretende agir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quando deve come\u00e7ar, na sua avalia\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>A gente acredita que a queda da Selic ser\u00e1 em agosto. O BC tem de refor\u00e7ar a credibilidade e o comprometimento com infla\u00e7\u00e3o baixa. H\u00e1 um dilema entre isso e uma redu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da taxa de juros. Mas \u00e9 algo que pode ser resolvido com a defini\u00e7\u00e3o de objetivos intermedi\u00e1rios, que poderia ser cerca de 6,8% para este ano, 5% para o ano que vem e uma meta de infla\u00e7\u00e3o inferior a 4,5% para 2018, por exemplo 4%. A decis\u00e3o do Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) ser\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 30. Com essas metas intermedi\u00e1rias, voc\u00ea conseguiria fortalecer a credibilidade do BC como algu\u00e9m que perseguir\u00e1 uma infla\u00e7\u00e3o baixa de modo que n\u00e3o impe\u00e7a uma redu\u00e7\u00e3o de juros, porque essa trajet\u00f3ria ocorrer\u00e1 em um horizonte de dois a tr\u00eas anos, algo bastante fact\u00edvel. Isso est\u00e1 em linha com o que o presidente do BC disse: uma meta desafiadora e poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>E quando a economia voltar\u00e1 a crescer?<\/b><\/p>\n<p>A economia brasileira est\u00e1 bem perto do fundo do po\u00e7o. Alguns fatores sugerem que haver\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o da atividade, com varia\u00e7\u00e3o positiva do PIB (Produto Interno Bruto) j\u00e1 no terceiro ou quarto trimestre. As expectativas ter\u00e3o peso grande nisso. Houve uma queda substancial, do in\u00edcio do ano at\u00e9 abril, do risco pa\u00eds e das taxas longas. Os juros para 2022 se reduziram de 16,5% para 12,5%. E a bolsa subiu cerca de 30%. S\u00e3o sinais de percep\u00e7\u00e3o muito mais favor\u00e1vel por parte do mercado financeiro, que j\u00e1 est\u00e1 se transmitindo para consumidores e investidores corporativos. Fatalmente, isso resultar\u00e1 em mais investimentos e mais consumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O investimento pode se recuperar j\u00e1 no terceiro trimestre, mesmo com a ociosidade da capacidade instalada?<\/b><\/p>\n<p>Sim. A queda j\u00e1 foi muito forte. Desde o fim de 2014, quando come\u00e7ou a recess\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o acumulada \u00e9 de 30%. Em grande parte, isso ocorreu pelo adiamento de projetos. Na medida em que s\u00e3o retomados, geram varia\u00e7\u00e3o positiva no investimento agregado. Isso acontece apesar da capacidade ociosa elevada porque existem assimetrias. H\u00e1 setores e empresas com muita ociosidade e outros com menos, casos da agricultura, alimentos e semidur\u00e1veis. Os subsetores industriais que cresciam na varia\u00e7\u00e3o trimestral eram 20% no fim do ano passado e passaram para 40% nos \u00faltimos tr\u00eas meses at\u00e9 abril. Quando a gente olha a floresta, perde de vista o comportamento das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Qual \u00e9 o peso da solu\u00e7\u00e3o fiscal na recupera\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>O fator de extrema import\u00e2ncia \u00e9 a confian\u00e7a, que recebeu um choque favor\u00e1vel ao longo do primeiro semestre. Isso est\u00e1 associado a uma percep\u00e7\u00e3o de que haver\u00e1 in\u00edcio de um processo de ajuste fiscal no pa\u00eds. Se isso n\u00e3o acontecer, reverte-se a retomada do crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>H\u00e1 uma chance consider\u00e1vel de isso acontecer?<\/b><\/p>\n<p>As incertezas s\u00e3o muito grandes. H\u00e1 dificuldade de encaminhar reformas, muita resist\u00eancia por parte do Congresso. S\u00e3o medidas dif\u00edceis e impopulares em um momento em que existe um governo interino. Mas n\u00e3o \u00e9 preciso fazer tudo; basta iniciar o processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O que \u00e9 o m\u00ednimo que o mercado espera?<\/b><\/p>\n<p>O mercado avalia que o governo caminha para um resultado prim\u00e1rio positivo em 2018 ou 2019. Exige-se que o resultado do ano que vem seja melhor do que o deste ano, que o deficit prim\u00e1rio caia de 2,75% do PIB para algo como 1,5%, cerca de 0,5% em 2018 e entre no terreno positivo em 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quais s\u00e3o os outros avan\u00e7os esperados?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 importante o governo ter o diagn\u00f3stico correto. J\u00e1 temos. Predominava no in\u00edcio deste ano o diagn\u00f3stico de que o fiscal era consequ\u00eancia da crise econ\u00f4mica. Agora, h\u00e1 consci\u00eancia de que crise decorre do desajuste. Isso empodera o governo, os formuladores de pol\u00edtica. Se agirem do lado fiscal, reduzem o impacto da crise. Precisava primeiro de um diagn\u00f3stico. Precis\u00e1vamos tamb\u00e9m de uma estrat\u00e9gia. J\u00e1 temos. Consiste em aprovar medidas estruturais primeiro: o teto dos gastos e a reforma da Previd\u00eancia. Dependendo de como for a aprova\u00e7\u00e3o dessas medidas, decide-se o que fazer. \u00c9 importante que o governo consiga aprovar no Congresso 50% do que gostaria. Haver\u00e1 um processo de negocia\u00e7\u00e3o. O que se conseguir, ter\u00e1 de ser compensado com medidas conjunturais, de aumentos de impostos ou cortes or\u00e7ament\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quando ser\u00e1 aprovado o teto?<\/b><\/p>\n<p>Alguma coisa vai ser definida ainda neste segundo semestre. Talvez n\u00e3o uma aprova\u00e7\u00e3o final, mas um sinal de quanto o governo deve conseguir. At\u00e9 o fim do ano, ter\u00e1 de recorrer \u00e0s medidas emergenciais. Acho que ser\u00e1 meio a meio: aumento de impostos e redu\u00e7\u00e3o de gastos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Se o impeachment n\u00e3o passar, qual vai ser o resultado?<\/b><\/p>\n<p>Existem muitas possibilidades. A gente trabalha com um cen\u00e1rio em que, se existe uma equipe econ\u00f4mica com credibilidade, que impulsiona a confian\u00e7a e, por sua vez, a atividade, essa rela\u00e7\u00e3o fica estabelecida. Ent\u00e3o, a inst\u00e2ncia pol\u00edtica tem incentivos para manter o conjunto de medidas e at\u00e9 o conjunto de nomes. N\u00e3o sei se isso vai ocorrer ou n\u00e3o. Mas os incentivos v\u00e3o crescendo com a retomada da economia. Existe uma possibilidade de mudan\u00e7a no Executivo sem mudan\u00e7a nas pol\u00edticas e at\u00e9 mesmo nos nomes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 13h01min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO &nbsp; O referendo no Reino Unido \u00e9 um sinal p\u00e9ssimo para o mundo. Mas ter\u00e1 poucos efeitos no Brasil, que poder\u00e1 come\u00e7ar a baixar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano, j\u00e1 em agosto, avisa o economia-chefe do Banco Santander, Maur\u00edcio Molan. 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