{"id":166,"date":"2015-08-19T10:10:00","date_gmt":"2015-08-19T13:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/fundo_do_poco-2\/"},"modified":"2015-08-19T10:10:00","modified_gmt":"2015-08-19T13:10:00","slug":"fundo_do_poco-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/fundo_do_poco-2\/","title":{"rendered":"FUNDO DO PO\u00c7O"},"content":{"rendered":"\n<p>A presidente Dilma Rousseff ainda est\u00e1 muito longe de se dizer  fortalecida no cargo. Para analistas que acompanham o dia a dia da  economia, o grande teste ao qual a petista ser\u00e1 submetida est\u00e1 sendo  gestado e dar\u00e1 as caras no primeiro trimestre de 2016: o desemprego  bater\u00e1 em 10%. <\/p>\n<p>Todos se perguntam como o governo lidar\u00e1 com esse  n\u00famero t\u00e3o ruim. Desde o \u00faltimo domingo, o Pal\u00e1cio do Planalto vem  tentando diminuir a for\u00e7a das manifesta\u00e7\u00f5es que tomaram as ruas de mais  de 200 cidades do pa\u00eds. Mas, com as demiss\u00f5es atingindo seu \u00e1pice, ser\u00e1  dif\u00edcil conter os movimentos que gritam pelo impeachment ou a ren\u00fancia  de Dilma. <\/p>\n<p>Se as proje\u00e7\u00f5es dos especialistas estiverem corretas,  em pouco mais de um ano, o \u00edndice que mede a desocupa\u00e7\u00e3o nas seis  maiores regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds ter\u00e1 aumentado quase seis pontos  percentuais \u2014 em dezembro de 2004, a taxa estava em 4,3%, n\u00edvel mais  baixo da hist\u00f3ria. Desde que o Instituto Brasileiro de Geografia e  Estat\u00edstica (IBGE) passou a fazer esse levantamento, nunca se viu uma  alta t\u00e3o expressiva do desemprego em um espa\u00e7o t\u00e3o curto de tempo. <\/p>\n<p>\u201cVeremos  um quadro dram\u00e1tico\u201d, diz um executivo de um banco estrangeiro.  \u201cEstaremos diante de uma combina\u00e7\u00e3o de desemprego com elevado n\u00edvel de  endividamento, um combust\u00edvel poderoso para levar mais pessoas \u00e0s ruas  contra o governo\u201d, acrescenta. \u201cSer\u00e1 uma massa dif\u00edcil de ser  controlada. As pessoas estar\u00e3o com a parte mais sens\u00edvel do corpo  atingida: o bolso\u201d, emenda. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos analistas, a  presidente est\u00e1 buscando reconstruir uma ponte com sua base pol\u00edtica,  mas todos os avan\u00e7os tender\u00e3o a ser detonados com a disparada do  desemprego. N\u00e3o se pode esquecer de que o auge das demiss\u00f5es dever\u00e1  ocorrer \u00e0s v\u00e9speras do fechamento das chapas dos candidatos a prefeitos.  Ningu\u00e9m estender\u00e1 a m\u00e3o a um governo respons\u00e1vel por destruir uma  conquista preciosa como o emprego, nem mesmo parlamentares do partido de  Dilma, o PT. <\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es para a economia nos pr\u00f3ximos meses s\u00e3o  as piores poss\u00edveis. N\u00e3o \u00e0 toa, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy,  vem tentando incutir a ideia de que a retomada da atividade j\u00e1 come\u00e7ou,  com uma ligeira melhora da ind\u00fastria. Faz isso com o intuito de retomar a  confian\u00e7a no governo. Contudo, o fundo do po\u00e7o n\u00e3o foi atingido.  Empresas est\u00e3o quebrando, trabalhadores perdendo os empregos e d\u00edvidas  que foram assumidas pelas fam\u00edlias deixando de serem pagas. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9  dif\u00edcil dizer qual ser\u00e1 o resultado de tudo isso e qual o tamanho do  reflexo sobre o governo. Uma coisa \u00e9 certa: a presidente Dilma n\u00e3o  colheu nem a metade do que plantou nos \u00faltimos quatro anos, ao destruir  os pilares da economia\u201d, admite um t\u00e9cnico com tr\u00e2nsito no Planalto. \u201cE  n\u00e3o ser\u00e1 um discurso bonito do ministro da Fazenda que pintar\u00e1 de rosa  um quadro t\u00e3o dram\u00e1tico\u201d, complementa. <\/p>\n<p><b>Traumas pesados<\/b> <\/p>\n<p>No  entender dos especialistas, Dilma errou demais e reverter o estrago que  ela fez ser\u00e1 traum\u00e1tico para o pa\u00eds. Para Pedro Paulo Silveira,  economista-chefe da TOV Corretora, \u00e9 dif\u00edcil acreditar que o governo  ter\u00e1 sucesso na empreitada de vender a\u00e7\u00f5es da BR Distribuidora, da Caixa  Seguridade e do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) para refor\u00e7ar o  caixa e garantir o cumprimento da meta fiscal de 2016, de 0,7% do  Produto Interno Bruto (PIB). <\/p>\n<p>Ele ressalta que tais opera\u00e7\u00f5es  dependem, em parte, dos investidores estrangeiros, que est\u00e3o fugindo de  pa\u00edses emergentes, em especial, do Brasil. Muitos se deram mal nos  investimentos que realizaram na bolsa de valores brasileira. Desde que  Dilma tomou posse, o valor de mercado das companhias listadas no preg\u00e3o  paulista desabou. <\/p>\n<p>No in\u00edcio de janeiro de 2011, todas as empresas  valiam US$ 1,542 trilh\u00e3o. Na \u00faltima sexta-feira, estavam cotadas a US$  616,4 bilh\u00f5es. Houve, portanto, uma destrui\u00e7\u00e3o de riqueza de US$ 925,7  bilh\u00f5es. \u201cIsso reduz o apetite pelo pa\u00eds, sem falar que as companhias  brasileiras est\u00e3o muito endividadas em d\u00f3lar, reduzindo a qualidade dos  ativos\u201d, afirma Silveira. <\/p>\n<p><i> <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 10h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff ainda est\u00e1 muito longe de se dizer fortalecida no cargo. Para analistas que acompanham o dia a dia da economia, o grande teste ao qual a petista ser\u00e1 submetida est\u00e1 sendo gestado e dar\u00e1 as caras no primeiro trimestre de 2016: o desemprego bater\u00e1 em 10%. 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