{"id":17,"date":"2015-01-18T20:30:00","date_gmt":"2015-01-18T22:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/forca_jovem_e_destruida_sem_piedade\/"},"modified":"2015-01-18T20:30:00","modified_gmt":"2015-01-18T22:30:00","slug":"forca_jovem_e_destruida_sem_piedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/forca_jovem_e_destruida_sem_piedade\/","title":{"rendered":"FOR\u00c7A JOVEM \u00c9 DESTRU\u00cdDA SEM PIEDADE"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/23d74a94a928d4b281c180ce33d3b9ec.jpg\">  <\/p>\n<p><b><i>\u201cEu fico triste, alegre. Sem beber, eu fico triste. Bebendo, fico alegre\u201d<\/i><\/b><i>(Guilherme e Santiago)<\/i>  <\/p>\n<p><b>&gt;&gt; DIEGO AMORIM<\/b>  <\/p>\n<p>O primeiro porre nunca se esquece. E, em muitos lares, \u00e9 a pr\u00f3pria fam\u00edlia quem incentiva a embriaguez precoce, como algo l\u00fadico e festivo. Dar PT \u2014 abrevia\u00e7\u00e3o de perda total \u2014, como os jovens gostam de dizer, costuma servir de marco para a entrada na vida adulta: um ritual cada vez mais antecipado no Brasil, onde o consumo do \u00e1lcool come\u00e7a entre os 11 e 13 anos. Inicialmente despretensiosos, os repetidos goles t\u00eam ajudado a matar a for\u00e7a produtiva do pa\u00eds.  <\/p>\n<p>No mundo, o \u00e1lcool provoca a morte de 320 mil jovens por ano, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). No Brasil, homens entre os 15 e 29 anos, justamente a faixa et\u00e1ria que mais consome \u00e1lcool, lideram o ranking de v\u00edtimas de causas violentas, tantas vezes potencializadas pelo uso da bebida. \u201c\u00c9 uma realidade assustadora\u201d, constata a diretora de Vigil\u00e2ncia e Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Deborah Malta.  <\/p>\n<p>O alcoolismo retarda o desenvolvimento da juventude e, consequentemente, do pa\u00eds. Quem mergulha na bebida antes dos 18 anos prejudica a forma\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro e a capacidade de mem\u00f3ria, abrindo brechas para transtornos cognitivos. \u201cEstamos criando adultos que fracassar\u00e3o tanto na vida pessoal quanto na profissional\u201d, alerta o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), Jorge Jaber.  <\/p>\n<p>Dono da s\u00e9tima popula\u00e7\u00e3o jovem do mundo, o Brasil abriga cerca de 51 milh\u00f5es de meninos e meninas que deveriam ser capazes de transformar o presente e o futuro. Parte deles, por\u00e9m, ter\u00e1 a vida ceifada por problemas relacionados ao \u00e1lcool, sobretudo a viol\u00eancia. \u201cN\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gico para uma na\u00e7\u00e3o perder jovens por causas evit\u00e1veis\u201d, defende Anna Cunha, oficial de programa do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Unfpa).  <\/p>\n<p>Sem mudan\u00e7a de mentalidade e a\u00e7\u00f5es efetivas do governo, jovens como Lucas* seguem vulner\u00e1veis aos encantos do \u00e1lcool. Ele tem 22 anos e bebe desde os 17. \u201cS\u00f3 paro se a ind\u00fastria da bebida acabar\u201d, avisa ele, enquanto entorna a segunda garrafa de cerveja em plena tarde de segunda-feira, em um boteco da Estrutural, na periferia de Bras\u00edlia. \u201cBebo para clarear as ideias\u201d, justifica o jovem, h\u00e1 um m\u00eas desempregado e com pouco \u00e2nimo para procurar outra oportunidade de trabalho.  <\/p>\n<p>Parceiro de copo, Alex*, 27 anos, usa outras drogas, como a maconha e a coca\u00edna. \u201cMas a mais pesada \u00e9 a maldita da cacha\u00e7a. Depois que bebo, n\u00e3o tenho coragem nem de levantar da cama\u201d, conta. As bebedeiras atrapalharam os estudos de Alex, que frequentou a escola at\u00e9 o quinto ano do ensino fundamental. Foi embriagado que ele engravidou quatro mulheres e amea\u00e7ou uma delas com faca. \u201cParti para cima porque ningu\u00e9m atrapalha minha liberdade de beber\u201d, afirma, valente, o jovem que chegou a ser preso e hoje presta servi\u00e7os comunit\u00e1rios.  <\/p>\n<p>Levantamentos recentes do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade indicam um cen\u00e1rio preocupante. Dos alunos de 13 e 15 anos, 66% admitem ter provado \u00e1lcool, e 21,8% deles j\u00e1 ficaram b\u00eabados pelo menos uma vez. \u201cO \u00e1lcool \u00e9 muito mais consumido pelos jovens do que o tabaco\u201d, pontua a m\u00e9dica Deborah Malta, coordenadora das pesquisas. \u201cO fato de as pessoas come\u00e7arem a beber muito cedo contribui para que um problema grave seja visto como h\u00e1bito normal\u201d, sublinha o diretor t\u00e9cnico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Qualidade de Vida (Abqv), Alberto Ogata.  <\/p>\n<p><b>Sequelas<\/b>  <\/p>\n<p>Pouco mais da metade dos jovens que consome \u00e1lcool apresenta problemas de sa\u00fade, psicol\u00f3gicos e familiares, mostram as estat\u00edsticas. \u201cO \u00e1lcool compromete a motiva\u00e7\u00e3o para os estudos, para o trabalho e trava a for\u00e7a produtiva do pa\u00eds\u201d, comenta Carolina Hanna, pesquisadora do Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre Sa\u00fade e \u00c1lcool (CISA). Os estragos no corpo e na mente podem levar de 15 a 20 anos para se manifestar. \u201cUm jovem que come\u00e7a a beber antes dos 18 anos chegar\u00e1 \u00e0 vida adulta com sequelas\u201d, antecipa o psiquiatra Erin Hunter.  <\/p>\n<p>Apesar de a venda de bebidas alco\u00f3licas ser proibida para menores, o consumo pela garotada \u00e9 pr\u00e1tica comum. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade constatou que 21,9% dos alunos compram bebida em mercados, lojas, bares ou supermercados sem nenhum tipo de entrave. Rodrigo* nunca teve dificuldades de acesso ao \u00e1lcool. Come\u00e7ou aos 15 anos, tomando cacha\u00e7a ado\u00e7ada. \u201cEra minha amiga de inf\u00e2ncia\u201d, define, rindo. Estudante do curso de letras em uma universidade p\u00fablica, o jovem de 21 anos bebe pelo menos cinco vezes por semana. \u201cTudo \u00e9 motivo para beber, e sempre me programo para exagerar\u201d, revela.  <\/p>\n<p>Luciano*, da mesma idade de Rodrigo, dificilmente anda sem alguma garrafa de u\u00edsque ou vodca na mochila. Ele estuda para ser piloto de helic\u00f3ptero e diz que, por enquanto, o v\u00edcio n\u00e3o atrapalha a rotina. \u201cJ\u00e1 faltei aula por causa de ressaca, mas uma hora sei que vou me dar mal de verdade. N\u00e3o vou conseguir parar de beber\u201d, solta ele, que recusa um cigarro de maconha enquanto conversa com a reportagem na porta de uma balada em Bras\u00edlia. \u201cValeu, fico s\u00f3 no \u00e1lcool.\u201d  <\/p>\n<p>(*) Nomes fict\u00edcios.  <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 20:30min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu fico triste, alegre. Sem beber, eu fico triste. 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