{"id":1704,"date":"2016-06-28T04:25:43","date_gmt":"2016-06-28T07:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1704"},"modified":"2016-07-08T10:08:14","modified_gmt":"2016-07-08T13:08:14","slug":"coluna-no-correio-desejo-e-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-desejo-e-realidade\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Desejo e realidade"},"content":{"rendered":"<p>Que ningu\u00e9m espere um discurso ameno do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, hoje, durante a divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio trimestral de infla\u00e7\u00e3o. Ele j\u00e1 deixou claro a auxiliares mais pr\u00f3ximos que n\u00e3o h\u00e1 a menor possibilidade de patrocinar qualquer movimento de queda da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) se n\u00e3o houver reais condi\u00e7\u00f5es para um al\u00edvio monet\u00e1rio. Na vis\u00e3o de Ilan, a infla\u00e7\u00e3o continua alta e sendo um problema do qual o BC n\u00e3o pode se descuidar jamais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A postura firme de Ilan ser\u00e1 uma resposta \u00e0 declara\u00e7\u00e3o do presidente interino, Michel Temer, que assegurou que os juros v\u00e3o cair ainda neste ano. Dentro do BC, as palavras do peemedebista, ainda que tenham \u201csido moderadas\u201d, n\u00e3o foram vistas com muita simpatia. H\u00e1 o temor de que, na \u00e2nsia de querer criar uma agenda positiva para se contrapor \u00e0 crise pol\u00edtica, o governo tente atropelar a autonomia do banco para definir os rumos da Selic.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para integrantes do staff de Ilan, \u00e9 importante que ele enfatize que o custo de vida est\u00e1 longe de permitir uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais frouxa. Essa posi\u00e7\u00e3o deve prevalecer, sobretudo, porque o presidente do BC pode anunciar que a infla\u00e7\u00e3o s\u00f3 dever\u00e1 convergir para o centro da meta em 2018, e n\u00e3o em 2017, como prometia a diretoria anterior da institui\u00e7\u00e3o. Esse prazo mais longo para que o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) encoste nos 4,5% \u00e9 definido como meta ajustada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ilan est\u00e1 convencido de que n\u00e3o deve assumir compromissos que n\u00e3o poder\u00e1 cumprir. Por isso a possibilidade de deixar para 2018 a entrega da infla\u00e7\u00e3o na meta. Se o \u00edndice convergir antes, melhor, pois permitir\u00e1 um ajuste mais r\u00e1pido dos juros. O maior medo do presidente do BC \u00e9 repetir os erros de Alexandre Tombini, seu antecessor, que nunca entregou a infla\u00e7\u00e3o na meta. Para justificar o fracasso, ele sempre mudava o prazo de converg\u00eancia do IPCA aos 4,5% previstos em lei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Cartas na mesa<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos do BC, chegou a hora de Ilan dar as cartas. O sil\u00eancio dos \u00faltimos dias, apesar de compreens\u00edvel, incomodou muita gente que cobra transpar\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o. As expectativas aumentaram porque os agentes econ\u00f4micos n\u00e3o veem a infla\u00e7\u00e3o caindo. Pelo contr\u00e1rio. As proje\u00e7\u00f5es m\u00e9dias para o IPCA deste ano continuam subindo, j\u00e1 alcan\u00e7am 7,29%, e se mant\u00eam intactas em 5,5% em 2017. S\u00f3 uma dire\u00e7\u00e3o mais clara da autoridade monet\u00e1ria poder\u00e1 romper essa resist\u00eancia do mercado. \u201cIlan n\u00e3o pode falhar\u201d, diz um funcion\u00e1rio do banco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tens\u00e3o aumenta porque a posi\u00e7\u00e3o de Ilan ter\u00e1 que estar casada com a defini\u00e7\u00e3o da meta de infla\u00e7\u00e3o para 2018. Ser\u00e1 a primeira participa\u00e7\u00e3o dele no Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), que se reunir\u00e1 na quinta-feira. A tend\u00eancia \u00e9 de que se repita o estabelecido para 2017: centro da meta de 4,5%, podendo variar 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Al\u00e9m do presidente do BC, integram o CMN os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo de Oliveira. Os dois ainda n\u00e3o veem espa\u00e7o para uma meta menor, mesmo que isso resulte em um choque de credibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para t\u00e9cnicos do BC, meta menor de infla\u00e7\u00e3o, s\u00f3 no pr\u00f3ximo governo. Agora, dizem, o mais importante a ser feito \u00e9 atacar os problemas fiscais. A despeito de Meirelles garantir que o governo arrumar\u00e1 suas contas, hoje, a pol\u00edtica de gastos \u00e9 expansionista. O Planalto est\u00e1 bancando aumento de sal\u00e1rios para os servidores, o Tesouro Nacional deixar\u00e1 de receber pelo menos R$ 50 bilh\u00f5es de d\u00edvidas de estados e v\u00e1rias despesas foram descontingenciadas. Assim, se o BC olhar para o que est\u00e1 acontecendo agora, n\u00e3o h\u00e1 como falar em queda dos juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Nada de bravatas<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entender de auxiliares de Ilan, tudo indica que ele \u201ccomprar\u00e1\u201d o ajuste fiscal de longo prazo prometido pela Fazenda. Mas se no meio do caminho ficar claro que o ajuste n\u00e3o saiu do papel, o presidente do BC n\u00e3o titubear\u00e1 em aumentar os juros. Essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a dele e de Tombini, que se deixou levar, por um longo per\u00edodo, por promessas vazias de que, em algum momento, as finan\u00e7as do governo seriam arrumadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO BC deve ser realista. N\u00e3o pode se deixar levar por falsas promessas\u201d, ressalta o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, que foi diretor da autoridade monet\u00e1ria duas vezes. Ele acredita que, com a meta de infla\u00e7\u00e3o sendo ajustada para 2018, haver\u00e1 espa\u00e7o para os juros ca\u00edrem mais \u00e0 frente. Tudo, por\u00e9m, dever\u00e1 ser feito com cautela. O que mais precisamos neste momento \u00e9 de um BC realista, n\u00e3o um BC furioso\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Thadeu v\u00ea um fluxo maior de d\u00f3lares vindo para o pa\u00eds diante da decis\u00e3o do Reino Unido de sair da Uni\u00e3o Europeia. Isso ajudar\u00e1 a manter os pre\u00e7os da moeda norte-americano num n\u00edvel favor\u00e1vel para o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Ele destaca ainda que a for\u00e7a do ajuste do setor externo manter\u00e1 o pa\u00eds mais resiliente \u00e0 volatilidade no mercado internacional. \u201cO caminho para uma travessia mais tranquila est\u00e1 pavimentado. Resta saber se o governo conseguir\u00e1 tirar bom proveito disso\u201d, acrescenta. Ilan acredita que sim. E est\u00e1 disposto a dar sua cota de contribui\u00e7\u00e3o. Mas sem bravatas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 04h25min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que ningu\u00e9m espere um discurso ameno do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, hoje, durante a divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio trimestral de infla\u00e7\u00e3o. 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