{"id":173,"date":"2015-08-25T00:01:00","date_gmt":"2015-08-25T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bateu_o_desespero-2\/"},"modified":"2015-08-25T00:01:00","modified_gmt":"2015-08-25T03:01:00","slug":"bateu_o_desespero-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bateu_o_desespero-2\/","title":{"rendered":"BATEU O DESESPERO"},"content":{"rendered":"\n<p>A crise detonada pela China, que arrasou os mercados ontem, mostrou que o que est\u00e1 ruim no Brasil pode ficar pior. T\u00e9cnicos confi\u00e1veis do governo j\u00e1 admitem que a esperada desacelera\u00e7\u00e3o da economia mundial agravar\u00e1 a recess\u00e3o do pa\u00eds, com a queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano se aproximando dos 3% e o desemprego caminhando mais rapidamente para os 10%. O quadro desastroso se completar\u00e1 com a alta da inadimpl\u00eancia, movimento que tender\u00e1 a ficar mais forte a partir de setembro.   <\/p>\n<p>Tanto no Banco Central quanto no Minist\u00e9rio da Fazenda, o clima ontem foi de apreens\u00e3o. Auxiliares de Alexandre Tombini e de Joaquim Levy lamentavam o fato de o Brasil estar t\u00e3o fr\u00e1gil num momento em que o mundo caminha para tempos turbulentos. Para eles, mesmo que o consenso n\u00e3o seja de um tombo espetacular da China, o fato de a segunda economia do planeta estar rateando j\u00e1 ser\u00e1 suficiente para ampliar a onda de desconfian\u00e7a que provoca estragos nas economias emergentes.   <\/p>\n<p>Como bem definiu um dos t\u00e9cnicos do governo, al\u00e9m de n\u00e3o fazer o dever de casa na economia, o Brasil irradia para os investidores a imagem de um pa\u00eds sem rumo. A cada dia, a presidente Dilma Rousseff destr\u00f3i o pouco que lhe resta. Agora, acabou de abrir m\u00e3o de Michel Temer da articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O vice-presidente, de alguma forma, vinha dando sobrevida \u00e0 petista ao manter o PMDB minimamente unido para garantir a governabilidade.   <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos investidores, se, com Temer segurando as r\u00e9deas dos peemedebistas, j\u00e1 estava dif\u00edcil para o governo aprovar, no Congresso, medidas que pudessem garantir o cumprimento das metas fiscais deste ano e de 2016, tornou-se quase imposs\u00edvel isso acontecer sem o compromisso de apoio de uma parcela importante do partido. \u00c9 por isso que os analistas atribuem a maior parte do desastre brasileiro aos problemas internos \u2014 todos, ressalte-se, oriundos do Pal\u00e1cio do Planalto.   <\/p>\n<p>A capacidade do governo de criar ru\u00eddos \u00e9 tamanha, que, n\u00e3o bastasse abrir m\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Temer, o Pal\u00e1cio estimulou ru\u00eddos sobre uma poss\u00edvel sa\u00edda de Levy do Minist\u00e9rio da Fazenda. A boataria foi t\u00e3o forte que implodiu os sinais de recupera\u00e7\u00e3o que a Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (BM&amp;FBovespa) esbo\u00e7ou no meio do dia. O ministro teve que passar pelo vexame de dizer que est\u00e1 firme no cargo, quando todos sabem que ele est\u00e1 cada vez mais isolado e colecionando uma s\u00e9rie de derrotas em projetos considerados vitais para a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas.   <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que os problemas enfrentados pela China provocam turbul\u00eancias e podem ter consequ\u00eancias para a economia. Mas a fragilidade do Brasil se deve a problemas criados no pa\u00eds. A economia est\u00e1 mal e a crise pol\u00edtica aumenta a vulnerabilidade\u201d, afirma Evandro Buccini, economista-chefe da Rio Bravo Investimentos. \u201cInfelizmente, o Brasil n\u00e3o fez o dever de casa para sair do grupo dos piores. E isso se torna um problema maior quando o mundo n\u00e3o vai bem\u201d, acrescenta.   <\/p>\n<p><b>D\u00edvida das fam\u00edlias<\/b>   <\/p>\n<p>A perspectiva \u00e9 de que, daqui por diante, o mau humor em rela\u00e7\u00e3o ao governo s\u00f3 aumente. Os n\u00fameros que ser\u00e3o divulgados nos pr\u00f3ximos dias mostrar\u00e3o que a situa\u00e7\u00e3o da economia \u00e9 muito pior do que o imaginado. Na vida real, as fam\u00edlias sabem bem disso. Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), muitos lares est\u00e3o sendo obrigados a recorrer a empr\u00e9stimos para cobrir despesas do dia a dia, uma vez que o or\u00e7amento foi destro\u00e7ado pela infla\u00e7\u00e3o alta. O agravante \u00e9 que o endividamento est\u00e1 se dando a juros extorsivos, que v\u00e3o levar ao calote.   <\/p>\n<p>Em pesquisa que ser\u00e1 divulgada hoje, a CNC mostrar\u00e1 que o n\u00famero de fam\u00edlias endividadas atingiu, em agosto, o n\u00edvel mais elevado do ano: 62,7%. O total de lares com d\u00e9bitos em atraso tamb\u00e9m aumentou, para 22,4%, assim como o n\u00famero de fam\u00edlias sem condi\u00e7\u00f5es de honrar os compromissos \u2014 em agosto de 2014, eram 6,5%; agora, s\u00e3o 8,4%. Pelo levantamento da entidade, a dissemina\u00e7\u00e3o do endividamento se d\u00e1 entre os que ganham menos de 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos por m\u00eas e os que recebem mais do que isso.   <\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Buccini, da Rio Bravo, esse quadro s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 pior porque os bancos est\u00e3o mais seletivos na concess\u00e3o de cr\u00e9dito. \u201cVamos ver a inadimpl\u00eancia crescer, mas n\u00e3o na velocidade do passado, devido \u00e0 prud\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es financeiras\u201d, ressalta. Ele lembra que, nos pr\u00f3ximos meses, veremos muitas pessoas que foram demitidas, mas continuaram pagando as d\u00edvidas com recursos do seguro-desemprego, avisando que, com o fim do benef\u00edcio, honrar d\u00e9bitos com bancos j\u00e1 n\u00e3o estar\u00e1 mais na lista de suas prioridades.   <\/p>\n<p><b>Rumo ao quarto quantitative easing<\/b>&nbsp;\u00bb Analistas internacionais come\u00e7aram a cogitar a possibilidade de, com o agravamento da crise mundial, os Estados Unidos fazerem uma quarta etapa do quantitative easing, mecanismo pelo qual o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, injeta recursos na economia.&nbsp;<b>Onda de defla\u00e7\u00e3o<\/b>&nbsp;\u00bb O Banco Central brasileiro acredita que a turbul\u00eancia chinesa poder\u00e1 espalhar uma onda de defla\u00e7\u00e3o pelo mundo. Os analistas do pa\u00eds, no entanto, ainda n\u00e3o contabilizam tal hip\u00f3tese em suas proje\u00e7\u00f5es. Tanto que, novamente, elevaram as estimativas de infla\u00e7\u00e3o para 2016.&nbsp;<b>Encanto est\u00e1 acabando<\/b>&nbsp;\u00bb O ministro Joaquim Levy se disse ontem firme no cargo. Mas ele j\u00e1 demonstrou, por mais de uma vez, que est\u00e1 perdendo o encanto com a miss\u00e3o que lhe foi dada por Dilma.   <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise detonada pela China, que arrasou os mercados ontem, mostrou que o que est\u00e1 ruim no Brasil pode ficar pior. 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