{"id":178,"date":"2015-08-29T00:01:00","date_gmt":"2015-08-29T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/cronica_do_desastre\/"},"modified":"2015-08-29T00:01:00","modified_gmt":"2015-08-29T03:01:00","slug":"cronica_do_desastre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/cronica_do_desastre\/","title":{"rendered":"CR\u00d4NICA DO DESASTRE"},"content":{"rendered":"\n<p>O sil\u00eancio ensurdecedor do governo sobre o terr\u00edvel resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano \u2014 queda de 1,9% ante os tr\u00eas meses anteriores \u2014 d\u00e1 a dimens\u00e3o dos erros cometidos pela presidente Dilma Rousseff na economia. A perversa combina\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o alta, juros elevados, contas p\u00fablicas em frangalhos, cr\u00e9dito escasso, corros\u00e3o da renda, desconfian\u00e7a, desemprego e crise pol\u00edtica n\u00e3o apenas destruiu o presente como comprometeu o futuro do pa\u00eds. Para sair do atoleiro em que se encontra, o Brasil precisar\u00e1 de pelo menos tr\u00eas anos de pol\u00edticas econ\u00f4micas respons\u00e1veis. O dif\u00edcil \u00e9 acreditar que Dilma ser\u00e1 capaz de faz\u00ea-lo.&nbsp;O resultado do PIB \u00e9 um desastre de qualquer ponto de vista que seja analisado. Motor do crescimento nos \u00faltimos anos, o consumo das fam\u00edlias foi dilacerado pela carestia. Os consumidores foram obrigados a tirar itens essenciais do carrinho de supermercado porque o or\u00e7amento n\u00e3o comportava mais. Parte da renda foi comprometida com o aumento das tarifas p\u00fablicas, em especial, as da energia el\u00e9trica, que, na m\u00e9dia, subiram mais de 50% neste ano. A corros\u00e3o do poder de compra est\u00e1 levando ao calote, que tende a se intensificar nos pr\u00f3ximos meses, \u00e0 medida que o desemprego for crescendo.&nbsp;Pelos c\u00e1lculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o consumo das fam\u00edlias caiu pelo segundo trimestre consecutivo \u2014 1,5% e 2,1%, respectivamente \u2014, fato que n\u00e3o se via h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Como a infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 rodando acima de 9% no acumulado de 12 meses at\u00e9 pelo menos abril do pr\u00f3ximo ano, n\u00e3o h\u00e1 como acreditar em recupera\u00e7\u00e3o da demanda. Por isso, os analistas ampliaram as proje\u00e7\u00f5es de retra\u00e7\u00e3o do PIB para 2015 e 2016. Consumo fraco das fam\u00edlias significa menos vendas do varejo e encomendas menores \u00e0 ind\u00fastria.&nbsp;\u00c9 esse ciclo vicioso que explica a brutal queda dos investimentos \u2014 somente entre abril e junho, o tombo chegou a 8,1%. J\u00e1 s\u00e3o oito os trimestres seguidos de contra\u00e7\u00e3o nos desembolsos das empresas. Os agentes econ\u00f4micos n\u00e3o investem porque, quando olham para a frente, n\u00e3o veem perspectivas de melhoras. Muito pelo contr\u00e1rio. Assim, diante da gravidade da crise pol\u00edtica, que aprofunda os problemas da economia, preferem manter o dinheiro em caixa do que arcar com preju\u00edzos por causa da fragilidade do consumo. Sem investimentos, n\u00e3o h\u00e1 como se falar em retomada do crescimento.&nbsp;Em meio ao caos provocado por Dilma, nem o setor de servi\u00e7os, que reponde por mais de 71% do PIB do lado da oferta, conseguiu se manter de p\u00e9. Apesar de o n\u00edvel de atividade vir se desacelerando desde meados de 2013, tal segmento vinha funcionando como um amortecedor, sobretudo na quest\u00e3o do emprego. Muitos trabalhadores demitidos pela ind\u00fastria acabaram sendo absorvidos pelo setor de servi\u00e7os, o que ajuda a explicar o fato de as taxas de desocupa\u00e7\u00e3o ficarem t\u00e3o baixas por tanto tempo, a despeito de a economia estar afundando. Agora, a situa\u00e7\u00e3o desandou por completo.&nbsp;<b>Engana\u00e7\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>Os dados do IBGE remetem para as declara\u00e7\u00f5es de Dilma de que ela foi surpreendida pela crise que devastou a economia. Nos \u00faltimos oito trimestres, em quatro deles, o PIB registrou queda. Em outros dois, o indicador teve varia\u00e7\u00e3o zero. Na m\u00e9dia, a economia registrou contra\u00e7\u00e3o trimestral de 0,38%, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 como a presidente n\u00e3o ter percebido que a pol\u00edtica que ela executava, a nova matriz econ\u00f4mica, estava afundando o pa\u00eds e contratando o desemprego, que se tornou o maior fantasma para as fam\u00edlias.&nbsp;Esperava-se que, depois de tantos erros, Dilma recuperasse o bom senso. Ledo engano. Agora, ela resolveu ressuscitar a CMPF, o imposto sobre movimenta\u00e7\u00e3o financeira, para tentar fechar o caixa em 2016 e, depois de dois anos consecutivos de rombo nas contas p\u00fablicas, finalmente cumprir a meta de superavit prim\u00e1rio, de 0,7% do PIB, prometida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O governo, com sua mania de engana\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ou a proposta de recria\u00e7\u00e3o do tributo com outro nome, Contribui\u00e7\u00e3o Interfederativa da Sa\u00fade CIS), prometendo rate\u00e1-lo com estados e munic\u00edpios. Mas acabou admitindo que 98% dos recursos arrecadados ficar\u00e3o com a Uni\u00e3o.&nbsp;A proposta de ressurgimento da CPMF s\u00f3 alimenta a onda de desconfian\u00e7a que est\u00e1 travando a economia. Implantado, o tributo retirar\u00e1 renda das fam\u00edlias e encarecer\u00e1 o custo de produ\u00e7\u00e3o das empresas. Nesse contexto, o imposto ser\u00e1 mais um empecilho para a recupera\u00e7\u00e3o da economia. Metendo os p\u00e9s pelas m\u00e3os, a presidente s\u00f3 estimula as incertezas. E a fatura, todos n\u00f3s sabemos, cair\u00e1 no colo do lado mais fraco, a popula\u00e7\u00e3o, sobretudo da mais pobre, que, at\u00e9 Dilma ser reeleita, acreditava piamente que dias melhores estavam por vir.&nbsp;<b>Potencial e loucura<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb Nos c\u00e1lculos da Rosenberg Associados, na melhor das hip\u00f3teses, o Brasil s\u00f3 voltar\u00e1 a crescer pr\u00f3ximo de seu potencial, de 2%, a partir de 2018. Isso, se o governo n\u00e3o cometer mais nenhuma loucura na economia.&nbsp;<b>Dilma, a pior do pior<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb Realmente, Dilma entrar\u00e1 para a hist\u00f3ria como a pior presidente dos \u00faltimos 85 anos. Ela far\u00e1 a proeza de acumular dois anos de queda do PIB. N\u00e3o por acaso, at\u00e9 o criador dela, Lula, j\u00e1 v\u00ea com bons olhos a ren\u00fancia da petista.&nbsp;<b>Desejo e realidade<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb Para o governo, o Banco Central deve ser bem claro na sua comunica\u00e7\u00e3o ao mercado ap\u00f3s a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) da pr\u00f3xima semana. Ter\u00e1 que dizer que, definitivamente, n\u00e3o subir\u00e1 mais os juros.&nbsp;<b>Torcida para recupera\u00e7\u00e3o<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb A torcida dentro do Planalto \u00e9 para que o BC comece a cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) no primeiro trimestre de 2016. Ser\u00e1 um fato positivo para convencer os empres\u00e1rios de que a recupera\u00e7\u00e3o da economia est\u00e1 mais pr\u00f3xima.  <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio ensurdecedor do governo sobre o terr\u00edvel resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano \u2014 queda de 1,9% ante os tr\u00eas meses anteriores \u2014 d\u00e1 a dimens\u00e3o dos erros cometidos pela presidente Dilma Rousseff na economia. 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