{"id":1791,"date":"2016-07-03T12:10:19","date_gmt":"2016-07-03T15:10:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1791"},"modified":"2016-07-08T09:27:48","modified_gmt":"2016-07-08T12:27:48","slug":"pesada-fatura-do-desperdicio-de-capital-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pesada-fatura-do-desperdicio-de-capital-humano\/","title":{"rendered":"A pesada fatura do desperd\u00edcio de capital humano"},"content":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO E RODOLFO COSTA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para um pa\u00eds que se ressente de m\u00e3o de obra especializada, desperdi\u00e7ar capital humano custar\u00e1 muito caro quando a economia voltar a crescer. \u201cEsse \u00e9 um dos piores males da recess\u00e3o e do desemprego\u201d, diz o economista Bruno Ottoni, especialista em mercado de trabalho do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV). Os desocupados deixam de acumular experi\u00eancia profissional, ficam desatualizados e perdem produtividade. \u201cEm um mundo competitivo, isso significa dizer que ficaremos para tr\u00e1s mais uma vez\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os efeitos negativos da crise econ\u00f4mica ser\u00e3o sentidos por anos, reconhece Ottoni. Na constru\u00e7\u00e3o civil, por exemplo, que tem peso importante para a ind\u00fastria e os investimentos, a rea\u00e7\u00e3o ser\u00e1 lenta e gradual. H\u00e1 muita ociosidade, obras paradas e im\u00f3veis prontos encalhados. \u201cN\u00e3o por acaso, os engenheiros encontram dificuldade para encontrar trabalho quando saem da universidade\u201d, destaca. \u201cE v\u00e3o continuar encontrando, pois estamos longe de uma recupera\u00e7\u00e3o consistente da atividade.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O quadro est\u00e1 t\u00e3o dram\u00e1tico, acrescenta o economista da FGV, que, al\u00e9m da dificuldade de se conseguir uma vaga no mercado formal, os brasileiros que conseguem emprego est\u00e3o ganhando menos. Pelas contas dele, o sal\u00e1rio m\u00e9dio dos que tem sido contratado est\u00e1, em m\u00e9dia, 15% abaixo frente \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o de quem foi dispensado. O c\u00e1lculo leva em conta os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Minist\u00e9rio do Trabalho. \u201cA mudan\u00e7a desse cen\u00e1rio passa pela retomada do crescimento econ\u00f4mico. Mas as previs\u00f5es apontam que esse processo ser\u00e1 lento\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Des\u00e2nimo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ottoni estima que o desemprego chegar\u00e1 a 12,5% em dezembro pr\u00f3ximo e a 13% ao longo de 2017, previs\u00e3o considerada otimista por muitos analistas, dado o estrago que se viu na economia. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, quando o pa\u00eds sair do atoleiro, a recupera\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) ser\u00e1 muito lenta. E n\u00e3o apenas por causa do desastre provocado pela administra\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff. Tamb\u00e9m o atual governo tem sua parcela de culpa ao manter uma postura d\u00fabia. Ao mesmo tempo em que promete fazer um ajuste fiscal consistente, aumenta gastos paga obter apoio pol\u00edtico. Esse tipo de comportamento adia a retomada da confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sendo assim, avalia Ottoni, a gera\u00e7\u00e3o de vagas no mercado formal de trabalho s\u00f3 vai superar os desligamentos a partir de 2018. \u201cNo ano passado, os brasileiros passaram a trabalhar por conta pr\u00f3pria, tanto que esse tipo de ocupa\u00e7\u00e3o cresceu 4,4%. Mas, agora, o que vemos \u00e9 uma tend\u00eancia redu\u00e7\u00e3o nesse movimento\u201d, afirma. A recess\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 minando os sonhos de quem acredita que pode se virar sem a tradicional carteira assinada. Empreender ficou muito mais complicado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), somente nos trimestre terminado em maio, 314 mil pessoas tiveram que fechar o pr\u00f3prio neg\u00f3cio ante os tr\u00eas meses imediatamente anteriores. Agora, s\u00e3o 22,6 milh\u00f5es de pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o. Diante dessa retra\u00e7\u00e3o, o rendimento m\u00e9dio real desses trabalhadores caiu 3% em igual per\u00edodo, para R$ 1.504. Quem est\u00e1 nessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o vendedor Patrick Batista, 33 anos, que, desempregado, virou vendedor ambulante. \u201cSe n\u00e3o fosse isso, passaria fome\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2014, ele trabalhava como ajudante de cozinha em Goi\u00e2nia, mas pediu as contas e partiu para Bras\u00edlia imaginando dias melhores. A mudan\u00e7a, no entanto, o desapontou. Na capital federal, passou a trabalhar com bicos de pintor e ajudante de pedreiro, a uma di\u00e1ria de R$ 70. Nos melhores per\u00edodos, conseguia R$ 1,6 mil por m\u00eas. \u00c0 medida que a recess\u00e3o se aprofundava, a renda ca\u00eda junto. \u201cChegou um momento que j\u00e1 n\u00e3o tinha como pagar mais as contas\u201d, relata. \u201cO mais triste \u00e9 que, quando olhamos para a frente, n\u00e3o vemos sa\u00edda, a n\u00e3o ser andar para tr\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 12h10min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO E RODOLFO COSTA &nbsp; Para um pa\u00eds que se ressente de m\u00e3o de obra especializada, desperdi\u00e7ar capital humano custar\u00e1 muito caro quando a economia voltar a crescer. \u201cEsse \u00e9 um dos piores males da recess\u00e3o e do desemprego\u201d, diz o economista Bruno Ottoni, especialista em mercado de trabalho do Instituto Brasileiro de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[600,1],"tags":[534,533,531,71,532,535],"class_list":["post-1791","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-sem-categoria","tag-bruno-ottoni","tag-capital-humano","tag-conta-propria","tag-desemprego","tag-desperdicio","tag-fgv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1791"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1791\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1792,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1791\/revisions\/1792"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}