{"id":18,"date":"2015-01-18T21:01:00","date_gmt":"2015-01-18T23:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pacientes_custam_caro_aos_cofres_do_pais\/"},"modified":"2015-01-18T21:01:00","modified_gmt":"2015-01-18T23:01:00","slug":"pacientes_custam_caro_aos_cofres_do_pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pacientes_custam_caro_aos_cofres_do_pais\/","title":{"rendered":"PACIENTES CUSTAM CARO AOS COFRES DO PA\u00cdS"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/23d74a94a928d4b281c180ce33d3b9ec.jpg\"> <\/p>\n<p><b>&gt;&gt; DIEGO AMORIM<\/b> <\/p>\n<p>Quando um b\u00eabado desponta na emerg\u00eancia de um hospital p\u00fablico, seguran\u00e7as, enfermeiros e m\u00e9dicos j\u00e1 sabem que ter\u00e3o trabalho redobrado. Atender um paciente alcoolizado chega a levar seis vezes mais tempo do que um s\u00f3brio com os mesmos sintomas. A equipe precisa ser refor\u00e7ada. Geralmente, utilizam-se mais medicamentos e materiais, e o per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o no leito, se for o caso, tamb\u00e9m costuma ser maior. <\/p>\n<p>O \u00e1lcool est\u00e1 relacionado a 16,3% dos atendimentos por acidentes e viol\u00eancias em unidades de urg\u00eancia do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) nas capitais e no Distrito Federal, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Responde por metade das interna\u00e7\u00f5es por agress\u00f5es, 36,7% dos casos de les\u00f5es autoprovocadas, 11,1% dos atendimentos por quedas e 4,3% das entradas por queimaduras em prontos-socorros. <\/p>\n<p>O impacto do alcoolismo na rede p\u00fablica de sa\u00fade, afirma o psiquiatra Enrin Hunter, \u00e9 ainda maior do que as estat\u00edsticas conseguem captar. Aos 72 anos e considerado refer\u00eancia no tratamento do alcoolismo, ele calcula que quatro em cada 10 atendimentos no Brasil guardam algum tipo de rela\u00e7\u00e3o com o \u00e1lcool. \u201c\u00c9 preciso contabilizar at\u00e9 mesmo as mulheres que caem na depress\u00e3o por conta do v\u00edcio do marido\u201d, exemplifica. <\/p>\n<p>Mesmo com idade para se aposentar, Hunter segue trabalhando firme no Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS) especializado em \u00e1lcool e drogas de Ceil\u00e2ndia, a cidade mais populosa do Distrito Federal. Apenas em 2014, a unidade registrou 18 mil atendimentos, sendo 80% associados ao \u00e1lcool. Toda semana, o m\u00e9dico da Secretaria de Sa\u00fade do DF visita leitos de hospitais para \u201cpescar\u201d pacientes alcoolizados e dar a eles aten\u00e7\u00e3o especializada. <\/p>\n<p>Por ano, diz Hunter, o pa\u00eds deixa de economizar milh\u00f5es de reais por estrat\u00e9gias equivocadas no combate ao alcoolismo. Um paciente b\u00eabado, detalha ele, jogado em uma emerg\u00eancia provavelmente ser\u00e1 internado por intoxica\u00e7\u00e3o \u2014 com custo elevado de exames e ocupa\u00e7\u00e3o de leito \u2014, mas logo receber\u00e1 alta e voltar\u00e1 a beber. \u201cO alcoolismo \u00e9 doen\u00e7a e precisa de uma vez por todas ser tratado como tal\u201d, defende, com veem\u00eancia. <\/p>\n<p>Se uma pessoa que n\u00e3o bebe necessita de atendimento m\u00e9dico duas vezes por ano, os alco\u00f3licos demandam o servi\u00e7o at\u00e9 cinco vezes mais. As equipes m\u00e9dicas, acrescenta Hunter, est\u00e3o pouco atentas a essa realidade. O psiquiatra lembra de um paciente de 30 anos que se envolveu b\u00eabado em uma briga e, ferido, precisou receber pinos nas pernas. Ap\u00f3s a alta m\u00e9dica, entrou em abstin\u00eancia e arrancou os ferros, necessitando de nova interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, com custo para o Estado. \u201cOs recursos est\u00e3o mal alocados. O Brasil precisa de leitos pr\u00f3prios para tratar alcoolismo\u201d, sugere o psiquiatra Leonardo Moreira, especialista em depend\u00eancia qu\u00edmica. <\/p>\n<p>Em per\u00edodos festivos, como carnaval, Natal e ano-novo, m\u00e9dicos e enfermeiros temem a escala dos plant\u00f5es noturnos. A maior parte dos atendimentos nas emerg\u00eancias tem a ver com \u00e1lcool. \u201cS\u00e3o pacientes envolvidos em quedas, brigas, acidentes. Causam um grande dist\u00farbio no ambiente hospitalar e aumentam o estresse da equipe\u201d, comenta o psiquiatra Jorge Jaber, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad). <\/p>\n<p>Seguran\u00e7as pagos pelo Estado para cuidar do patrim\u00f4nio p\u00fablico n\u00e3o raramente s\u00e3o obrigados a tamb\u00e9m entrarem em consult\u00f3rios para conter b\u00eabados. \u201cO paciente alcoolizado quase sempre n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de censura: grita, cospe, bate, fala palavr\u00e3o, se acha o dono do peda\u00e7o\u201d, relata a m\u00e9dica Izabel Carneiro Campelo, com 30 anos de experi\u00eancia na rede p\u00fablica de Goi\u00e1s e do Maranh\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que alguns m\u00e9dicos t\u00eam medo de atender pacientes com sintomas de embriaguez\u201d, completa. <\/p>\n<p>\u00c0s 15h do primeiro dia deste ano, um paciente chegou a um hospital de Aparecida de Goi\u00e2nia (GO) com um profundo corte na perna. Ele havia ca\u00eddo de moto, b\u00eabado, na noite do r\u00e9veillon, mas preferiu ir para casa dormir a procurar um m\u00e9dico. Na mesma unidade, a pol\u00edcia acabou sendo chamada para deter uma jovem, tamb\u00e9m alcoolizada, que estava tirando a roupa na emerg\u00eancia. \u201cOs pacientes embriagados atrasam atendimentos e tumultuam o hospital\u201d, refor\u00e7a Izabel. <\/p>\n<p><b>Porta aberta \u00e0 falta de limites<\/b> <\/p>\n<p>O fen\u00f4meno das festas open bar preocupa pesquisadores do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Pagar uma quantia fixa para beber \u00e0 vontade, avaliam, funciona como convite escancarado \u00e0 embriaguez. N\u00e3o por acaso, os postos m\u00e9dicos nesses lugares costumam ficar lotados no fim da noite. \u201cMuitos passam a festa inteira bebendo e sem tomar \u00e1gua ou se alimentar\u201d, comenta a m\u00e9dica Deborah Malta. No Distrito Federal, um projeto de lei ainda n\u00e3o sancionado quer regulamentar a venda de ingressos para esse tipo de ambiente. \u201cO que mais vemos nesses casos s\u00e3o jovens extremamente b\u00eabados por n\u00e3o saberem dosar o limite\u201d, alega o ex-deputado Al\u00edrio Neto (PEN), autor da proposta. <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 21h01min<\/i> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&gt;&gt; DIEGO AMORIM Quando um b\u00eabado desponta na emerg\u00eancia de um hospital p\u00fablico, seguran\u00e7as, enfermeiros e m\u00e9dicos j\u00e1 sabem que ter\u00e3o trabalho redobrado. Atender um paciente alcoolizado chega a levar seis vezes mais tempo do que um s\u00f3brio com os mesmos sintomas. A equipe precisa ser refor\u00e7ada. 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