{"id":180,"date":"2015-09-01T11:32:00","date_gmt":"2015-09-01T14:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ma_companhia\/"},"modified":"2015-09-01T11:32:00","modified_gmt":"2015-09-01T14:32:00","slug":"ma_companhia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ma_companhia\/","title":{"rendered":"M\u00c1 COMPANHIA"},"content":{"rendered":"\n<p>A proposta de Or\u00e7amento para 2016, que o governo encaminhou ao Congresso ontem, foi apresentada pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, como a pe\u00e7a mais realista poss\u00edvel. Foram gentis. O documento \u00e9 um resumo do desastre que tem sido a administra\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff e do custo que ela est\u00e1 impondo ao pa\u00eds.&nbsp;Os n\u00fameros s\u00e3o assustadores. O pa\u00eds ter\u00e1, pelo terceiro ano consecutivo, deficit prim\u00e1rio, quando deveria estar economizando para pagar juros da d\u00edvida p\u00fablica. J\u00e1 houve um buraco de R$ 32,5 bilh\u00f5es em 2014, haver\u00e1 rombo neste ano \u2014 a d\u00favida \u00e9 de quanto \u2014 e a perspectiva \u00e9 de que o governo feche no vermelho em R$ 30,5 bilh\u00f5es em 2016.&nbsp;Supondo que o rombo de 2015 fique no limite previsto em documento enviado ao Congresso, de R$ 17,7 bilh\u00f5es, em apenas tr\u00eas anos, Dilma ser\u00e1 respons\u00e1vel por um deficit prim\u00e1rio de R$ 80,7 bilh\u00f5es. Em qualquer pa\u00eds s\u00e9rio, o presidente da Rep\u00fablica teria que explicar \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica a raz\u00e3o de ter sido t\u00e3o irrespons\u00e1vel na administra\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as do pa\u00eds.&nbsp;As consequ\u00eancias desse descalabro fiscal est\u00e3o nas ruas, nas f\u00e1bricas, nas casas das fam\u00edlias. Dilma espalhou a desconfian\u00e7a, jogou a infla\u00e7\u00e3o nas alturas, n\u00e3o deixou outra alternativa ao Banco Central a n\u00e3o ser aumentar os juros e, por tabela, levou ao desemprego. O n\u00famero de trabalhadores que voltaram \u00e0 informalidade \u00e9 espantoso. O total de pessoas que n\u00e3o conseguem pagar suas d\u00edvidas disparou. O fechamento de empresas bate recorde.&nbsp;Se fosse uma administradora respons\u00e1vel, a gerentona que foi vendida, de forma enganosa, na campanha eleitoral para o primeiro mandato n\u00e3o teria deixado as contas p\u00fablicas desandarem. Elas s\u00e3o vitais para garantir um clima de normalidade no pa\u00eds. Finan\u00e7as equilibradas tiram a press\u00e3o sobre a infla\u00e7\u00e3o, permitem que os juros se mantenham em patamares civilizados, estimulam os investimentos em \u00e1reas estrat\u00e9gicas, como educa\u00e7\u00e3o e infraestrutura.&nbsp;O Or\u00e7amento de 2016 mostra exatamente o contr\u00e1rio. Explicita um pa\u00eds prestes a explodir. Dilma criou tantas amarras para os gastos que n\u00e3o h\u00e1 como reduzi-los, n\u00e3o na propor\u00e7\u00e3o que permitiria, em pouco tempo, a arruma\u00e7\u00e3o da casa. As despesas totais, pelas proje\u00e7\u00f5es apresentadas por Barbosa, v\u00e3o aumentar R$ 104,8 bilh\u00f5es, ou 0,4 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB). As receitas, por sua vez, crescer\u00e3o R$ 76,5 bilh\u00f5es, sendo R$ 11,2 bilh\u00f5es por meio de eleva\u00e7\u00e3o de impostos.&nbsp;O resultado disso \u00e9 que os principais indicadores fiscais v\u00e3o piorar, talvez, mostrando alguma rea\u00e7\u00e3o a partir de 2019, quando Dilma j\u00e1 ter\u00e1 sa\u00eddo pelas portas dos fundos do Pal\u00e1cio do Planalto. A d\u00edvida l\u00edquida, que o governo gosta de dizer que est\u00e1 sob controle, saltar\u00e1 de 36,1% para 39% no PIB de 2015 para 2016 \u2014 isso, na melhor das hip\u00f3teses. Aumentar\u00e1 para 40,2% em 2017 e fechar\u00e1 o segundo mandato da petista em 40,1%, caindo para 39,9% em 2019. J\u00e1 a d\u00edvida bruta, que os investidores levam em considera\u00e7\u00e3o, avan\u00e7ar\u00e1 de 65,5% para 68,4% no ano que vem.&nbsp;Diante desses n\u00fameros, n\u00e3o h\u00e1 como evitar o rebaixamento do pa\u00eds pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco. A volta do Brasil ao time dos caloteiros empurrar\u00e1 rapidamente o d\u00f3lar para os R$ 4, dar\u00e1 f\u00f4lego novo \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, agravar\u00e1 a recess\u00e3o e detonar\u00e1 a vida de empresas que t\u00eam d\u00edvidas no exterior. Muitas ter\u00e3o de honrar integralmente os d\u00e9bitos no vencimento, quando o normal \u00e9 rolar parte das d\u00edvidas, e aquelas que forem atr\u00e1s de cr\u00e9dito, se conseguirem, ser\u00e3o obrigadas a arcar com juros extorsivos. O conjunto da obra ser\u00e1 menos investimentos e menos empregos.&nbsp;<b>Benesses<\/b>&nbsp;Se realmente quisessem mostrar que o governo est\u00e1 dando o exemplo e cortando gastos, os ministros do Planejamento e da Fazenda deveriam ter mostrado uma planilha das despesas, todas abertas. As equipes dos minist\u00e9rios tiveram tempo de sobra para mapear as informa\u00e7\u00f5es. H\u00e1 muito o que cortar: pessoal, viagens, remo\u00e7\u00e3o de servidores, benesses para apadrinhados. Certamente, muitos que hoje se beneficiam da m\u00e1quina inchada alegariam que, nesses casos, estaria se falando de ninharias. N\u00e3o \u00e9 bem assim.&nbsp;O governo \u00e9 perdul\u00e1rio, gere mal seus recursos, fecha os olhos para a corrup\u00e7\u00e3o \u2013 a grande e as do dia a dia. Mas acredita que a popula\u00e7\u00e3o e as empresas podem, eternamente, financiar essa farra. Era isso que Dilma faria com a CPMF, caso o imposto sobre o cheque fosse ressuscitado. Felizmente, um sopro de bom senso prevaleceu e o tributo, por enquanto, desapareceu do radar. Mas \u00e9 bom ficar ligado. Gente gra\u00fada do governo acredita que um movimento patrocinado pelos governadores pode acabar convencendo o Congresso de que o dinheiro proveniente da CPMF ajudar\u00e1 muita gente.&nbsp;Para tentar esconder as mazelas que procovou nos \u00faltimos anos, usando e abusando dos recursos retirados da sociedade, Dilma pode lan\u00e7ar m\u00e3o de outras maluquices. Por mais que o ministro da Fazenda tente dar um ar de seriedade ao governo, \u00e9 importante lembrar que ele j\u00e1 n\u00e3o tem mais a influ\u00eancia que demostrava quando chegou \u00e0 Esplanada. Na verdade, Levy se tornou uma pe\u00e7a acess\u00f3ria. As cartas est\u00e3o sendo dadas pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e por Nelson Barbosa, ambos fiadores da pol\u00edtica do primeiro mandato de Dilma, que empurrou o Brasil para o buraco. A petista, pelo que se viu e se v\u00ea, gosta de andar mal acompanhada.&nbsp;&nbsp;<b>Desemprego vai a 12%<\/b>&nbsp;\u00bb Os analistas mais pessimistas j\u00e1 falam em taxa de desemprego de 12% no in\u00edcio de 2016. Acreditam que as empresas que ainda estavam na d\u00favida se cortavam ou n\u00e3o funcion\u00e1rios se renderam \u00e0 realidade de recess\u00e3o profunda e prolongada, na qual o Brasil mergulhou. <\/p>\n<p><b>Entre os caloteiros<\/b>&nbsp;\u00bb Praticamente toda a equipe econ\u00f4mica d\u00e1 como certa a perda do grau de investimentos pelo Brasil nos pr\u00f3ximos meses. As ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco n\u00e3o v\u00e3o se render ao discurso de que, agora, tudo est\u00e1 sendo feito como manda o figurino.<i> <\/p>\n<p><\/i><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A proposta de Or\u00e7amento para 2016, que o governo encaminhou ao Congresso ontem, foi apresentada pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, como a pe\u00e7a mais realista poss\u00edvel. Foram gentis. 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