{"id":182,"date":"2015-09-02T11:37:00","date_gmt":"2015-09-02T14:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/falta_de_limites\/"},"modified":"2015-09-02T11:37:00","modified_gmt":"2015-09-02T14:37:00","slug":"falta_de_limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/falta_de_limites\/","title":{"rendered":"FALTA DE LIMITES"},"content":{"rendered":"\n<p>Os problemas criados pelo governo v\u00e3o tornar a vida do Banco Central mais dif\u00edcil. N\u00e3o bastasse o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, ter colocado o cargo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o caso a presidente Dilma Rousseff lhe retire o status de ministro, o an\u00fancio de que o pa\u00eds ter\u00e1, em 2016, deficit de R$ 30,5 bilh\u00f5es nas contas p\u00fablicas provocou enormes focos de press\u00e3o inflacion\u00e1ria. Tudo est\u00e1 jogando para minar a perspectiva do BC de levar a infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 dezembro do pr\u00f3ximo ano. E, pior, impor juros ainda mais altos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e \u00e0s empresas.&nbsp;A inten\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) \u00e9 de manter a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 14,25% ao ano na reuni\u00e3o de hoje e sustentar esse patamar at\u00e9 pelo menos o fim do primeiro semestre de 2016, quando se espera que a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses, que encosta nos 10%, comece a cair com for\u00e7a. A partir da\u00ed, o BC j\u00e1 se sentiria confort\u00e1vel para dar in\u00edcio a um processo de corte nos juros. Esse quadro, por\u00e9m, come\u00e7ou a ser atropelado pelo governo.&nbsp;Ao mostrar descompromisso com o ajuste fiscal e resistir em cortar gastos, Dilma provocou p\u00e2nico entre os investidores. O d\u00f3lar atingiu ontem R$ 3,70, a maior cota\u00e7\u00e3o desde dezembro de 2002 \u2014 antes, portanto, de Lula tomar posse para o primeiro mandato. Com a moeda norte-americana nesse n\u00edvel, n\u00e3o h\u00e1 como a infla\u00e7\u00e3o cair. Nas contas do pr\u00f3prio BC, a cada 10% de alta da divisa dos Estados Unidos, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) sobe 0,5 ponto percentual ao longo de 12 meses. S\u00f3 para se ter uma ideia dessa press\u00e3o, o d\u00f3lar j\u00e1 acumula valoriza\u00e7\u00e3o de 38,7% neste ano.&nbsp;Mas os problemas v\u00e3o al\u00e9m, lembra o economista-chefe da Itaim Asset, Ivo Chermont. Ao n\u00e3o poupar recursos para pagar juros da d\u00edvida, o chamado superavit prim\u00e1rio, o governo tamb\u00e9m estimula a infla\u00e7\u00e3o, pois significa mais gastos. Em todos os seus documentos, o BC tem deixado claro o quanto um governo respons\u00e1vel com as finan\u00e7as p\u00fablicas \u00e9 importante para levar a infla\u00e7\u00e3o ao centro da meta. Nesse ponto, por\u00e9m, a autoridade monet\u00e1ria s\u00f3 tem colecionado decep\u00e7\u00f5es.&nbsp;Por isso, destaca Chermont, o BC est\u00e1 perdendo a batalha do controle das expectativas, o que se torna mais um componente a pressionar o custo de vida. A meta da autoridade monet\u00e1ria era ancorar as proje\u00e7\u00f5es para o IPCA dos pr\u00f3ximos anos no centro da meta. At\u00e9 estava conseguindo. Contudo, com os sinais de descontrole fiscal e a fragilidade do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, as estimativas voltaram a descolar dos planos do BC. Para 2016, 90% das cerca de 100 institui\u00e7\u00f5es ouvidas semanalmente pelo time comandado por Tombini preveem taxas entre 5% e 6%. Em 2017, a m\u00e9dia do mercado est\u00e1 em 4,6%, com vi\u00e9s total de alta.&nbsp;\u201cA continuar o quadro atual, de tantas incertezas, n\u00e3o ser\u00e1 surpresa para n\u00f3s se, em vez de cortar juros, o BC voltar a discutir a eleva\u00e7\u00e3o da Selic em 2016, mesmo com a economia em recess\u00e3o\u201d, diz Chermont. Ele n\u00e3o descarta a necessidade de um aperto monet\u00e1rio se tornar iminente, caso Levy ou Tombini \u2014 ou ambos \u2014 deixe o governo. A probabilidade de isso acontecer aumentou bastante, sobretudo diante da proemin\u00eancia que Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, e Aloizio Mercadante, Casa Civil, ganharam na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica do pa\u00eds.&nbsp;<b>Paci\u00eancia esgotada<\/b> <\/p>\n<p>Juros mais altos significam menos consumo e menos investimentos, o que, na ponta final, resultar\u00e1 em mais desemprego. Sendo assim, soa falso a presidente Dilma dizer que a grande preocupa\u00e7\u00e3o de seu governo \u00e9 com o emprego. As demiss\u00f5es em massa que est\u00e3o ocorrendo Brasil afora t\u00eam a digital do Pal\u00e1cio do Planalto. A cada erro cometido pela presidente da Rep\u00fablica, a economia sente o tranco e vai encolhendo, at\u00e9 que as empresas n\u00e3o suportam mais e s\u00e3o obrigadas a fechar postos de trabalho.&nbsp;Quando come\u00e7ou o segundo mandato, muita gente acreditou que a petista havia aprendido a li\u00e7\u00e3o. Deu-se uma lua de mel entre ela e o mercado financeiro. Mas essa boa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o demorou a azedar. Aos poucos, Dilma foi tirando a for\u00e7a de Levy e empoderando Barbosa e Mercadante, dos quais os investidores t\u00eam horror, porque representam a pol\u00edtica que vigorou nos \u00faltimos quatro anos e que levou o pa\u00eds ao desastre. Agora, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que nada mudou. Mais uma vez, todos se sentem enganados.&nbsp;Nas conversas que tiveram recentemente, Dilma disse a Levy que ele ficar\u00e1 no governo at\u00e9 o fim de seu mandato, em 2018. Aconselhou o subordinado a n\u00e3o se deixe render \u00e0s intrigas, especialmente \u00e0s palacianas. Recomendou que ele mantenha um discurso positivo, de que, passado o per\u00edodo de ajuste, a economia voltar\u00e1 a crescer. Levy anotou tudo. Mas quem o conhece sabe que o entusiasmo que o levou a trocar o conforto de um sal\u00e1rio de R$ 100 mil mensais por Bras\u00edlia diminuiu bastante, est\u00e1 quase no ch\u00e3o.<i> <\/p>\n<p><\/i><i>Bras\u00edlia, 03h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os problemas criados pelo governo v\u00e3o tornar a vida do Banco Central mais dif\u00edcil. 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