{"id":18292,"date":"2021-04-13T15:25:38","date_gmt":"2021-04-13T18:25:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=18292"},"modified":"2021-04-13T15:27:13","modified_gmt":"2021-04-13T18:27:13","slug":"paises-emergentes-nao-devem-tolerar-conviver-com-inflacao-segundo-bnp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/paises-emergentes-nao-devem-tolerar-conviver-com-inflacao-segundo-bnp\/","title":{"rendered":"Pa\u00edses emergentes n\u00e3o devem tolerar conviver com infla\u00e7\u00e3o, segundo BNP"},"content":{"rendered":"<h2>ROSANA HESSEL<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>Enquanto os bancos centrais dos pa\u00edses desenvolvidos est\u00e3o mais tolerantes com a infla\u00e7\u00e3o, que deve aumentar daqui para frente devido aos pacotes fiscais implementados no combate aos efeitos econ\u00f4micos da pandemia da covid-19, os pa\u00edses emergentes n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o fiscal nem monet\u00e1rio para fazerem o mesmo, de acordo com dados do BNP Paribas.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs bancos centrais da Europa e dos Estados Unidos est\u00e3o dispostos a correr o risco de uma infla\u00e7\u00e3o um pouco acima da meta\u201d, afirmou, afirmou\u00a0Gustavo Arruda, economista-chefe para Am\u00e9rica Latina do BNP Paribas. Durante videoconfer\u00eancia com jornalistas nesta ter\u00e7a-feira (13\/04), onde apresentou as <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bnp-piora-projecao-para-o-pib-brasileiro-e-preve-estouro-da-meta-fiscal\/\">novas perspectivas para a economia global do banco franc\u00eas<\/a>, ele avaliou que essa discuss\u00e3o de volta da infla\u00e7\u00e3o no mundo, a chamada <em>reflation<\/em>, \u00e9 um risco que os pa\u00edses emergentes, de forma geral, n\u00e3o conseguem correr.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista lembrou que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) trabalha com uma m\u00e9dia de infla\u00e7\u00e3o e, por isso, tem uma \u201cmargem de manobra maior\u201c para lidar com a infla\u00e7\u00e3o acima da meta, ao contr\u00e1rio do Banco Central do Brasil, que trabalha com meta anual de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs bancos centrais dos pa\u00edses desenvolvidos conseguem aceitar o risco de conviver com um pouco de infla\u00e7\u00e3o, mas todos os pa\u00edses emergentes que dependem de investimento internacional, e que j\u00e1 tiveram experi\u00eancias ruins com infla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o devem fazer o mesmo\u201d, aconselhou.\u00a0 Assim como o Banco Central do Brasil, os do M\u00e9xico e da Turquia tamb\u00e9m j\u00e1 iniciaram os processos de normaliza\u00e7\u00e3o (de alta) das taxas de juros, segundo o analista.\u00a0\u00a0\u201cN\u00e3o consigo imaginar que o BC do Brasil esteja disposto a correr o riscos com a infla\u00e7\u00e3o\u201d, frisou Arruda. Ele destacou que o debate entre emergentes conservadores e desenvolvidos mais dispostos a correr risco ainda tende a crescer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com ele, os pacotes fiscais como o dos Estados Unidos, que injetaram US$ 1,9 trilh\u00e3o e prometem US$ 2 trilh\u00f5es de investimentos em infraestrutura nos pr\u00f3ximos oito anos, devem impulsionar o PIB global nesse mesmo per\u00edodo. E, por conta disso, ele reconheceu que as proje\u00e7\u00f5es do BNP est\u00e3o bastante otimistas para a economia mundial, \u201capesar de as pol\u00edticas expansionistas de pa\u00edses desenvolvidos pressionarem a infla\u00e7\u00e3o de curto e m\u00e9dio prazos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) elevou a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) de 2% para 2,75%\u00a0 ao ano, em meio a um cen\u00e1rio de piora na atividade econ\u00f4mica devido ao agravamento da pandemia no pa\u00eds.\u00a0\u00a0O\u00a0economista do BNP prev\u00ea que o BC dever\u00e1 fazer um ciclo de normaliza\u00e7\u00e3o parcial da Selic ao longo de 2021, &#8220;para n\u00e3o prejudicar o processo de retomada da atividade econ\u00f4mica\u201d, uma vez que a alta dos pre\u00e7os das commodities est\u00e3o tendo um efeito inverso no PIB, que encolhe quando os pre\u00e7os sobem, em um claro descolamento entre esses dois fatores. Por conta disso, o BNP est\u00e1 prevendo que o BC dever\u00e1 elevar a Selic para 5% no fim do ano, &#8220;e s\u00f3 pensar\u00e1 em uma normaliza\u00e7\u00e3o maior quando a economia estiver mais forte\u201d, de acordo com Arruda. Pelas proje\u00e7\u00f5es dele, a taxa b\u00e1sica encerrar\u00e1 2022 em 6,5% anuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelas proje\u00e7\u00f5es do BNP o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) dever\u00e1 encerrar este ano com alta de 6,5%, passando para 4%, no fim de 2022.\u00a0 Essas estimativas superam a meta de infla\u00e7\u00e3o determinada pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), de 3,75%, neste ano, e de 3,50%, no ano que vem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL Enquanto os bancos centrais dos pa\u00edses desenvolvidos est\u00e3o mais tolerantes com a infla\u00e7\u00e3o, que deve aumentar daqui para frente devido aos pacotes fiscais implementados no combate aos efeitos econ\u00f4micos da pandemia da covid-19, os pa\u00edses emergentes n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o fiscal nem monet\u00e1rio para fazerem o mesmo, de acordo com dados do BNP Paribas. 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