{"id":185,"date":"2015-09-05T00:01:00","date_gmt":"2015-09-05T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/colapso_politico\/"},"modified":"2015-09-05T00:01:00","modified_gmt":"2015-09-05T03:01:00","slug":"colapso_politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/colapso_politico\/","title":{"rendered":"COLAPSO POL\u00cdTICO"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 \u00e0 beira de um colapso pol\u00edtico. Essa percep\u00e7\u00e3o, que se espalhou como um rastilho de p\u00f3lvora pelo mercado financeiro, est\u00e1 atormentando os agentes econ\u00f4micos. Por mais que a presidente Dilma Rousseff tente passar confian\u00e7a e mostrar que tudo est\u00e1 sob controle, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o governo chegou ao precip\u00edcio. O caminho de volta ficou longe demais.<\/p>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">Empres\u00e1rios e investidores tentaram, nos \u00faltimos dias, apegar-se a qualquer sinal positivo emitido pelo governo. Praticamente imploraram para que Dilma voltasse a assumir compromissos claros com o ajuste fiscal e refor\u00e7asse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que, sabe-se, est\u00e1 mais isolado do que nunca. Mas n\u00e3o h\u00e1 nada que o Pal\u00e1cio do Planalto diga ou fa\u00e7a que consiga reverter a desconfian\u00e7a.<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">A grave crise na qual o Brasil est\u00e1 mergulhado come\u00e7ou na economia com a alta da infla\u00e7\u00e3o permitida pelo Banco Central e as pedaladas fiscais comandadas por Guido Mantega. Mas foi ganhando contornos pol\u00edticos que, agora, se mostram imprevis\u00edveis. Olhando para a frente, n\u00e3o se sabe se Dilma terminar\u00e1 o mandato. Muitos se perguntam o que acontecer\u00e1 com o pa\u00eds caso a petista deixar o poder.<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">A fragilidade da presidente \u00e9 tamanha que ela j\u00e1 n\u00e3o consegue tomar as medidas necess\u00e1rias para dar um rumo \u00e0 economia e reverter as turbul\u00eancias que est\u00e3o levando o Brasil para o buraco. O governo n\u00e3o tem for\u00e7a para decidir sobre corte de gastos. N\u00e3o consegue obter apoio dos poucos aliados que restam para o aumento de impostos. Mesmo que o BC fosse obrigado a elevar os juros, n\u00e3o conseguiria.<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">Essa falta de op\u00e7\u00f5es deixa o pa\u00eds extremamente vulner\u00e1vel. Basta qualquer espirro no exterior \u2014 da China, da Gr\u00e9cia ou dos Estados Unidos, por exemplo \u2014 para que a economia entre em parafuso. Essa falta de barreiras s\u00f3 agrava a recess\u00e3o e alonga o sofrimento das empresas e das fam\u00edlias. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Faz com que os investidores percam a refer\u00eancia quanto aos pre\u00e7os do d\u00f3lar, dos juros e da bolsa de valores. Trata-se de um quadro raro, at\u00edpico, que n\u00e3o se v\u00ea desde 2002, v\u00e9spera de o PT chegar ao poder.<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\"><b>Fora de controle<\/b>&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">\n<p>Diante de tudo o que se viu nesses primeiros nove meses do segundo mandado de Dilma, pode-se esperar o pior. A presidente destruiu todas as pontes da credibilidade. No in\u00edcio do ano, deu-se um voto de confian\u00e7a a ela, baseado na promessa de que Levy teria total autonomia para fazer o ajuste que a economia tanto precisa para voltar a crescer. O que se viu, por\u00e9m, foi uma feroz disputa de poder, tendo, de um lado, o ministro da Fazenda, e, de outro, os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante. A crise, que deveria regredir, saiu do controle.<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">Mesmo no entorno de Dilma, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o governo est\u00e1 em ru\u00ednas. Ser\u00e1 quase imposs\u00edvel juntar os cacos. Para um importante integrante do Planalto, quando o vice Michel Temer diz, publicamente, que n\u00e3o h\u00e1 como a presidente se manter no poder por mais tr\u00eas anos com a popularidade no ch\u00e3o, \u00e9 um sinal claro de que se pode esperar um desfecho ruim, a come\u00e7ar pelo desembarque do PMDB da base pol\u00edtica do governo \u2014 se \u00e9 que o partido ainda continua nela.<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">Os pr\u00f3ximos dias ser\u00e3o de tens\u00e3o. Nem mesmo o feriado do Sete de Setembro ser\u00e1 suficiente para reverter o clima de fim de festa que se abateu sobre a Esplanada dos Minist\u00e9rios. O nervosismo, por sinal, pode aumentar, a depender do que as ruas ecoarem. O Planalto j\u00e1 mapeou que manifesta\u00e7\u00f5es contra o governo devem se alastrar pelo pa\u00eds. H\u00e1 o risco de os protestos serem maiores do que os de 16 de agosto, quando o governo comemorou o fato de o n\u00famero de pessoas ter ficado aqu\u00e9m do esperado.<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">O maior temor do Planalto \u00e9 de que, a partir de agora, as classes D e E ocupem as ruas. S\u00e3o elas as que mais est\u00e3o sofrendo com a infla\u00e7\u00e3o alta e o desemprego. O entendimento \u00e9 de que, com esse grupo de eleitores engrossando os protestos, n\u00e3o haver\u00e1 mais argumentos para o governo, pois a rede de prote\u00e7\u00e3o social, da qual Dilma tanto se orgulha de ter mantido em tempos de crise, j\u00e1 n\u00e3o far\u00e1 mais a menor diferen\u00e7a.<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\"><b>\u00c0 espera do milagre&nbsp;<\/b><\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">\n<p>Entre os que asseguram a perman\u00eancia de Dilma no poder, independentemente da popularidade pr\u00f3xima de zero, h\u00e1 o argumento de que Jos\u00e9 Sarney conseguiu cumprir todo o mandato, mesmo n\u00e3o tendo apoio da popula\u00e7\u00e3o e do Congresso. N\u00e3o se pode esquecer, por\u00e9m, de que Sarney come\u00e7ou o governo sob a como\u00e7\u00e3o de substituir o primeiro presidente da redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, lan\u00e7ou um plano, o Cruzado, que deu esperan\u00e7as ao povo para o combate \u00e0 hiperinfla\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">No caso de Dilma, n\u00e3o h\u00e1 nada que a favore\u00e7a. Muito pelo contr\u00e1rio. A economia vai de mal a pior, com o desemprego chegando e estra\u00e7alhando o or\u00e7amento das fam\u00edlias. Na pol\u00edtica, at\u00e9 o partido da chefe do Executivo, o PT, quer v\u00ea-la fora do Planalto. Ser\u00e1, portanto, quase um milagre se a petista completar a travessia at\u00e9 o fim de 2018.<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\"><b>Enfim, um al\u00edvio<\/b><\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">\u00bb O governo deve ter pelo menos uma boa not\u00edcia na pr\u00f3xima semana. A infla\u00e7\u00e3o medida pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto ficou em 0,21%, prev\u00ea o Santander.<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">\n<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\">\n<\/div>\n<div style=\"font-family: UICTFontTextStyleBody;font-size: 17px\"><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 \u00e0 beira de um colapso pol\u00edtico. Essa percep\u00e7\u00e3o, que se espalhou como um rastilho de p\u00f3lvora pelo mercado financeiro, est\u00e1 atormentando os agentes econ\u00f4micos. Por mais que a presidente Dilma Rousseff tente passar confian\u00e7a e mostrar que tudo est\u00e1 sob controle, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o governo chegou ao precip\u00edcio. 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