{"id":18605,"date":"2021-04-29T17:39:52","date_gmt":"2021-04-29T20:39:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=18605"},"modified":"2021-04-30T13:59:31","modified_gmt":"2021-04-30T16:59:31","slug":"censo-pode-ser-um-auxilio-emergencial-para-a-economia-diz-rabello-de-castro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/censo-pode-ser-um-auxilio-emergencial-para-a-economia-diz-rabello-de-castro\/","title":{"rendered":"Censo pode ser um aux\u00edlio emergencial para a economia, diz Rabello de Castro"},"content":{"rendered":"<h2>ROSANA HESSEL<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>A decis\u00e3o do decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aur\u00e9lio Mello, acatando o pedido feito pelo estado do Maranh\u00e3o para obrigar o governo a fazer o Censo neste ano foi elogiada pelo economista e consultor e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), Paulo Rabello de Castro. Segundo ele, o Censo, al\u00e9m de necess\u00e1rio para o mapeamento da sociedade brasileira, poder\u00e1 ter um efeito positivo para a economia e ser uma esp\u00e9cie de aux\u00edlio emergencial, embora que temporariamente, para os jovens que est\u00e3o desempregados.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O Censo virou um aux\u00edlio emergencial e poderia entrar na conta desse benef\u00edcio, porque vai sair praticamente de gra\u00e7a&#8221;, afirmou Rabello de Castro, em entrevista ao<strong> Blog<\/strong>. Ele lembrou que, em geral, os recenseadores s\u00e3o jovens sem renda pr\u00e9via e que poderiam se enquadrar em uma categoria especial do aux\u00edlio, mas com uma remunera\u00e7\u00e3o ao trabalharem temporariamente para o IBGE. &#8220;O Censo come\u00e7a com uma atividade social relevante, porque poder\u00e1 empregar mais de 200 mil jovens recenseadores. Ainda que o governo jogasse os dados fora, o Censo \u00e9 positivo pela movimenta\u00e7\u00e3o de riqueza que ter\u00e1 como atividade produtiva&#8221;, complementou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No ano passado, o Censo n\u00e3o foi realizado por conta da pandemia da covid-19 e, neste ano, foi cancelado durante a aprova\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento. A pesquisa \u00e9 realizada a cada 10 anos para fazer um raio X da sociedade brasileira e \u00e9 importante para os governos federal e regionais, pois ajuda na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Sem o Censo, especialistas alertam para v\u00e1rios &#8220;apag\u00f5es estat\u00edsticos&#8221; do pa\u00eds, que pode ter efeitos negativos no mapeamento dessas pol\u00edticas. Al\u00e9m disso, o cancelamento do Censo suspender\u00e1 a contrata\u00e7\u00e3o de 206 profissionais que trabalhariam na coleta de dados para o levantamento em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A decis\u00e3o foi do ministro Marco Aur\u00e9lio foi correta, porque recomp\u00f5e a necessidade da realiza\u00e7\u00e3o do Censo&#8221;, afirmou Rabello de Castro, acrescentando que, como estamos no m\u00eas de abril, ainda d\u00e1 tempo de o IBGE se organizar para contrata\u00e7\u00e3o dos profissionais e treinamento para que o Censo seja realizado no segundo semestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o economista, o IBGE poder\u00e1 ampliar a pesquisa, acrescentando no question\u00e1rio do Censo duas ou tr\u00eas perguntas para averigua\u00e7\u00e3o da sociedade inteira durante a pandemia. &#8220;Hoje, s\u00f3 dispomos desses dados via ve\u00edculos de imprensa. Ou seja, o Censo poder\u00e1 ser quase um tr\u00eas em um, com v\u00e1rias utilidades&#8221;, complementou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&#8220;Custo m\u00f3dico&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O recurso que era exigido para a realiza\u00e7\u00e3o do Censo, de R$ 3,4 bilh\u00f5es, ainda \u00e9 pouco pelo grande retorno que o Censo dar\u00e1 n\u00e3o apenas \u00e0 sociedade, mas tamb\u00e9m para os governos na hora de preparar pol\u00edticas p\u00fablicas.\u00a0&#8220;Os Estados Unidos gastaram US$ 15 bilh\u00f5es, cerca de R$ 80 bilh\u00f5es. Logo, o Censo brasileiro \u00e9 muito barato, porque o custo do recenseador \u00e9 m\u00f3dico&#8221;, comparou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Esse dinheiro \u00e9 troco. Qualquer lagosta a menos que se compre pagar\u00e1 o Censo&#8221;, afirmou, em refer\u00eancia a um dos itens mais comprados nos banquetes do Judici\u00e1rio, que paga os maiores sal\u00e1rios do funcionalismo, muitas vezes, acima do teto constitucional, de R$ 33,7 mil, por conta dos penduricalhos e jetons.\u00a0 Ele lembrou que os gastos com o Censo tamb\u00e9m poderiam ser facilmente acomodados nos gastos com a Sa\u00fade que foram repassados para os estados e munic\u00edpios, pois ajudaria o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade a fazer um controle maior sobre os repasses.\u00a0&#8220;Agora, em \u00e9poca da CPI da Pandemia, todos os questionamentos que ser\u00e3o feitos n\u00e3o seriam necess\u00e1rios&#8221;, pontuou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vale lembrar que apenas no aux\u00edlio emergencial, conforme os dados do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), houve quase R$ 55 bilh\u00f5es de desvio de dinheiro p\u00fablico em fraudes e casos de elegibilidade duvidosa, ou seja, mais do que os R$ 44 bilh\u00f5es previstos para os quatro meses da nova rodada do benef\u00edcio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Rabello de Castro, encontrar R$ 2 bilh\u00f5es para o Censo no Or\u00e7amento n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. Al\u00e9m disso, n\u00e3o fazer o Censo poder\u00e1 custar mais caro ao pa\u00eds, porque n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel atualizar o mapeamento da popula\u00e7\u00e3o brasileira nos estados brasileiros de forma mais concreta e isso prejudica, inclusive, a composi\u00e7\u00e3o das cadeiras dos deputados no Congresso.\u00a0&#8220;Do ponto de vista financeiro, o dinheiro para o Censo \u00e9 troco e pode aparecer em um Or\u00e7amento de R$ 1,5 trilh\u00e3o facilmente. E tem a quest\u00e3o legal. Est\u00e1 na lei e, portanto, o governo tem que fazer&#8221;, pontuou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ex-presidente do IBGE ainda criticou os argumentos do ministro da Economia, Paulo Guedes, que afirmou que o governo acatou o argumento do Congresso para o corte dos recursos do Censo, uma vez que a visita dos recenseadores \u00e0s casas das fam\u00edlias &#8220;poderia espalhar a covid-19&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O Censo n\u00e3o se trata de aglomera\u00e7\u00e3o. Tenho certeza de que 10 entre 10 infectologistas v\u00e3o considerar esse argumento (do ministro Paulo Guedes) pura desculpa sem base cient\u00edfica. Imagine uma casa de repouso. Qual a diferen\u00e7a desse recenseador e do entregador de verdura, de uma enfermeira que est\u00e1 indo e vindo para casa e de um sujeito que for consertar o telhado?&#8221;, argumentou.\u00a0O ex-presidente do IBGE destacou que os profissionais ser\u00e3o treinados para tomarem todas as medidas necess\u00e1rias para a preven\u00e7\u00e3o social, al\u00e9m do uso da m\u00e1scara e do \u00e1lcool em gel, para realizarem a pesquisa.\u00a0O ministro Paulo Guedes se tornou um ser rid\u00edculo e tem que ir para a China&#8221;,\u00a0 completou.<b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL A decis\u00e3o do decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aur\u00e9lio Mello, acatando o pedido feito pelo estado do Maranh\u00e3o para obrigar o governo a fazer o Censo neste ano foi elogiada pelo economista e consultor e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), Paulo Rabello de Castro. 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