{"id":189,"date":"2015-09-09T00:10:00","date_gmt":"2015-09-09T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/com_o_bolso_alheio\/"},"modified":"2015-09-09T00:10:00","modified_gmt":"2015-09-09T03:10:00","slug":"com_o_bolso_alheio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/com_o_bolso_alheio\/","title":{"rendered":"COM O BOLSO ALHEIO"},"content":{"rendered":"\n<p>A presidente Dilma Rousseff j\u00e1 escolheu quem pagar\u00e1 a conta dos erros que ela cometeu nos primeiros quatro anos de mandatos: os trabalhadores. Por mais que o Pal\u00e1cio do Planalto reforce a necessidade de repartir os esfor\u00e7os, sinalizando com poss\u00edveis cortes nos gastos p\u00fablicos, quase todo o arrocho ao qual o pa\u00eds ser\u00e1 submetido para tentar evitar a perda do selo de bom pagador ser\u00e1 feito por meio do aumento de impostos. <\/p>\n<p>A receita est\u00e1 clara. Enquanto a popula\u00e7\u00e3o pagar\u00e1 a conta, o governo continuar\u00e1 inchado, um verdadeiro cabide de empregos para apadrinhados. J\u00e1 o Legislativo manter\u00e1 seus nacos de poder na Esplanada dos Minist\u00e9rios, sem abrir m\u00e3o das emendas parlamentares, verdadeiros focos de corrup\u00e7\u00e3o. O rem\u00e9dio amargo que Dilma diz ser necess\u00e1rio aplicar ao pa\u00eds j\u00e1 foi prescrito aos pobres mortais, que sofrem para fechar as contas do m\u00eas, devastadas pela infla\u00e7\u00e3o galopante e pelo desemprego. <\/p>\n<p>O aumento de tributos foi o caminho mais f\u00e1cil encontrado pelo governo para indicar aos agentes econ\u00f4micos que ainda \u00e9 poss\u00edvel reverter o deficit de R$ 30,5 bilh\u00f5es previsto no Or\u00e7amento de 2016. Mas o ajuste que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pretende apresentar, seja elevando o Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica, seja tornando a gasolina mais cara por causa da alta da Cide, n\u00e3o significar\u00e1 mudan\u00e7as efetivas na forma de lidar com o dinheiro p\u00fablico. Na verdade, impostos maiores continuar\u00e3o sendo a fonte de financiamento da inefici\u00eancia e dos desmandos. <\/p>\n<p>Dilma, como o ex-presidente Lula, perdeu a grande chance de fazer as reformas estruturais que o pa\u00eds tanto precisa para crescer de forma consistente, sem traumas. Quando assumiu o mandato, em 2011, ela ostentava \u00edndices de popularidade nunca vistos para um presidente da Rep\u00fablica desde o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o. A falsa fama de gerentona disposta a varrer a corrup\u00e7\u00e3o do governo lhe garantia apoio suficiente no Congresso para estancar muitos dos ralos por onde escorre o dinheiro dos contribuintes. <\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o, no entanto, foi pela gastan\u00e7a, pelas pedaladas fiscais, pelas maquiagens nas contas, por manobras que criaram a falsa ilus\u00e3o de que tudo estava indo bem no pa\u00eds. Dilma governou nos \u00faltimos quatro anos com a certeza de que os recursos provenientes de empresas e cidad\u00e3os eram infinitos. Bastava estalar os dedos que o caixa do Tesouro Nacional seria reposto. O resultado dessa farra ser\u00e3o tr\u00eas anos seguidos de rombos nas finan\u00e7as federais.&nbsp;<b>Brasil de joelhos<\/b>&nbsp;Agora, com o Brasil de joelhos e o mandato amea\u00e7ado, a presidente acredita que pode meter a m\u00e3o no bolso dos trabalhadores e obter o dinheiro extra que precisa para fechar as contas. O consenso dentro do governo \u00e9 de que n\u00e3o h\u00e1 outra alternativa, uma vez que o incha\u00e7o da m\u00e1quina p\u00fablica na era petista foi enorme, criando gastos dif\u00edceis de serem cortados. Nesse contexto, para dizer que est\u00e1 fazendo sua parte, Dilma aceitar\u00e1 deixar de tocar novos programas, muitos deles considerados invi\u00e1veis desde a concep\u00e7\u00e3o, devido \u00e0s claras restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias da Uni\u00e3o. <\/p>\n<p>Como bom produto de marketing, Dilma e os poucos asseclas que ainda lhe restam trataram de espalhar que o aumento de tributos ser\u00e1 transit\u00f3rio, at\u00e9 que as finan\u00e7as sejam recompostas com a retomada da economia. O hist\u00f3rico do governo aponta, por\u00e9m, que, em se tratando de impostos, nada \u00e9 transit\u00f3rio, basta, para isso, ver a evolu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria. Quinze anos atr\u00e1s, o total de recursos transferidos da sociedade para o governo era inferior a 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Agora, caminha para 36%, um dos mais elevados do mundo, a despeito de o Congresso ter enterrado a CPMF, que a petista estava disposta a ressuscitar. <\/p>\n<p>Na \u00e2nsia de defender o aumento de tributos, o ministro da Fazenda afirma que o Imposto de Renda cobrado nos contracheques dos trabalhadores \u00e9 pequeno em rela\u00e7\u00e3o ao observado nas economias desenvolvidas. Ele se esquece de dizer, por\u00e9m, que a estrutura tribut\u00e1ria do pa\u00eds \u00e9 complexa, com um grande n\u00famero de impostos pagos de forma indireta. <\/p>\n<p>Enfim, para o governo, no pa\u00eds da corrup\u00e7\u00e3o e do desperd\u00edcio, n\u00e3o faz mal algum exigir que a sociedade pague mais impostos. Pode haver gritaria no in\u00edcio, mas todos acabar\u00e3o pagando a conta. Sempre foi assim, e n\u00e3o pode ser diferente agora, com Dilma precisando tanto dar uma resposta \u00e0s ag\u00eancias de risco que est\u00e3o a um passo de chancelar o Brasil como caloteiro. Esse, na vis\u00e3o da presidente,&nbsp; \u00e9 o Brasil que d\u00e1 certo. Ent\u00e3o, t\u00e1.&nbsp;<b>Apostas na mesa<\/b>&nbsp;\u00bb V\u00e1rios analistas est\u00e3o apostando at\u00e9 quando Dilma conseguir\u00e1 levar o discurso ortodoxo que adotou nos \u00faltimos dias para convencer os agentes econ\u00f4micos de que est\u00e1 disposta a fazer o ajuste fiscal defendido por Joaquim Levy. <\/p>\n<p><b>BC ser\u00e1 o contraponto<\/b>&nbsp;\u00bb T\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio da Fazenda dizem que a presidente da Rep\u00fablica est\u00e1 convencida de que, confirmadas as receitas para cobrir o rombo no Or\u00e7amento de 2016, o Banco Central come\u00e7ar\u00e1 a pavimentar o caminho para a queda dos juros.<i> <\/p>\n<p><\/i><i>Bras\u00edlia, 00h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff j\u00e1 escolheu quem pagar\u00e1 a conta dos erros que ela cometeu nos primeiros quatro anos de mandatos: os trabalhadores. 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