{"id":194,"date":"2015-09-16T00:10:00","date_gmt":"2015-09-16T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/para_onde_vai_o_brasil\/"},"modified":"2015-09-16T00:10:00","modified_gmt":"2015-09-16T03:10:00","slug":"para_onde_vai_o_brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/para_onde_vai_o_brasil\/","title":{"rendered":"PARA ONDE VAI O BRASIL"},"content":{"rendered":"\n<p>A pergunta que mais se ouve nas ruas \u00e9 para onde vai o Brasil. H\u00e1 um sentimento disseminado de que o pa\u00eds est\u00e1 caminhando para o colapso, e que o governo perdeu a capacidade de reverter o desastre. Muitos se dizem enganados, pois acreditaram que a estabilidade econ\u00f4mica constru\u00edda a duras penas nos \u00faltimos 20 anos tinha chegado para ficar. O que se v\u00ea \u00e0 frente \u00e9 mais infla\u00e7\u00e3o, desemprego e redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios. N\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria. <\/p>\n<p>Num pa\u00eds s\u00e9rio, comprometido com o futuro, o ideal seria aproveitar este momento t\u00e3o dif\u00edcil para se promover as reformas estruturais que v\u00eam sendo adiadas h\u00e1 anos. Mas, como sempre foi tradi\u00e7\u00e3o no Brasil, a op\u00e7\u00e3o \u00e9 por sa\u00eddas mais f\u00e1ceis. Prevalece sempre o curt\u00edssimo prazo, recheado de medidas paliativas que apenas maquiam os problemas. Em pouco tempo, eles voltam muito maiores, exigindo mais sacrif\u00edcios da sociedade. <\/p>\n<p>Nesse roteiro de filme de terror, \u00e9 inacredit\u00e1vel ouvir do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que a ressurrei\u00e7\u00e3o da CPMF tem como objetivo financiar o rombo da Previd\u00eancia. Ele mentiu descaradamente. O tributo, se aprovado, entrar\u00e1 no caixa \u00fanico do Tesouro Nacional. E o rombo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) s\u00f3 aumentar\u00e1. Assim, quando estiverem se esgotando os quatro anos previstos para a vig\u00eancia da CPMF, o governo novamente alegar\u00e1 que precisa manter o imposto porque a situa\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia continua preocupante. <\/p>\n<p>Esperava-se de Levy o m\u00ednimo de coer\u00eancia. Por diversas vezes, o ministro alertou sobre a necessidade de se instituir idade m\u00ednima para a aposentadoria e de se restringir as concess\u00f5es de pens\u00f5es e aux\u00edlio-doen\u00e7a, cujas fraudes sugam bilh\u00f5es dos cofres p\u00fablicos. Ele disse acreditar que esse era o caminho para se reformar a Previd\u00eancia e torn\u00e1-la mais saud\u00e1vel e sustent\u00e1vel para as gera\u00e7\u00f5es futuras, que correm o risco de ficar \u00e0 deriva justamente na velhice, quando mais se precisa de uma renda. <\/p>\n<p>O ministro tamb\u00e9m n\u00e3o levou adiante a proposta de uma reforma tribut\u00e1ria consistente. Seguindo os antecessores, optou por meter a m\u00e3o no bolso dos contribuintes, como se o dinheiro advindo do trabalho crescesse como capim. Levy, que vive amea\u00e7ando deixar o governo a cada derrota que sofre, d\u00e1 a impress\u00e3o de que est\u00e1 ficando cada vez mais parecido com a presidente Dilma Rousseff, quando o esperado era que Dilma se tornasse um Levy de saias \u2013 sim, aquele ministro que chegou com for\u00e7a e disposto a tirar o pa\u00eds do atoleiro para o qual a chefe havia empurrado. <\/p>\n<p><b>Casa incendiada<\/b> <\/p>\n<p>Infelizmente, n\u00e3o ser\u00e1 com este governo nem com o atual Congresso que o pa\u00eds assistir\u00e1 \u00e0s reformas de que tanto precisa. A raz\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3: n\u00e3o h\u00e1 lideran\u00e7as capazes de encampar medidas t\u00e3o impopulares, que podem custar votos, mas a m\u00e9dio e longo prazos, permitir\u00e3o o crescimento sustentado da economia, com amplia\u00e7\u00e3o do emprego e da renda. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central, as reformas s\u00e3o inevit\u00e1veis e ter\u00e3o de ser feitas a qualquer custo. Sem elas, o Brasil estar\u00e1 condenado ao atraso. Ele ressalta, por\u00e9m, que, no momento atual, depois de todos os estragos feitos na economia, n\u00e3o restava outra alternativa ao governo a n\u00e3o ser anunciar um pacote com alcance limitado, mas que dar\u00e1 algum al\u00edvio se realmente colocado em pr\u00e1tica. <\/p>\n<p>Ele faz uma analogia sobre o momento atual: \u201cN\u00e3o adianta pensar em reformas quando a casa est\u00e1 pegando fogo. Tem que apagar o inc\u00eandio antes que tudo seja perdido\u201d. A boa not\u00edcia, no entender de Thadeu, \u00e9 que o governo come\u00e7a a fazer um diagn\u00f3stico correto da situa\u00e7\u00e3o, ao se dar conta de que o Brasil s\u00f3 tem salva\u00e7\u00e3o se fizer um ajuste fiscal consistente, sem manobras. \u201cPelo menos, n\u00e3o est\u00e3o pedalando o diagn\u00f3stico\u201d, afirma. <\/p>\n<p>O economista, que chefia o Departamento Econ\u00f4mico da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), diz que o Brasil se tornou dependente das ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco. Foi como se colocasse uma corda no pesco\u00e7o. Agora, para evitar um segundo rebaixamento, resolveu correr contra o tempo. O problema \u00e9 que, sem o Congresso, n\u00e3o dar\u00e1 muitos passos \u00e0 frente. <\/p>\n<p>\u201cAntes, o Brasil ficava dependente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Descumpria contratos, mas acabava recebendo ajuda. Atualmente, a depend\u00eancia \u00e9 das ag\u00eancias de risco. E elas n\u00e3o est\u00e3o dispostas a ser complacentes\u201d, explica Thadeu. <\/p>\n<p>Daqui por diante, portanto, o Brasil ter\u00e1 de conviver com o fantasma do rebaixamento. \u00c0 popula\u00e7\u00e3o, restar\u00e1 torcer por uma luz no fim do t\u00fanel antes que o filme de terror chegue ao fim, inclusive com os mocinhos mortos. <\/p>\n<p><b>Tr\u00eas anos em tr\u00eas meses<\/b> <\/p>\n<p>A tens\u00e3o \u00e9 grande no governo. A vis\u00e3o \u00e9 de que o fim de linha ficou pr\u00f3ximo demais. Os tr\u00eas anos que faltam para a gest\u00e3o Dilma dependem dos pr\u00f3ximos tr\u00eas meses, nos quais se espera a aprova\u00e7\u00e3o do pacote fiscal de quase R$ 65 bilh\u00f5es. <\/p>\n<p><b>Infla\u00e7\u00e3o candanga<\/b> <\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o do Distrito Federal dar\u00e1 um salto expressivo nos pr\u00f3ximos meses. Com todos os reajustes anunciados pelo governo local, \u00e9 poss\u00edvel que o \u00edndice mensal volte para a casa de 1%. O com\u00e9rcio est\u00e1 em p\u00e2nico. <\/p>\n<p><b>Bras\u00edlia, 00h10min<\/b>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pergunta que mais se ouve nas ruas \u00e9 para onde vai o Brasil. H\u00e1 um sentimento disseminado de que o pa\u00eds est\u00e1 caminhando para o colapso, e que o governo perdeu a capacidade de reverter o desastre. 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