{"id":19490,"date":"2021-06-24T15:20:15","date_gmt":"2021-06-24T18:20:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=19490"},"modified":"2021-06-24T19:33:36","modified_gmt":"2021-06-24T22:33:36","slug":"classe-media-encolhe-mais-rapido-durante-a-pandemia-diz-banco-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/classe-media-encolhe-mais-rapido-durante-a-pandemia-diz-banco-mundial\/","title":{"rendered":"Classe m\u00e9dia encolhe mais r\u00e1pido durante a pandemia, diz Banco Mundial"},"content":{"rendered":"<h2>ROSANA HESSEL<\/h2>\n<h2 style=\"font-weight: 400\"><strong>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"font-weight: 400\">Em 2020, a crise provocada pela pandemia da covid-19 empurrou 4,7 milh\u00f5es de pessoas da classe m\u00e9dia para a vulnerabilidade ou a pobreza na Am\u00e9rica Latina e no Caribe (ALC), de acordo com relat\u00f3rio do Banco Mundial divulgado nesta quinta-feira (24\/06). A institui\u00e7\u00e3o alertou que a classe m\u00e9dia vem encolhendo mais rapidamente do que cresceu nos \u00faltimos anos e, possivelmente, esse dado do ano passado reverteu d\u00e9cadas de ganhos sociais. Al\u00e9m disso, o quadro n\u00e3o foi pior por conta do aux\u00edlio emergencial distribu\u00eddo pelo governo brasileiro, que ajudou a minimizar esse cen\u00e1rio cr\u00edtico de empobrecimento da regi\u00e3o.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">&#8220;O impacto seria ainda mais dram\u00e1tico se fosse exclu\u00eddo das proje\u00e7\u00f5es o efeito de um robusto programa social de transfer\u00eancia tempor\u00e1ria de renda no Brasil.\u00a0Desconsiderando o programa brasileiro, um total de 12 milh\u00f5es de pessoas em toda a regi\u00e3o saiu da classe m\u00e9dia em 2020&#8221;, informou o documento da entidade sediada em Washington.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme o estudo denominado\u00a0<a href=\"https:\/\/documents1.worldbank.org\/curated\/en\/831061624545611093\/pdf\/The-Gradual-Rise-and-Rapid-Decline-of-the-Middle-Class-in-Latin-America-and-the-Caribbean.pdf\">A lenta ascens\u00e3o e o decl\u00ednio repentino da classe m\u00e9dia na Am\u00e9rica Latina e no Caribe,<\/a>\u00a0sem o programa de aux\u00edlio brasileiro, 20 milh\u00f5es de pessoas entraram em situa\u00e7\u00e3o de pobreza em 2020, considerando aumento de 1,4 milh\u00e3o no crescimento populacional. A atual crise global, de acordo com a institui\u00e7\u00e3o, deve resultar em um r\u00e1pido decl\u00ednio no tamanho da classe m\u00e9dia na maioria dos pa\u00edses, &#8220;tornando a Am\u00e9rica Latina novamente uma regi\u00e3o majoritariamente de pessoas vulner\u00e1veis e abaixo da linha da pobreza&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o n\u00famero de pessoas vivendo em situa\u00e7\u00e3o de pobreza na regi\u00e3o caiu quase pela metade. A classe m\u00e9dia (com renda per capita di\u00e1ria entre US$ 13 e US$ 70 por dia) ultrapassou o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade (vivendo com US$ 5,50 a US$ 13 por dia) e de pobreza (abaixo da linha de pobreza de US$ 5,50 por dia) como o maior grupo individual, atingindo 37,4%, em 2018, e, depois passando para 38,4%, em 2019, conforme dados do Banco Mundial. No ano passado, a classe m\u00e9dia caiu para 37,3% da popula\u00e7\u00e3o. Excluindo o Brasil desse dado, a taxa passa para 35%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade na regi\u00e3o aumentou de 37%, em 2019, para 38,5%, em 2020. J\u00e1 o percentual de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, 21,8% da popula\u00e7\u00e3o total da regi\u00e3o, dado levemente abaixo do total de 2019, de 22,1%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de 78 p\u00e1ginas mostra que a Am\u00e9rica Latina det\u00e9m 8% da popula\u00e7\u00e3o global, mas concentra 32% das mortes acumuladas por conta da covid-19. O Produto Interno Bruto (PIB) regional encolheu 6,5% no ano passado e a recupera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 ocorrendo nos pa\u00edses &#8220;n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para que o PIB regional retorne ao patamar de 2019&#8221;. Se n\u00e3o houvesse medidas para mitigar os efeitos da pandemia, de acordo com a entidade, o n\u00famero de novos pobres na regi\u00e3o poderia ter aumentado em 28 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Embora as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, incluindo programas de prote\u00e7\u00e3o social, tenham ajudado a restringir os impactos negativos no curto prazo, sem uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica r\u00e1pida e inclusiva e n\u00edveis semelhantes de medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, a pobreza poder\u00e1 aumentar novamente em 2021. Segundo a entidade, &#8220;garantir o amplo acesso a vacinas, desenvolver sistemas eficientes e eficazes para distribu\u00ed-las e administr\u00e1-las, e fortalecer os sistemas de sa\u00fade em toda a regi\u00e3o ser\u00e1 fundamental para a recupera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo ainda destacou que\u00a0a crise provocada pela pandemia ampliou os efeitos nefastos da desigualdade na regi\u00e3o. Mais da metade (54,4%) dos trabalhadores est\u00e3o na informalidade, 9 em cada 10 trabalhadores que vivem na pobreza est\u00e3o no setor informal e quase um ter\u00e7o \u00e9 aut\u00f4nomo.\u00a0\u201cAqueles que estavam em pior situa\u00e7\u00e3o no in\u00edcio provavelmente ser\u00e3o os mais afetados, levando ao aumento na desigualdade de renda em uma regi\u00e3o j\u00e1 muito desigual\u201d,\u00a0disse Ximena Del Carpio, cerente da Pr\u00e1tica Global de Pobreza e Equidade do Banco Mundial. \u201cO acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos, como eletricidade, \u00e1gua tratada, saneamento e at\u00e9 mesmo a Internet, se tornou ainda mais essencial em situa\u00e7\u00f5es de lockdown\u201d, adicionou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Conforme os dados apontados pelo Banco Mundial, &#8220;menos de um em cada quatro fam\u00edlias pobres&#8221; tem saneamento adequado, 9% n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 eletricidade e apenas 25% usam a internet em casa. &#8220;Diante do atual cen\u00e1rio de pandemia e incerteza, os governos precisam priorizar o acesso equitativo aos servi\u00e7os essenciais&#8221;, defendeu o banco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No ano passado, o governo brasileiro desembolsou R$ 293,1 bilh\u00f5es com o aux\u00edlio emergencial , beneficiando 67 milh\u00f5es de pessoas. No entanto, pelas estimativas do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), R$ 54,6 bilh\u00f5es desse montante foram desviados por meio de fraudes e irregularidades. Esse volume \u00e9 superior aos R$ 44 bilh\u00f5es previstos para os quatro meses da nova rodada do benef\u00edcio, cujo valor m\u00e9dio \u00e9 de R$ 250.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL \u00a0 Em 2020, a crise provocada pela pandemia da covid-19 empurrou 4,7 milh\u00f5es de pessoas da classe m\u00e9dia para a vulnerabilidade ou a pobreza na Am\u00e9rica Latina e no Caribe (ALC), de acordo com relat\u00f3rio do Banco Mundial divulgado nesta quinta-feira (24\/06). 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