{"id":201,"date":"2015-09-19T12:30:00","date_gmt":"2015-09-19T15:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pes_e_maos_atados\/"},"modified":"2015-09-19T12:30:00","modified_gmt":"2015-09-19T15:30:00","slug":"pes_e_maos_atados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pes_e_maos_atados\/","title":{"rendered":"P\u00c9S E M\u00c3OS ATADOS"},"content":{"rendered":"\n<p>A semana terminou muito pior do que come\u00e7ou. Esperava-se que, com o an\u00fancio do pacote fiscal na \u00faltima segunda-feira, o governo conseguisse uma tr\u00e9gua para retomar o f\u00f4lego e abrir uma janela que fosse no horizonte sombrio que assusta o pa\u00eds. Mas n\u00e3o houve jeito. A presidente Dilma Rousseff, com suas indecis\u00f5es, equ\u00edvocos e sua fragilidade pol\u00edtica, conseguiu tumultuar ainda mais o ambiente e ampliar a desconfian\u00e7a que est\u00e1 destruindo a economia. No mercado financeiro, esquentaram as apostas sobre a poss\u00edvel sa\u00edda da petista do Pal\u00e1cio do Planalto.  <\/p>\n<p>O \u00e1pice do nervosismo se deu ontem. Os investidores est\u00e3o convencidos de que Dilma far\u00e1 mudan\u00e7as na equipe econ\u00f4mica, com as sa\u00eddas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Por mais que o Planalto se empenhe para abafar os rumores que tomaram conta dos mercados, h\u00e1 o temor de que, acuada pelo Congresso, que d\u00e1 claros sinais de recusa ao novo pacote fiscal, por causa, sobretudo, da proposta de recria\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria sobre Movimenta\u00e7\u00e3o Financeira (CPMF), a presidente retome o populismo que prevaleceu no primeiro mandato e que empurrou o Brasil para a beira do precip\u00edcio.  <\/p>\n<p>Para onde se olhasse ontem, o clima beirava o p\u00e2nico. N\u00e3o \u00e0 toa, os contratos de cinco anos do Credit Default Swap (CDS), esp\u00e9cie de seguro que mede o risco de um pa\u00eds dar calote, registrou a marca recorde de 392 pontos, quase dobrando em rela\u00e7\u00e3o aos 202 pontos observados no fim de 2014. O d\u00f3lar atingiu a maior cota\u00e7\u00e3o em 13 anos, a bolsa de valores despencou e os juros futuros bateram em 15,6% ao ano, indicando que, em algum momento, o Banco Central ser\u00e1 obrigado a elevar a taxa b\u00e1sica (Selic). O ponto crucial para essa disparada foi o an\u00fancio da arrecada\u00e7\u00e3o de agosto, que mostrou queda real de quase 10% ante o mesmo m\u00eas do ano passado.  <\/p>\n<p>Ficou claro, na vis\u00e3o dos especialistas, que n\u00e3o h\u00e1 a menor possibilidade de o pa\u00eds fechar 2015 com superavit prim\u00e1rio (economia para o pagamento de juros da d\u00edvida), mesmo o minguado 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB) anunciado por Levy. A perspectiva para a arrecada\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim que os investidores est\u00e3o convencidos de que, mais \u00e0 frente, o governo ter\u00e1 que anunciar novas medidas para refor\u00e7ar o ajuste de 2016. Olhando para a frente, os cortes de R$ 26 bilh\u00f5es e o aumento de impostos de quase R$ 40 bilh\u00f5es parecem insuficientes para o cumprimento da meta de 0,7% do PIB.  <\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, se Dilma j\u00e1 enfrenta resist\u00eancias no Congresso, n\u00e3o ter\u00e1 como impor mais sacrif\u00edcios \u00e0 economia, que coleciona infla\u00e7\u00e3o alta, renda em queda e desemprego. A insatisfa\u00e7\u00e3o popular com o governo \u00e9 latente. E as pr\u00f3ximas pesquisas v\u00e3o mostrar que a popularidade da petista est\u00e1 caminhando para um \u00edndice muito perto de zero. <b> <\/p>\n<p><\/b><b>Condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/b>  <\/p>\n<p>H\u00e1 pelo menos duas semanas, os analistas come\u00e7aram a montar cen\u00e1rios do que pode ser um governo de Michel Temer no caso de impeachment ou de ren\u00fancia de Dilma. H\u00e1 muitas d\u00favidas sobre o vice-presidente da Rep\u00fablica, quase um desconhecido para o mercado. N\u00e3o se sabe se ele realmente ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de levar o pa\u00eds at\u00e9 o fim de 2018. O quadro da economia \u00e9 t\u00e3o desafiador, que ser\u00e1 preciso um aglutinado de for\u00e7as para resgatar a credibilidade do governo.  <\/p>\n<p>Dois nomes, inclusive, j\u00e1 aparecem na lista dos investidores como poss\u00edveis candidatos ao minist\u00e9rio da Fazenda de Temer: o senador Jos\u00e9 Serra, do PSDB; e Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central. Na vis\u00e3o do mercado, se Dilma cair, n\u00e3o h\u00e1 como manter Levy na chefia da equipe econ\u00f4mica, devido ao desgaste que ele acumulou desde que tomou posse.  <\/p>\n<p>Os investidores, por\u00e9m, olham muito al\u00e9m. Independentemente de Dilma ficar ou n\u00e3o no comando do pa\u00eds, eles querem antecipar, para 2017, o debate eleitoral. Na opini\u00e3o de executivos de bancos, n\u00e3o h\u00e1, atualmente, um nome forte, que agregue for\u00e7a suficiente para tirar o Brasil da rota do desastre. A situa\u00e7\u00e3o que a economia se encontra hoje levar\u00e1 anos para ser revertida. Nas contas do Ita\u00fa Unibanco, na\u00e7\u00f5es que perdem o grau de investimento demoram, em m\u00e9dia, sete anos para reconquistar tal chancela.  <\/p>\n<p>No caso do Brasil, certamente esse prazo poder\u00e1 ser maior, dado o estrago provocado por Dilma e sua trupe nos \u00faltimos quatro anos. Como diz um investidor atento, que acompanha todos os passos do pa\u00eds, o que se v\u00ea hoje \u201c\u00e9 um bonde carregado de gasolina caminhando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 montanha\u201d. A grande d\u00favida \u00e9 se haver\u00e1 tempo para frear o ve\u00edculo. A condutora est\u00e1 se arrastando, com os p\u00e9s e as m\u00e3os atados.  <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 12h31min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A semana terminou muito pior do que come\u00e7ou. 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