{"id":20419,"date":"2021-08-13T18:40:31","date_gmt":"2021-08-13T21:40:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=20419"},"modified":"2021-08-13T19:36:06","modified_gmt":"2021-08-13T22:36:06","slug":"rico-tem-que-ter-vergonha-de-nao-pagar-imposto-diz-paulo-guedes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/rico-tem-que-ter-vergonha-de-nao-pagar-imposto-diz-paulo-guedes\/","title":{"rendered":"&#8220;Rico tem que ter vergonha de n\u00e3o pagar imposto&#8221;, diz Paulo Guedes"},"content":{"rendered":"<h2>ROSANA HESSEL<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>O ministro da Economia, Paulo Guedes, resolveu partir para o ataque em defesa do projeto de lei que reforma o Imposto de Renda e est\u00e1 provocando uma s\u00e9rie de cr\u00edticas de estados, munic\u00edpios e entidades empresariais. Segundo o ministro, a proposta \u00e9 importante, porque vai tributar em 20% os dividendos, pegando uma fatia mais abastada da popula\u00e7\u00e3o e que hoje n\u00e3o \u00e9 tributada.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o tem que ter vergonha de ser rico no Brasil, mas rico tem que ter vergonha de n\u00e3o pagar imposto. \u00c9 um absurdo isso&#8221;, afirmou Guedes, nesta sexta-feira (13\/08), em entrevista \u00e0 r\u00e1dio Jovem Pan, defendendo uma padroniza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas internacionais.\u00a0 Segundo ele, um empres\u00e1rio que recolhe\u00a0 27,5% de Imposto de Renda do empregado n\u00e3o pode querer pagar zero de imposto sobre o rendimento do capital. &#8220;O estado brasileiro foi capturado.\u00a0 Virou uma f\u00e1brica de desigualdades e de privil\u00e9gios&#8221;, afirmou. Ele criticou as aposentadorias do setor p\u00fablico, &#8220;que garante aposentadoria 10 vezes maior do que a maioria dos brasileiros&#8221; e a pol\u00edtica de campe\u00f5es nacionais, &#8220;que privilegiou o cr\u00e9dito barato do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) para grandes empresas&#8221;.\u00a0&#8220;H\u00e1 muito barulho&#8221;, acrescentou, defendendo a proposta de reforma tribut\u00e1ria do governo &#8220;em cap\u00edtulos&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com Guedes, h\u00e1 25 anos, os rendimentos sobre o capital n\u00e3o pagam impostos no Brasil. &#8220;Justamente os super ricos, que vive de dividendos e a classe m\u00e9dia alta est\u00e3o sendo convidados a contribuir&#8221;, disse ele, citando que apenas Brasil, Let\u00f4nia e Est\u00f4nia n\u00e3o tributam dividendos. Segundo ele, o Chile, que est\u00e1 na vanguarda justamente com esse tipo de pol\u00edtica cobra 40% sobre o dividendos, mas cobra 10% no lucro das empresas e o Brasil vai aplicar uma das &#8220;menores al\u00edquotas&#8221; praticadas no mundo ocidental. De acordo com o ministro, quem n\u00e3o paga vai pagar, mas quem t\u00e1 pagando n\u00e3o vai pagar mais, &#8220;desde que todos paguem&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com Guedes, o governo quer reduzir &#8220;drasticamente&#8221; tributa\u00e7\u00e3o sobre as empresas e tributar mais a renda da pessoa f\u00edsica, pois, no ano passado, foram pagos R$ 400 bilh\u00f5es em dividendos e quem recebeu n\u00e3o pagou um centavo de imposto.\u00a0&#8220;\u00c9 importante o Brasil dar um sinal de que vai passar a tributar menos as empresas, desonerando empresas e os assalariados&#8221;, declarou. Segundo ele, 20 mil pessoas que receberam esses R$ 400 bilh\u00f5es de dividendos \u00e9 que est\u00e3o fazendo barulho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O eixo principal da reforma \u00e9 uma converg\u00eancia em dire\u00e7\u00e3o aos praticados nas maiores economias do mundo&#8221;, justificou o ministro ao defender a tributa\u00e7\u00e3o sobre dividendos. Ele destacou que o Brasil est\u00e1 em processo de ades\u00e3o \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), o chamado clube dos ricos, vem v\u00e1rios acordos comerciais pela frente sobre a bitributa\u00e7\u00e3o e o pa\u00eds tem um sistema tribut\u00e1rio &#8220;perverso&#8221; sobre as empresas e que subiu nos \u00faltimos 40 anos, porque os gastos p\u00fablicos subiram ininterruptamente. &#8220;Exatamente, nesse per\u00edodo, os impostos est\u00e3o descendo no mundo. E na OCDE, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas os impostos vieram em torno de 40% para uma m\u00e9dia de 23%&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&#8220;Guerra pol\u00edtica&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ministro usou um tom ir\u00f4nico ao comentar sobre os empres\u00e1rios que criticam a tributa\u00e7\u00e3o sobre dividendos e sobre os estados, que reclamam de perda de receita com a redu\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ). &#8220;Se os donos das empresas e os estados est\u00e3o reclamando, acho que chegamos a um ponto de equil\u00edbrio interessante&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do ministro, quem defende uma proposta mais ampla como a que est\u00e1 sendo debatida no Senado Federal, a PEC 110\/2019, e a que foi arquivada na C\u00e2mara a PEC 45\/2019, est\u00e1 &#8220;mal informado&#8221;. Segundo ele, nunca houve uma converg\u00eancia de estados e munic\u00edpios em torno da proposta, depois de receberem &#8220;meio trilh\u00e3o (de reais)&#8221;, os entes federativos queriam &#8220;mais meio trilh\u00e3o&#8221; para um fundo de compensa\u00e7\u00e3o de perdas com a reforma tribut\u00e1ria. &#8220;Nunca existiu essa converg\u00eancia. Era uma guerra pol\u00edtica&#8221;, disse ele, n\u00e3o poupando cr\u00edticas \u00e0 PEC 45, do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), que foi relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao confundir as duas propostas, Guedes disse que os autores da PEC 45, &#8220;nunca fizeram os c\u00e1lculos&#8221;, porque haveria aumento &#8220;intoler\u00e1vel&#8221; de imposto, para algo entre 26% e 34%. Ele disse que o IBS (Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os,) previsto na PEC 45 &#8212; que prev\u00ea a unifica\u00e7\u00e3o de tr\u00eas tributos federais\u00a0(IPI, PIS e Cofins), o ICMS (estadual) e o ISS (municipal), &#8211;, o ministro citou o Imposto de Renda como um dos tributos inclu\u00eddos no IBS. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 PEC 110, que unifica nove tributos, ele disse que tamb\u00e9m &#8220;h\u00e1 aumento brutal de imposto&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Modestamente, quem defende uma reforma ampla n\u00e3o conseguiu fazer&#8221;, disse.\u00a0 &#8220;Quero fazer uma proposta menos ambiciosa mas que est\u00e1 indo na dire\u00e7\u00e3o certa&#8221;, adicionou, acrescentando que os estados nunca tiveram tantos repasses da Uni\u00e3o como agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O que tem \u00e9 muita guerra pol\u00edtica, porque quem vai come\u00e7ar a pagar imposto \u00e9 quem tem rendimento sobre o capital. N\u00e3o s\u00e3o os assalariados que est\u00e3o reclamando&#8221;, disse. &#8220;S\u00e3o justamente os lobbies corporativos&#8221;, emendou, citando federa\u00e7\u00f5es e escrit\u00f3rios de advocacia, que, segundo ele, &#8220;pela primeira vez v\u00e3o come\u00e7ar a pagar imposto&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Principais mudan\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A proposta de reforma do IR corrige pela primeira vez desde 2015 a tabela do Imposto de Renda Pessoa F\u00edsica (IRPF), elevando de R$ 1,9 para R$ 2,5 mil e acaba com a dedu\u00e7\u00e3o de 15% do Juro sobre Capital Pr\u00f3prio (JCP) e passa a taxar em 20% os dividendos pagos pelas empresas aos acionistas. Uma das contrapartidas \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota de at\u00e9 25% do Imposto de Renda Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) sobre o lucro, sendo 10% adicionais para as empresas com lucro acima de R$ 20 mil por m\u00eas,\u00a0 Somada com a Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL), de 9%, e que esses tributos sobre o lucro das empresas chega a 34%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As propostas do relator para o substitutivo, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), que j\u00e1 sofreram v\u00e1rias mudan\u00e7as, e, no enviado ontem ao Congresso, prev\u00ea redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota fixa de 15% do IRPJ, para para 12,5%, em 2022, e para 10% a partir de\u00a02023.\u00a0 Apesar das altera\u00e7\u00f5es do relator, a falta de acordo entre os parlamentares fez com que a vota\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria no plen\u00e1rio da C\u00e2mara do Deputados fosse adiada novamente e ficou para a pr\u00f3xima semana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O que est\u00e1 na proposta do Celso Sabino \u00e9 uma queda do imposto (sobre o lucro das empresas) de 34% para\u00a0 24%, logo no primeiro ano de implanta\u00e7\u00e3o da reforma. Isso \u00e9 um sinal importante que estaremos dando, revertendo algumas pol\u00edticas que consideramos perversas&#8221;, afirmou Guedes, citando uma das promessas de campanha que era reverter v\u00e1rias pol\u00edticas das ultimas d\u00e9cadas, buscando fazer o pa\u00eds deixar ser o para\u00edso dos rentistas e o inferno dos empreendedores. A ideia, segundo o ministro, a ideia era que o imposto sobre o lucro das empresas ca\u00edssem para 21,5%, mas, depois da reclama\u00e7\u00e3o dos estados, &#8220;que est\u00e3o pressionando para n\u00e3o haver reforma&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos do ministro, 32 milh\u00f5es de trabalhadores ser\u00e3o beneficiados com a reforma do IR, que \u00e9 o segundo cap\u00edtulo da &#8220;reforma ampla&#8221; do governo. &#8220;Eu s\u00f3 quero entender o seguinte. Como \u00e9 que pode, se os impostos est\u00e3o subindo ter essa reclama\u00e7\u00e3o toda dos estados de que eles v\u00e3o perder receita. E, de outro lado, o relator j\u00e1 fez os ajustes para eles n\u00e3o perder. E, por outro lado, os empres\u00e1rios dizendo que v\u00e3o pagar mais impostos&#8221;, disse ele, defendendo que o empres\u00e1rio vai pagar menos imposto. Al\u00e9m disso, refor\u00e7ou que, como h\u00e1 aumento da arrecada\u00e7\u00e3o e o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 5,5% (neste ano), existe uma &#8220;janela de oportunidade&#8221; para aprovar a reforma tribut\u00e1ria. &#8220;Nunca estivemos t\u00e3o perto de uma reforma&#8221;, alegou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL O ministro da Economia, Paulo Guedes, resolveu partir para o ataque em defesa do projeto de lei que reforma o Imposto de Renda e est\u00e1 provocando uma s\u00e9rie de cr\u00edticas de estados, munic\u00edpios e entidades empresariais. 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