{"id":205,"date":"2015-09-26T00:01:00","date_gmt":"2015-09-26T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/em_farrapos\/"},"modified":"2015-09-26T00:01:00","modified_gmt":"2015-09-26T03:01:00","slug":"em_farrapos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/em_farrapos\/","title":{"rendered":"EM FARRAPOS"},"content":{"rendered":"<p>A a\u00e7\u00e3o conjunta do Banco Central com o Tesouro Nacional para derrubar o d\u00f3lar e reverter a disparada dos juros no mercado futuro deu a exata no\u00e7\u00e3o de como o governo Dilma Rousseff se ressente de um grande coordenador, algu\u00e9m que possa unir for\u00e7as e definir dire\u00e7\u00f5es. No primeiro momento em que os dois \u00f3rg\u00e3o resolveram se falar, os resultados se mostraram satisfat\u00f3rios, ainda que o alcance tenha sido limitado devido \u00e0s grandes incertezas que devastam o pa\u00eds.  <\/p>\n<p>Como bem ressalta um alto funcion\u00e1rio do Executivo, \u201cnum governo esfarrapado, qualquer sinal de lucidez faz milagre\u201d. Ele ressalta que o que move a Esplanada dos Minist\u00e9rios hoje \u00e9 a guerra de egos. \u201cCada um faz o que quer, desde que seja em benef\u00edcio pr\u00f3prio. Isso ocorre porque n\u00e3o h\u00e1 lideran\u00e7a\u201d, afirma. O resultado \u00e9 um desperd\u00edcio de tempo e de dinheiro p\u00fablico, inaceit\u00e1vel em tempos t\u00e3o dif\u00edceis.  <\/p>\n<p>Na \u00e1rea econ\u00f4mica, destaca o mesmo funcion\u00e1rio, era esperado que, num momento de crise t\u00e3o aguda, houvesse sintonia nas a\u00e7\u00f5es. Mas o que se assiste desde o in\u00edcio do segundo mandato de Dilma \u00e9 uma disputa brutal por poder que s\u00f3 aumenta a desconfian\u00e7a entre empres\u00e1rios e investidores. \u00c9 a Fazenda atirando para um lado, o Minist\u00e9rio do Planejamento apontando para outro e o Banco Central no meio, sem saber para onde correr.  <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 um jogo combinado, o que nos leva a concluir que ou eles n\u00e3o se falam ou n\u00e3o se gostam, ou as duas coisas juntas, o que \u00e9 ruim para o governo e muito pior para o pa\u00eds\u201d, complementa outro t\u00e9cnico com tr\u00e2nsito livre no Pal\u00e1cio do Planalto. No entender dele, foi preciso que o d\u00f3lar batesse em R$ 4,25 e o mercado passasse a apostar em aumento de mais 4,5 pontos percentuais na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) para que o BC e o Tesouro acordassem. \u201cPena que esse despertar tenha se dado t\u00e3o tarde\u201d, diz.  <\/p>\n<p>A fatura da desuni\u00e3o \u00e9 enorme, a come\u00e7ar pelo rebaixamento do pa\u00eds. Se, desde o in\u00edcio, tivesse prevalecido a sensatez dentro do governo, certamente o Brasil n\u00e3o teria perdido o selo de bom pagador pela Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P) e a economia n\u00e3o estaria afundando t\u00e3o rapidamente. Mas, em vez de encarar os problemas de forma clara e efetiva, os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, preocuparam-se mais em fazer valer suas ideias. Essa guerra resultou no envio de uma proposta de Or\u00e7amento deficit\u00e1rio para o Congresso, decis\u00e3o que mescla incompet\u00eancia e m\u00e1-f\u00e9.  <\/p>\n<p><b>Agonia di\u00e1ria<\/b>  <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Cristiano Noronha, analista da Arko Advice, o que se v\u00ea \u00e9 um governo especializado em autodestrui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o bastassem todos os inimigos externos, criou-se uma batalha fratricida dentro da pr\u00f3pria m\u00e1quina. A maior culpada por esse desastre \u00e9 a presidente Dilma, que, com suas idas e vindas, indica que nem mesmo a pessoa que deveria comandar o sistema sabe o que quer.  <\/p>\n<p>Para Noronha, a falta de comando \u00e9 vis\u00edvel na economia e na pol\u00edtica, e os erros, expl\u00edcitos. \u201cNos \u00faltimos anos, o governo decidiu dar as costas para o Congresso e optou por uma pol\u00edtica econ\u00f4mica de muitas concess\u00f5es e est\u00edmulos\u201d, afirma. Ele acredita que a situa\u00e7\u00e3o se agravou de uma forma t\u00e3o feroz, que ser\u00e1 dif\u00edcil reverter os problemas t\u00e3o cedo. No caso da pol\u00edtica, os novos minist\u00e9rios que ser\u00e3o dados ao PMDB abrir\u00e3o uma janela no curto prazo. Na economia, a aprova\u00e7\u00e3o da CPMF pode indicar um caminho menos tortuoso.  <\/p>\n<p>\u201cContudo, a agonia continuar\u00e1\u201d, frisa Noronha. As investiga\u00e7\u00f5es da Lava-Jato est\u00e3o mantidas, a economia vai afundar mais e o desemprego aumentar, novas dela\u00e7\u00f5es premiadas est\u00e3o no radar, h\u00e1 vetos de Dilma a serem apreciadas pelo Congresso e a necessidade de aprova\u00e7\u00e3o da CPMF e da DRU (Desvincula\u00e7\u00e3o de Receitas Or\u00e7ament\u00e1rias). \u201cEm resumo, teremos um governo extremamente pressionado\u201d, complementa.  <\/p>\n<p><b>Levy no grau especulativo<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb O conceito de Joaquim Levy, que j\u00e1 n\u00e3o era nos melhores junto ao vice-presidente da Rep\u00fablica, Michel Temer, caiu mais alguns degraus ontem, depois do bate-boca que os dois tiveram pela imprensa, envolvendo a CPMF. Quem conhece Temer garante que, para o vice, Levy j\u00e1 perdeu o grau de investimento h\u00e1 tempos.  <\/p>\n<p><b>Dia de paz no Planalto<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb Apesar da gravidade da crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica enfrentada pelo governo, o clima ontem no Planalto era de descontra\u00e7\u00e3o. Nem de longe se sentia a tens\u00e3o dos \u00faltimos dias, quando o pa\u00eds foi v\u00edtima de um ataque especulativo. O al\u00edvio, por\u00e9m, tinha tudo a ver com a aus\u00eancia de Dilma, que est\u00e1 em viagem aos Estados Unidos.  <\/p>\n<p><b>Calote disseminado<\/b>  <\/p>\n<p>\u00bb O dado \u00e9 alarmante: quatro em cada dez consumidores que se atolaram no rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito declararam calote. Nas d\u00edvidas renegociadas com os bancos, 16,2% n\u00e3o conseguem cumprir os compromissos acertados, mesmo que em condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis.  <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A a\u00e7\u00e3o conjunta do Banco Central com o Tesouro Nacional para derrubar o d\u00f3lar e reverter a disparada dos juros no mercado futuro deu a exata no\u00e7\u00e3o de como o governo Dilma Rousseff se ressente de um grande coordenador, algu\u00e9m que possa unir for\u00e7as e definir dire\u00e7\u00f5es. 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