{"id":206,"date":"2015-09-29T00:01:00","date_gmt":"2015-09-29T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/buraco_sem_fundo\/"},"modified":"2015-09-29T00:01:00","modified_gmt":"2015-09-29T03:01:00","slug":"buraco_sem_fundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/buraco_sem_fundo\/","title":{"rendered":"BURACO SEM FUNDO"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo bem que tentou preparar os \u00e2nimos, com os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, alardeando sobre cortes de gastos, mas n\u00e3o h\u00e1 como fugir da realidade: as contas p\u00fablicas v\u00e3o de mal a pior. Se os c\u00e1lculos dos especialistas estiverem corretos, o Tesouro Nacional informar\u00e1 hoje que o governo central encerrou agosto com rombo entre R$ 8 bilh\u00f5es e R$ 9 bilh\u00f5es, buraco maior que os R$ 7,2 bilh\u00f5es computados em julho, que j\u00e1 haviam provocado calafrios no mercado. <\/p>\n<p>O deficit, segundo o economista-chefe do Banco Santander, Maur\u00edcio Molan, ser\u00e1 resultado do mau desempenho da arrecada\u00e7\u00e3o, que registrou queda real de 9,3% ante agosto de 2014. Com a economia afundando na recess\u00e3o, caiu, drasticamente, o recolhimento de tributos vinculados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda a dificuldade do governo em reduzir despesas, diante da gastan\u00e7a contratada no primeiro mandato de Dilma Rousseff, e a incapacidade para gerar receitas extraordin\u00e1rias que, em v\u00e1rios momentos, salvaram o Tesouro do vexame. <\/p>\n<p>Pelas contas de Molan, o rombo do governo central foi de R$ 8,4 bilh\u00f5es, o que levar\u00e1 o buraco cavado em agosto por todo o setor p\u00fablico (Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios) a R$ 9,9 bilh\u00f5es \u2013 o dado oficial ser\u00e1 anunciado amanh\u00e3 pelo Banco Central. Somente esses n\u00fameros j\u00e1 seriam suficientes para uma gritaria geral dos investidores ante a incapacidade do governo de conter a deteriora\u00e7\u00e3o fiscal. Mas o BC deve mostrar que o deficit nominal, que inclui os gastos com juros, atingiu 9,36% do Produto Interno Bruto (PIB). J\u00e1 a d\u00edvida bruta, que as ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco dizem estar em trajet\u00f3ria explosiva, pode cravar 65,5% do PIB.<b> <\/p>\n<p>Desconfian\u00e7a<\/b> <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Raul Velloso, especialista em finan\u00e7as p\u00fablicas, o ajuste fiscal prometido pelo governo tornou-se uma miragem. Olhando para os n\u00fameros acumulados nos 12 meses terminados em julho, j\u00e1 era poss\u00edvel dizer que a meta de superavit prim\u00e1rio de 0,15% do PIB prometida por Levy para este ano n\u00e3o seria cumprida. Com as proje\u00e7\u00f5es do mercado para agosto, o ceticismo aumentou. \u201cPara que o governo entregue a meta, ser\u00e1 necess\u00e1rio um arrocho em todos os gastos ou que as receitas aumentem muito. N\u00e3o vemos nada disso acontecendo\u201d, frisa. <\/p>\n<p>Para sustentar sua desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade do governo de cumprir a meta fiscal, Velloso faz uma s\u00e9rie de compara\u00e7\u00f5es \u2014 e todas mostram a piora das contas p\u00fablicas. Em 2003, quando exerceu o cargo de secret\u00e1rio do Tesouro, Joaquim Levy conseguiu que as despesas computassem queda real de 2,3%. As receitas, por sua vez, cresceram 4,4% acima da infla\u00e7\u00e3o. J\u00e1 como ministro da Fazenda, ele anunciou, em maio deste ano, contingenciamento de gastos de R$ 69,9 bilh\u00f5es para entregar a meta de 1,1% do PIB. Para isso, teria que haver retra\u00e7\u00e3o de 1,2% nas despesas e alta de 5,5% na arrecada\u00e7\u00e3o. N\u00e3o demorou muito a se frustrar. Com o caixa federal em frangalhos, foi obrigado a reduzir a meta de superavit para 0,15% do PIB, com estimativas de despesas 1,6% menores ante 2014 e receitas 0,6% maiores. <\/p>\n<p>O quadro atual mostra, por\u00e9m, as despesas com aumento real de 4,6% nos 12 meses terminados em julho e as receitas, com retra\u00e7\u00e3o de 4,9%. Ou seja, nem os gastos nem a arrecada\u00e7\u00e3o est\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o prometida por Levy, e n\u00e3o h\u00e1 perspectivas de que haja mudan\u00e7a de rota nos pr\u00f3ximos meses. Agosto, pelas proje\u00e7\u00f5es dos analistas, foi p\u00e9ssimo em todos os sentidos. Setembro n\u00e3o ser\u00e1 diferente, com o agravante de que est\u00e1 sendo paga parte da primeira parcela do 13\u00ba sal\u00e1rio de aposentados e pensionistas que o ministro da Fazenda quis adiar, mas foi derrotado. <\/p>\n<p><b>Gog\u00f3 desafinado<\/b> <\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o na equipe de Levy \u00e9 para manter o discurso positivo. Mas os t\u00e9cnicos da Fazenda j\u00e1 t\u00eam pronta a minuta do projeto que dever\u00e1 ser encaminhado ao Congresso nos pr\u00f3ximos meses, com o governo admitindo que a meta de superavit de 0,15% do PIB n\u00e3o ser\u00e1 cumprida e, muito provavelmente, o rombo ser\u00e1 maior do que os R$ 17,7 bilh\u00f5es previstos no caso de desconto dos gastos com o Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC). <\/p>\n<p>\u00c9 essa a raz\u00e3o de todo o nervosismo do mercado. Por mais que Levy e Barbosa garantam que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sob controle, que tudo est\u00e1 sendo feito para entregar o que foi prometido, ningu\u00e9m acredita mais no que os ministros dizem. Esse neg\u00f3cio de querer segurar a situa\u00e7\u00e3o no gog\u00f3 n\u00e3o funciona mais, sobretudo quando se tem a certeza de que as contas p\u00fablicas foram destru\u00eddas e nada do que poderia ser feito para recuperar a sa\u00fade delas se tornou realidade. <\/p>\n<p>Levy, que chegou ao governo todo poderoso, j\u00e1 carrega sobre os ombros a perda de grau de investimento do pa\u00eds pela Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P) e pode acrescentar no curr\u00edculo o rebaixamento de mais uma ag\u00eancia de risco. Ontem, a Fitch Ratings nem precisou ser expl\u00edcita em rela\u00e7\u00e3o ao tema para empurrar o d\u00f3lar at\u00e9 s\u00f3 R$ 4,11. <\/p>\n<p><b>Crise s\u00f3 vai aumentar<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A presidente Dilma Rousseff desembarca hoje no Brasil. Gente s\u00e9ria de dentro do governo acredita que a crise que ela deixou rumo aos Estados Unidos ficar\u00e1 maior nos pr\u00f3ximos dias. N\u00e3o h\u00e1 garantia de que o Congresso manter\u00e1 os vetos que ainda faltam ser votados, especialmente o que trata do reajuste do Judici\u00e1rio, e o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) est\u00e1 construindo o consenso para recomendar a rejei\u00e7\u00e3o das contas da petista por causa das pedaladas fiscais. <\/p>\n<p><b>Ind\u00fastria no ch\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Os dados ruins da economia n\u00e3o param de se avolumar. Na sexta-feira, ser\u00e1 a vez de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) anunciar mais uma queda na produ\u00e7\u00e3o industrial. H\u00e1 proje\u00e7\u00f5es apontando para retra\u00e7\u00e3o entre 1,2% e 2% em agosto ante o m\u00eas anterior.<i> <\/p>\n<p><\/i><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo bem que tentou preparar os \u00e2nimos, com os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, alardeando sobre cortes de gastos, mas n\u00e3o h\u00e1 como fugir da realidade: as contas p\u00fablicas v\u00e3o de mal a pior. 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