{"id":212,"date":"2015-10-03T00:10:00","date_gmt":"2015-10-03T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/gangues_do_planalto\/"},"modified":"2015-10-03T00:10:00","modified_gmt":"2015-10-03T03:10:00","slug":"gangues_do_planalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/gangues_do_planalto\/","title":{"rendered":"GANGUES DO PLANALTO"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo est\u00e1 convencido de que, com a reforma ministerial anunciada ontem, a presidente Dilma Rousseff ganhou uma sobrevida. Integrantes do Pal\u00e1cio do Planalto associaram a queda do d\u00f3lar e a alta da bolsa de valores \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o, pelos investidores, das medidas anunciadas pela petista. Mas o que realmente pesou para o bom humor do mercado foi a divulga\u00e7\u00e3o do voto do ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), propondo a rejei\u00e7\u00e3o das contas do governo de 2014. Os investidores sonham com o impeachment de Dilma. <\/p>\n<p>Apesar do discurso positivo no Planalto, o clima \u00e9 de apreens\u00e3o. Mesmo as pessoas mais pr\u00f3ximas da presidente admitem que ela deu a \u00faltima cartada ao ampliar a participa\u00e7\u00e3o do PMDB no governo. O problema \u00e9 que Dilma, no desespero, entregou seu mandato a uma ala extremamente podre do partido, um grupo \u2013 ou uma gangue, como ressaltam t\u00e9cnicos da equipe econ\u00f4mica \u2013 que n\u00e3o tem o menor compromisso com a \u00e9tica e a fidelidade. Est\u00e1 mais interessado em tirar o maior proveito poss\u00edvel dos bilh\u00f5es de reais que vai administrar. <\/p>\n<p>T\u00e9cnicos importantes do governo reconhecem que Dilma fez uma esp\u00e9cie de ren\u00fancia branca para sustentar a travessia at\u00e9 2018. Mas a possibilidade de interrup\u00e7\u00e3o do mandato continua latente. E, pior, n\u00e3o se tem a garantia de que o PMDB dar\u00e1 os votos necess\u00e1rios \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal que est\u00e1 tramitando no Congresso. Para a equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o Banco Central, n\u00e3o importa se a presidente vendeu a alma ao diabo. O que interessa \u00e9 se ela ter\u00e1 for\u00e7as para convencer os parlamentares sobre a urg\u00eancia de se arrumar as contas p\u00fablicas. <\/p>\n<p>\u201cA agonia \u00e9 grande\u201d, ressalta um auxiliar de Levy. O tempo para a aprova\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal est\u00e1 encurtando. A ressurrei\u00e7\u00e3o da CPMF, vista, no momento, como a salva\u00e7\u00e3o para o caixa do governo, n\u00e3o est\u00e1 garantida com o novo minist\u00e9rio. H\u00e1, no entender da equipe econ\u00f4mica, uma barreira enorme atravancando o caminho para a aprova\u00e7\u00e3o do tributo. Esse empecilho tem nome e sobrenome: Eduardo Cunha. N\u00e3o se sabe at\u00e9 que ponto ele est\u00e1 enfraquecido depois da descoberta de contas no nome dele na Su\u00ed\u00e7a. Uma coisa \u00e9 certa, Cunha vai morrer atirando e, para a artilharia, far\u00e1 todo o poss\u00edvel para aprovar o impeachment de Dilma. <\/p>\n<p><b>Grande teste<\/b> <\/p>\n<p>A pr\u00f3xima semana, por sinal, j\u00e1 ser\u00e1 um grande teste para ver se Dilma, ao entregar o governo ao ex-presidente Lula e&nbsp; ao vice-presidente da Rep\u00fablica, Michel Temer, conseguiu aglutinar as for\u00e7as pol\u00edticas que precisa. O TCU julgar\u00e1 as pedaladas fiscais, manobras que permitiram ao governo esconder a triste realidade das contas p\u00fablicas. Pelo menos tr\u00eas ministros s\u00e3o ligados diretamente ao presidente do Senado, Renan Calheiros, que conseguiu manter seu feudo no governo a troco de ser um contraponto a Eduardo Cunha. <\/p>\n<p>At\u00e9 ontem, o placar entre os nove ministros do TCU era desfavor\u00e1vel \u00e0 presidente. Mas Calheiros prometeu virar o jogo para evitar que a rejei\u00e7\u00e3o das contas chegue ao Congresso. Caso n\u00e3o tenha a garantia de vit\u00f3ria, o governo orientar\u00e1 o presidente do Senado a convencer um de seus protegidos a pedir vistas do processo e adiar a vota\u00e7\u00e3o ao m\u00e1ximo. \u00c9 quest\u00e3o de honra para Dilma resolver a fatura no Tribunal e n\u00e3o ficar dependente de apoio dos parlamentares, pois, a qualquer momento, a tr\u00e9gua conseguida com o novo minist\u00e9rio pode se romper. <\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, no curto horizonte do governo, a possibilidade de novas den\u00fancias da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. As investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal est\u00e3o se aproximando cada vez mais do Planalto e de Lula. Se sentir que a corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras pode custar o mandato de Dilma, o PMDB que hoje lhe estende a m\u00e3o pode lhe dar um tapa de trai\u00e7\u00e3o. Para um partido que tem sete minist\u00e9rios, nada melhor do que a possibilidade de ter a Esplanada inteira. <\/p>\n<p><b>Torcida aflita<\/b> <\/p>\n<p>Todos esses riscos est\u00e3o mapeados pela equipe econ\u00f4mica. Entre auxiliares de Levy e do presidente do BC, Alexandre Tombini, a vis\u00e3o \u00e9 de que, com a nova configura\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio, Dilma talvez sobreviva ao impeachment. Para isso, \u00e9 preciso que o PMDB abra m\u00e3o de sua principal caracter\u00edstica, a ambiguidade, e realmente passe a apoiar o governo. Nesse contexto, poderia se aprovar um ajuste fiscal que n\u00e3o evitaria o rebaixamento do Brasil pela Moody\u2019s e pela Fitch, mas daria aos investidores sinais de sustenta\u00e7\u00e3o na d\u00edvida bruta, que, em agosto, chegou a 65,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e pode fechar o ano em 70%, se a velocidade atual de crescimento for mantida. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos, esse ajuste, mesmo que m\u00ednimo, mas com uma certa dire\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 capaz de acalmar os investidores e derrubar os pre\u00e7os do d\u00f3lar, um al\u00edvio sobre a infla\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, o BC poderia ver as expectativas para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) caindo e pavimentando o caminho para o in\u00edcio da queda da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano \u2013 o que seria um combust\u00edvel e tanto para a economia. \u201cO Brasil n\u00e3o tem espa\u00e7o fiscal para agir, mas tem muito espa\u00e7o monet\u00e1rio\u201d, diz um dos integrantes da equipe econ\u00f4mica. <\/p>\n<p>Para os t\u00e9cnicos, com a atividade respondendo \u00e0 queda dos juros, as receitas v\u00e3o melhorar e o ajuste fiscal ficar\u00e1 menos doloroso. Nenhum deles, por\u00e9m, acredita em um \u201cboom\u201d econ\u00f4mico, mesmo que esse quadro positivo se confirme. Na verdade, o que se far\u00e1 \u00e9 corrigir o m\u00e1ximo poss\u00edvel de erros para que o pr\u00f3ximo governo possa realizar as reformas que o pa\u00eds tanto precisa. \u201cN\u00e3o podemos s\u00f3 ficar pensando no fim do mundo\u201d, afirma um integrante do Planalto. Mas ele admite que tudo, \u201cinfelizmente\u201d, depende do PMDB, que tem os p\u00e9s em dois barcos. Se o partido inviabilizar o impeachment e apoiar o ajuste fiscal, \u00f3timo. Do contr\u00e1rio, com o PMDB dividido, o pa\u00eds n\u00e3o vai estourar, mas tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 consertado. E o resultado ser\u00e1 mais recess\u00e3o, infla\u00e7\u00e3o e desemprego.<i> <\/p>\n<p><\/i><i>Bras\u00edlia, 00h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo est\u00e1 convencido de que, com a reforma ministerial anunciada ontem, a presidente Dilma Rousseff ganhou uma sobrevida. 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