{"id":21277,"date":"2021-10-13T15:00:26","date_gmt":"2021-10-13T18:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=21277"},"modified":"2021-10-13T21:26:15","modified_gmt":"2021-10-14T00:26:15","slug":"fmi-melhora-previsao-da-divida-do-brasil-mas-taxa-continua-elevada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/fmi-melhora-previsao-da-divida-do-brasil-mas-taxa-continua-elevada\/","title":{"rendered":"FMI melhora previs\u00e3o da d\u00edvida do Brasil, mas taxa continua elevada"},"content":{"rendered":"<h2>ROSANA HESSEL<\/h2>\n<h2>O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) fez uma revis\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es fiscais dos pa\u00edses membros, reduzindo as estimativas de endividamento global. Conforme o relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/FM\/Issues\/2021\/10\/13\/fiscal-monitor-october-2021\">Monitor Fiscal<\/a> divulgado nesta quarta-feira (13\/10), a d\u00edvida p\u00fablica bruta do Brasil ficar\u00e1 abaixo de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de 2023, mas ainda continua em patamares acima de 90% do PIB e da m\u00e9dia dos pa\u00edses emergentes em, torno de 65% do PIB.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O FMI utiliza uma metodologia diferente da divulgada pelo Banco Central, incluindo os t\u00edtulos em carteira da autoridade monet\u00e1ria, para ser compar\u00e1vel com outros pa\u00edses. No novo relat\u00f3rio, a d\u00edvida p\u00fablica bruta do pa\u00eds passar\u00e1 de 98,9% do PIB, em 2020 &#8212; pelos c\u00e1lculos do BC essa taxa foi 88,8% do PIB &#8212; \u00a0para 90,6%, neste ano. Segundo o Fundo, um dos motivos dessa melhora \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do rombo fiscal entre exportadores de petr\u00f3leo em fun\u00e7\u00e3o de &#8220;melhorias significativas na receita, j\u00e1 que o petr\u00f3leo\u00a0os pre\u00e7os aumentam&#8221;, algo que beneficiou Brasil e R\u00fassia entre os pa\u00edses emergentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com especialistas em contas p\u00fablicas, a infla\u00e7\u00e3o mais elevada neste ano &#8212; que j\u00e1 roda na casa de dois d\u00edgitos &#8212;\u00a0 tamb\u00e9m tem ajudado na redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, porque o deflator que corrige do PIB nominal acaba aumentando o denominador, e reduzindo, consequentemente, a taxa de endividamento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme dados do novo relat\u00f3rio do FMI, haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica bruta do Brasil em 2022, para 90,2% do PIB. E, a\u00a0partir de 2023, essa dever\u00e1 voltar a subir em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, passando para 91,7% do PIB e, depois para 92,4%, em 2024, para 92,6%, em 2025. E, somente em 2026, haver\u00e1 um leve recuo para 92,4%.\u00a0 No relat\u00f3rio de abril, as proje\u00e7\u00f5es para a d\u00edvida p\u00fablica bruta brasileira eram de 98,4% do PIB, neste ano e de 98,8%, em 2022, passando para 100% e 101% do PIB nos anos seguintes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As estimativas do FMI para a m\u00e9dia da d\u00edvida p\u00fablica bruta global, passaram de 98,9%, neste ano, e de 99%, em 2022, para 97,8%. Nos anos seguintes, voltaram a ficar abaixo de 99% do PIB anteriormente previsto, passando para 97%, em 2023, para 96,9%, em 2024, para 96,5% em 2025, e para 97,8%, em 2026.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O aumento na d\u00edvida p\u00fablica em 2020 foi inteiramente justificado pela necessidade de responder \u00e0 covid-19 e suas consequ\u00eancias econ\u00f4micas, sociais e financeiras&#8221;, disse o diretor do Departamento de Assuntos Fiscais, Vitor Gaspar, ao apresentar o relat\u00f3rio onde tamb\u00e9m reconheceu que houve aumento da pobreza global devido \u00e0 pandemia<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2021\/10\/4955150-pobreza-deve-cair-em-2021-mas-segue-muito-acima-do-projetado-antes-da-pandemia-diz-fmi.html\">. O n\u00famero de pessoas na pobreza ainda \u00e9 projetado para ser entre 65 milh\u00f5es e 75 milh\u00f5es mais elevado do que o projetado antes da pandemia, segundo o Fundo<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Endividamento &#8220;sem precedentes&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio divulgado hoje, o Fundo destacou que a<span style=\"font-weight: 400\">\u00a0pandemia da covid-19 j\u00e1 dura h\u00e1 mais de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">20 meses e o mundo \u00e9 confrontado\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">com tr\u00eas problemas globais que exigem\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">a\u00e7\u00e3o global: a grande divis\u00e3o vacinal, a\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a grande divis\u00e3o de financiamento. Pelas estimativas preliminares do organismo multilateral, a d<\/span>\u00edvida emitida por governos,\u00a0<span style=\"font-weight: 400\">empresas n\u00e3o financeiras e fam\u00edlias no ano passado com medidas no combate \u00e0 pandemia &#8220;<\/span><span style=\"font-weight: 400\">atingiu US$ 226 trilh\u00f5es e aumentou em US$ 27 trilh\u00f5es&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8216;Tanto o n\u00edvel (do estoque) quanto o aumento da d\u00edvida n\u00e3o t\u00eam precedentes. N\u00edveis altos e crescentes de p\u00fablico e privado\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">d\u00edvidas est\u00e3o associados a riscos para a estabilidade financeira e f<\/span><span style=\"font-weight: 400\">inan\u00e7as p\u00fablicas.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Este aumento da d\u00edvida p\u00fablica foi totalmente justificado por\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">a necessidade de responder \u00e0 covid-19 e \u00e0 economia,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">consequ\u00eancias sociais e financeiras. Mas o aumento \u00e9\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">espera-se que seja pontual&#8221;, destacou o Fundo, alertando para a necessidade de medidas de austeridade fiscal para evitar uma explos\u00e3o dessa d\u00edvida. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, 90% desse aumento da d\u00edvida no ano passado foram de economias desenvolvidas e da China. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Os mercados emergentes e\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">pa\u00edses em desenvolvimento de baixa renda contribu\u00edram &#8220;com apenas\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">cerca de 7%&#8221; do montante.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na avalia\u00e7\u00e3o do Fundo, as economias avan\u00e7adas recuperem a trajet\u00f3ria de crescimento anterior \u00e0 covid-19. &#8220;O apoio fiscal vai persistir, mas gastos e receitas v\u00e3o\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">aproxime-se gradualmente do caminho pr\u00e9-covid. \u00c9 importante ressaltar que China e Estados Unidos se posicionam\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">com recupera\u00e7\u00f5es precoces e fortes&#8221;, acrescentou. O documento destacou que o<\/span><span style=\"font-weight: 400\">s pa\u00edses com maior credibilidade tamb\u00e9m experimentam taxas de juros mais baixas sobre o governo\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">t\u00edtulos. &#8220;<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Conclus\u00e3o: a responsabilidade fiscal compensa&#8221;, frisou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vale lembrar que, de acordo com o FMI, mais dos US$ 16,9 trilh\u00f5es de medidas fiscais anunciadas pelos governos no combate \u00e0 pandemia devem expirar neste ano. N\u00e3o \u00e0 toa, diante do avan\u00e7o desigual da vacina\u00e7\u00e3o no planeta, o Fundo destacou que <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/para-fmi-a-agenda-global-prioritaria-e-controlar-a-pandemia-da-covid-19\/\">a agenda priorit\u00e1ria global dever\u00e1 ser o controle da covid-19<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00edtica aos subs\u00eddios<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto no relat\u00f3rio de 114 p\u00e1ginas do Monitor Fiscal quanto em outros documentos que est\u00e3o sendo divulgados evento anual do FMI que est\u00e1 ocorrendo nesta semana em Washington, na sede da entidade, com encontros com os ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais dos 189 pa\u00edses membros h\u00e1 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Nesse sentido, o Fundo n\u00e3o tem poupado cr\u00edticas \u00e0s pol\u00edticas de subs\u00eddios, principalmente, \u00e0s relacionadas aos combust\u00edveis f\u00f3sseis e defende mais incentivos para investimentos em energia renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse sentido, o Fundo recomendou que os governos devem se abster de recorrer a subs\u00eddios generalizados no setor energ\u00e9tico, apesar do aumento dos pre\u00e7os. &#8220;<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Os subs\u00eddios de amplo espectro s\u00e3o custosos, motivo pelo qual os formuladores de pol\u00edticas deveriam usar recurso espec\u00edfico para ajudar as fam\u00edlias de baixa renda mais afetadas pelo recente aumento dos pre\u00e7os da energia, disse Paulo Medas, do Departamento de Finan\u00e7as P\u00fablicas do FMI, de acordo com a ag\u00eancia<em> France Presse.<\/em>\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os subs\u00eddios generalizados &#8220;beneficiam fam\u00edlias ricas que n\u00e3o precisam de apoio&#8221;, o que os torna &#8220;muito custosos&#8221;, disse Medas, em entrevista coletiva. Ele\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">disse que o aumento dos pre\u00e7os da energia era esperado, at\u00e9 certo ponto, enquanto a demanda global vai-se recuperando da pandemia da covid-19 e insistiu, contudo, que o FMI estimula os pa\u00edses a avan\u00e7arem mais rumo \u00e0 energia verde.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;A realidade \u00e9 que enfrentamos estas grandes volatilidades nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do g\u00e1s h\u00e1 muito tempo. E a \u00fanica forma de lidar com isso, de maneira permanente&#8221;, \u00e9 investir mais em energia renov\u00e1vel&#8221;, disse.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o documento do FMI, muitos pa\u00edses se encontram em uma situa\u00e7\u00e3o em que o apoio fiscal ainda \u00e9 inestim\u00e1vel para proteger vidas e meios de subsist\u00eancia e, ao mesmo tempo, os governos tamb\u00e9m enfrentam quest\u00f5es sobre seu endividamento elevado e necessidades brutas de financiamento, e, para atingir n\u00edveis de d\u00edvida s\u00e3o sustent\u00e1veis \u200b\u200bno longo prazo ser\u00e1 preciso que os governos se\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">comprometam com a redu\u00e7\u00e3o do deficit no futuro.\u00a0 &#8220;Os governos disp\u00f5em de v\u00e1rios instrumentos, incluindo a realiza\u00e7\u00e3o de reformas fiscais estruturais (como reforma previdenci\u00e1ria ou reforma de subs\u00eddios), pr\u00e9-legislar mudan\u00e7as nos impostos ou nos gastos e se comprometer com regras fiscais que levem \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do deficit no futuro&#8221;, informou. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Os pa\u00edses que seguem as regras da d\u00edvida, por exemplo, conseguem reduzir a d\u00edvida mais rapidamente do que outros pa\u00edses, embora as regras fiscais tamb\u00e9m devam fornecer flexibilidade suficiente para gastar em momentos de necessidade. De modo geral, os governos que se comprometem com finan\u00e7as p\u00fablicas s\u00f3lidas e que alcan\u00e7am altos n\u00edveis de transpar\u00eancia fiscal colhem benef\u00edcios significativos: seus or\u00e7amentos s\u00e3o mais confi\u00e1veis, seus an\u00fancios s\u00e3o melhor percebidos pela m\u00eddia e eles pagam taxas de juros mais baixas sobre suas d\u00edvidas&#8221;, acrescentou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) fez uma revis\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es fiscais dos pa\u00edses membros, reduzindo as estimativas de endividamento global. 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