{"id":215,"date":"2015-10-07T00:10:00","date_gmt":"2015-10-07T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/fonte_de_contagio\/"},"modified":"2015-10-07T00:10:00","modified_gmt":"2015-10-07T03:10:00","slug":"fonte_de_contagio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/fonte_de_contagio\/","title":{"rendered":"FONTE DE CONT\u00c1GIO"},"content":{"rendered":"\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000, era comum ouvir que o Brasil havia sido v\u00edtima do cont\u00e1gio de alguma crise externa. Qualquer espirro que o mundo dava era suficiente para deixar o pa\u00eds de joelhos. Com a consolida\u00e7\u00e3o da estabilidade econ\u00f4mica e os anos seguidos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), felizmente, esse quadro mudou. O Brasil ganhou robustez e sua import\u00e2ncia para o desempenho da economia global aumentou. <\/p>\n<p>O desej\u00e1vel, por\u00e9m, era que o Brasil fosse sempre fonte de boas not\u00edcias para o planeta. Mas o que se tem visto \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. O pa\u00eds, com o desastre provocado por Dilma Rousseff, tornou-se um problema. Agora, \u00e9 visto como fonte de cont\u00e1gio para o mundo. Dados do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) mostram que a economia brasileira, com previs\u00e3o de retra\u00e7\u00e3o de 3% neste ano e de 1% em 2016, vai arrastar para o buraco parte dos vizinhos latino-americanos e provocar estragos nos mercados emergentes. <\/p>\n<p>Portanto, ao contr\u00e1rio do que diz Dilma, n\u00e3o s\u00e3o os problemas internacionais que est\u00e3o minando a economia brasileira. S\u00e3o os erros que ela cometeu, que resultaram em infla\u00e7\u00e3o nas alturas, desemprego e desconfian\u00e7a, os respons\u00e1veis pela terra arrasada em que se transformou o pa\u00eds, com reflexos mundo afora. A Am\u00e9rica Latina, segundo o FMI, ter\u00e1, neste ano, a primeira contra\u00e7\u00e3o de PIB em mais de uma d\u00e9cada. O resultado ser\u00e1 puxado, sobretudo, pelo Brasil. O mais assustador \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o \u00e0 vista. N\u00e3o para o pa\u00eds. <\/p>\n<p><b>Derrota<\/b> <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, com as mudan\u00e7as promovidas por Dilma nos minist\u00e9rios, tentou-se abrir uma janela no horizonte sombrio que assusta a todos. Deu-se um voto de confian\u00e7a ao governo, de que conseguiria sair da frente do precip\u00edcio. Mas bastou o primeiro teste \u2014 a vota\u00e7\u00e3o no Congresso para garantir os vetos presidenciais \u2014 para se constatar que a presidente continua muito fragilizada. Mesmo assumindo pessoalmente a articula\u00e7\u00e3o para garantir a vota\u00e7\u00e3o de ontem, n\u00e3o conseguiu qu\u00f3rum suficiente. Nem mesmo de parlamentares do seu partido, o PT. <\/p>\n<p>A inviabilidade do governo Dilma est\u00e1 se tornando flagrante. E \u00e9 isso que est\u00e1 fazendo a atividade afundar. A cada semana, as proje\u00e7\u00f5es para o PIB s\u00f3 pioram. O Ita\u00fa Unibanco j\u00e1 prev\u00ea retra\u00e7\u00e3o de 1,5% em 2016. Confirmadas as estimativas mais atuais, o tamanho da economia Brasil recuar\u00e1, ao fim do ano que vem, aos mesmos n\u00edveis observados em 2011, quando a presidente tomou posse. N\u00e3o h\u00e1 registro na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds, pelo menos no per\u00edodo p\u00f3s-redemocratiza\u00e7\u00e3o, de um governo que tenha conseguido tamanha proeza. <\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o pessimismo est\u00e1 em n\u00edveis recordes. O medo dos brasileiros de perder o emprego atingiu o patamar de 1999, quando o pa\u00eds quebrou e foi obrigado a mudar o regime cambial para o sistema de taxas flutuantes. Nas ruas, o que mais se ouve s\u00e3o lamenta\u00e7\u00f5es. No com\u00e9rcio, as lojas vazias estimulam demiss\u00f5es. Nos ch\u00e3o das f\u00e1bricas, o ritmo de trabalho \u00e9 m\u00ednimo. Nem mesmo a perspectiva do Natal consegue melhorar os \u00e2nimos. Todos s\u00f3 olham para 2017, quando se espera que o Brasil tenha tirado pelo menos os p\u00e9s do atoleiro. <\/p>\n<p><b>Hemorragia<\/b> <\/p>\n<p>Apesar do des\u00e2nimo, a torcida \u00e9 para que o governo consiga estancar a hemorragia que levou a economia ao caos. Dilma est\u00e1 tendo a sua \u00faltima chance. O atual acordo com o PMDB \u00e9 um paliativo, mais um caminho para se aprovar um ajuste fiscal que ao menos estabele\u00e7a uma ponte para que evite a morte por inani\u00e7\u00e3o. J\u00e1 est\u00e1 praticamente certo que a CPMF n\u00e3o sair\u00e1 neste ano. Talvez entre em vigor na segunda metade do ano que vem. <\/p>\n<p>Esse \u00e9 o quadro mais positivo aventado por auxiliares de Levy que, a cada dia, reduzem a disposi\u00e7\u00e3o de continuar sentados nas cadeiras que lhes foram oferecidas com a promessa de fazer um ajuste fiscal r\u00e1pido. Na Fazenda, admite-se que Dilma demorou demais para assumir a import\u00e2ncia do ajuste fiscal para que a casa fosse arrumada. A presidente acreditou que, colocar um t\u00e9cnico apoiado pelo mercado financeiro no comando da equipe econ\u00f4mica seria suficiente para conseguir o apoio de que precisava. <\/p>\n<p>A arrog\u00e2ncia da petista a impediu de enxergar que o pa\u00eds caminhava para o buraco rapidamente. S\u00f3 que a fatura est\u00e1 ficando pesada demais para a popula\u00e7\u00e3o. O fosso que separa pobres e ricos voltou a aumentar. A pobreza est\u00e1 novamente batendo \u00e0s portas de muita gente. N\u00e3o h\u00e1 como segurar a insatisfa\u00e7\u00e3o daqueles que est\u00e3o vendo suas conquistas escorrerem pelo ralo. Nesse quadro de desperan\u00e7a e desespero, n\u00e3o h\u00e1 como Dilma chegar at\u00e9 2018. <\/p>\n<p><b>Jogando a toalha<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O sentimento dentro do governo \u00e9 de que a Moody\u2019s, com o relat\u00f3rio divulgado ontem, adiou por pelo menos tr\u00eas meses a decis\u00e3o de rebaixar o Brasil. Mas boa parte da equipe econ\u00f4mica reconhece que a perda do grau de investimento pela ag\u00eancia ser\u00e1 inevit\u00e1vel. <\/p>\n<p><b>O entrave chamado PT<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O ponto que mais pesar\u00e1 para a decis\u00e3o da Moody\u2019s de tirar o selo de bom pagador do pa\u00eds ser\u00e1 a n\u00e3o aprova\u00e7\u00e3o, pelo Congresso, da CPMF at\u00e9 dezembro. Mais do que o PMDB, dizem assessores de Levy, \u00e9 o PT que est\u00e1 jogando a p\u00e1 de cal na recria\u00e7\u00e3o do tributo, que pode render R$ 32 bilh\u00f5es por ano. <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000, era comum ouvir que o Brasil havia sido v\u00edtima do cont\u00e1gio de alguma crise externa. Qualquer espirro que o mundo dava era suficiente para deixar o pa\u00eds de joelhos. 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