{"id":217,"date":"2015-10-09T09:11:00","date_gmt":"2015-10-09T12:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/destruicao_em_massa\/"},"modified":"2015-10-09T09:11:00","modified_gmt":"2015-10-09T12:11:00","slug":"destruicao_em_massa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/destruicao_em_massa\/","title":{"rendered":"DESTRUI\u00c7\u00c3O EM MASSA"},"content":{"rendered":"\n<p>A presidente Dilma Rousseff vai sangrar muito at\u00e9 que o Congresso decida sobre a rejei\u00e7\u00e3o das contas do governo de 2014, proposta pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU). Essa hemorragia, por\u00e9m, custar\u00e1 muito caro ao pa\u00eds. Se a economia est\u00e1 em frangalhos hoje, ficar\u00e1 ainda pior com a indefini\u00e7\u00e3o sobre os rumos a serem tomados pela petista. <\/p>\n<p>O impeachment tornou-se mais real do que nunca. Mas, at\u00e9 que se tenha uma posi\u00e7\u00e3o concreta sobre ele \u2014 favor\u00e1vel ou n\u00e3o a Dilma \u2014 a economia real, a da produ\u00e7\u00e3o e do trabalho, ficar\u00e1 no limbo. N\u00e3o haver\u00e1 clima para decis\u00e3o de grandes neg\u00f3cios. A paralisia da atividade ser\u00e1 paga pelo lado mais fraco da moeda, o dos trabalhadores. <\/p>\n<p>Para se ter uma ideia do que pode acontecer, basta olhar para a situa\u00e7\u00e3o atual da constru\u00e7\u00e3o civil, setor vital para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). Desde que o n\u00edvel da atividade come\u00e7ou a desacelerar, uma onda de demiss\u00f5es se abateu sobre as empresas. A expectativa \u00e9 de que pelo menos 500 mil trabalhadores formais sejam despedidos em 2015, o que representa 17% da m\u00e3o de obra empregada pelas construtoras. <\/p>\n<p>Isso significa dizer que 500 mil fam\u00edlias, na melhor das hip\u00f3teses, ficar\u00e3o sem os rendimentos de um de seus integrantes. Levando-se em conta que cada resid\u00eancia tem quatro pessoas, em m\u00e9dia, 2 milh\u00f5es de brasileiros ser\u00e3o atingidos pelo fechamento de postos com carteira assinada nos canteiros de obras. <\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos do presidente da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (Cbic), Jos\u00e9 Carlos Martins, esse meio milh\u00e3o de trabalhadores deixar\u00e3o de embolsar R$ 8,8 bilh\u00f5es em sal\u00e1rios ao longo de um ano, considerando um rendimento m\u00e9dio mensal de R$ 1.472,67. Trata-se de um baque e tanto para o consumo. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Tamb\u00e9m o governo perder\u00e1. E justamente em uma \u00e1rea problem\u00e1tica, a Previd\u00eancia Social, cujos rombos no caixa s\u00e3o crescentes. Os demitidos deixar\u00e3o de contribuir com R$ 2,74 bilh\u00f5es ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ressalte-se: esse preju\u00edzo ser\u00e1 apenas com os dispensados da constru\u00e7\u00e3o civil. Imagine esse c\u00e1lculo ampliado com todos os trabalhadores vitimados pela crise. <\/p>\n<p>O quadro fica mais assustador porque a maior parte dos demitidos dos canteiros de obras n\u00e3o t\u00eam grande qualifica\u00e7\u00e3o. A primeira op\u00e7\u00e3o deles ser\u00e1 migrar para a informalidade. O problema \u00e9 que at\u00e9 os empregos informais na constru\u00e7\u00e3o est\u00e3o diminuindo. S\u00e3o pouqu\u00edssimas as obras em andamento hoje no pa\u00eds.<b> <\/p>\n<p>Descontrole<\/b> <\/p>\n<p>O retrato cruel da constru\u00e7\u00e3o civil decorre do ac\u00famulo de erros cometidos por Dilma nos \u00faltimos anos. Ao destruir as contas p\u00fablicas, o governo foi obrigado a pisar no freio dos gastos. Os projetos de infraestrutura, tamb\u00e9m contaminados pela descoberta de um monstruoso esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras, praticamente pararam. As obras do Minha Casa Minha Vida est\u00e3o em ritmo de c\u00e1gado, porque o Tesouro Nacional deu calote de mais de R$ 1,5 bilh\u00e3o nas construtoras. <\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o foi afetada ainda pela onda de incertezas espalhada pelo Pal\u00e1cio do Planalto. O descontrole fiscal pressionou a infla\u00e7\u00e3o, que corroeu o poder de compra das fam\u00edlias. Na esteira da alta do custo de vida, as taxas de juros dispararam e o cr\u00e9dito imobili\u00e1rio secou. Amea\u00e7adas pelo desemprego, as fam\u00edlias suspenderam a compra de im\u00f3veis. N\u00e3o h\u00e1 como encarar financiamentos por 25, 30 anos, sem a certeza de que haver\u00e1 dinheiro para honrar as presta\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Certamente, esse quadro dram\u00e1tico da constru\u00e7\u00e3o e de toda a economia n\u00e3o teria se materializado se Dilma n\u00e3o tivesse feito tantas estripulias. Auxiliada pelo ent\u00e3o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a presidente adotou o que chamou de nova matriz econ\u00f4mica, uma loucura baseada da vis\u00e3o de que o Estado poderia fazer tudo e de que um pouco mais de infla\u00e7\u00e3o ajudaria a incrementar o crescimento econ\u00f4mico. Tudo, \u00e9 claro, acompanhado por manobras cont\u00e1beis e pedaladas fiscais condenadas pelo TCU. <\/p>\n<p>Como diz o presidente da Cbic, se Dilma tivesse aplicado, no primeiro mandato, o rem\u00e9dio adequado, ou seja, um ajuste fiscal consistente, o pa\u00eds n\u00e3o estaria de joelhos. Haveria algum impacto negativo, mas n\u00e3o ter\u00edamos que lidar com contra\u00e7\u00e3o do PIB por dois anos seguidos, desemprego caminhando para 10% e infla\u00e7\u00e3o de dois d\u00edgitos. Hoje, n\u00e3o se teria \u00edndices robustos de crescimento, mas o Brasil teria preservado empregos e o horizonte n\u00e3o estaria t\u00e3o turvado.<b> <\/p>\n<p>Como um zumbi<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Ontem, Dilma reuniu seu minist\u00e9rio para tentar tirar a corda do pesco\u00e7o. Cobrou ajuda. Mas de nada adiantar\u00e1 o apelo. A senten\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 dada. Mesmo que consiga se arrastar at\u00e9 2018, ser\u00e1 um zumbi. E de nada adiantar\u00e1 jogar a culpa nos inimigos, acus\u00e1-los de golpe. Foi ela quem pavimentou todo o caminho percorrido at\u00e9 agora. <\/p>\n<p><b>Reza para n\u00e3o largar o osso<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O clima no Pal\u00e1cio do Planalto est\u00e1 t\u00e3o ruim que muitos companheiros que se agarram com todas as for\u00e7as aos cargos comissionados do cabide constru\u00eddo pelo PT j\u00e1 est\u00e3o fazendo promessas para que Dilma resista. Se ela cair, ter\u00e3o que dar adeus \u00e0 boa vida que v\u00eam usufruindo h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Ningu\u00e9m quer largar o osso. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 09h10min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff vai sangrar muito at\u00e9 que o Congresso decida sobre a rejei\u00e7\u00e3o das contas do governo de 2014, proposta pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU). Essa hemorragia, por\u00e9m, custar\u00e1 muito caro ao pa\u00eds. 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