{"id":22277,"date":"2021-11-25T15:46:24","date_gmt":"2021-11-25T18:46:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=22277"},"modified":"2021-11-25T20:17:59","modified_gmt":"2021-11-25T23:17:59","slug":"restara-ao-governo-mudar-meta-de-inflacao-em-2022-alerta-ex-diretor-do-bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/restara-ao-governo-mudar-meta-de-inflacao-em-2022-alerta-ex-diretor-do-bc\/","title":{"rendered":"Restar\u00e1 ao governo mudar meta de infla\u00e7\u00e3o em 2022, alerta ex-diretor do BC"},"content":{"rendered":"<h2>ROSANA HESSEL<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>A alta em novembro de 1,17% no indicador da pr\u00e9via da infla\u00e7\u00e3o oficial, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA-15), ficou acima das previs\u00f5es do mercado e confirmou o fato de que o aumento de pre\u00e7os \u00e9 persistente e o Banco Central n\u00e3o conseguir\u00e1 cumprir a meta de 2022. Logo, ap\u00f3s descumprir a meta deste ano, restar\u00e1 ao governo mudar a meta do pr\u00f3ximo para evitar o constrangimento de dois anos seguidos sem conseguir cumprir mais uma regra.<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Pelas estimativas do economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC), o IPCA de 2022 dever\u00e1 encerrar o ano que vem com alta entre 6% e 6,5%, ou seja, acima do teto da meta, de 5%.\u00a0&#8220;N\u00e3o adiantar\u00e1 nada o Copom elevar a taxa Selic em dois ou tr\u00eas pontos percentuais em dezembro. Ele n\u00e3o vai conseguir reduzir a infla\u00e7\u00e3o em 2022, porque ela vai ficar acima do teto da meta. S\u00f3 vai restar ao governo mudar a meta no meio do ano&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o ex-diretor do BC, a infla\u00e7\u00e3o atual \u00e9 mais de oferta do que de demanda, e, portanto, a pol\u00edtica monet\u00e1ria mais restritiva para o consumo, com juros cada vez mais altos, n\u00e3o ajudar\u00e1 a manter os pre\u00e7os dentro da meta definida pelo CMN. Al\u00e9m disso, vai travar o crescimento econ\u00f4mico, porque restringe o cr\u00e9dito e o consumo, podendo ajudar a colocar o pa\u00eds em uma recess\u00e3o profunda.\u00a0&#8220;O Banco Central consegue fazer muito pouco elevando a Selic sem que o governo ajude no lado fiscal&#8221;, explicou.\u00a0 Pelas estimativas de Gomes, no ano que vem, as quedas no consumo e na produ\u00e7\u00e3o industrial j\u00e1 est\u00e3o contratadas, pois a renda est\u00e1 encolhendo e o desemprego continuar\u00e1 elevado, acima de dois d\u00edgitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso que o BC utilize outras ferramentas para reduzir a restri\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito e estimular o investimento das empresas para criar empregos, mas n\u00e3o vai adiantar nada querer estimular o consumo das fam\u00edlias oferecendo mais cr\u00e9dito para quem j\u00e1 est\u00e1 muito endividado, na avalia\u00e7\u00e3o de Gomes.\u00a0Com a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o dando tr\u00e9gua e o desemprego elevado, as fam\u00edlias brasileiras est\u00e3o cada vez mais endividadas. Conforme dados da CNC, o endividamento \u00e9 recorde neste ano, chegando a 74,6% do rendimento, conforme os dados de setembro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Alta de pre\u00e7os disseminada<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fabio Rom\u00e3o, economista s\u00eanior da LCA Consultores, tamb\u00e9m reconheceu tamb\u00e9m que ser\u00e1 dif\u00edcil para o Banco Central conseguir colocar a infla\u00e7\u00e3o dentro da meta apenas elevando a taxa Selic, porque al\u00e9m do choque de oferta, outro fator que tem pressionados os pre\u00e7os internos \u00e9 a inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o fiscal, que vem pressionando o d\u00f3lar, que dever\u00e1 continuar elevado no ano que vem. Os dados do IPCA-15 mostram que a dissemina\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o aumentou, passando de 63,76% em outubro para 75,20%, o que \u00e9 preocupante, porque o recuo dos pre\u00e7os fica mais dif\u00edcil quando h\u00e1 um maior n\u00famero de produtos pesquisados com valores reajustados para cima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A meta de infla\u00e7\u00e3o deste ano \u00e9 de 3,75%, com limite m\u00e1ximo de 5,25%, e, pelas novas proje\u00e7\u00f5es da LCA, o IPCA, que mede a infla\u00e7\u00e3o oficial, dever\u00e1 encerrar dezembro com alta de 10,2%, ou seja, quase o dobro do teto da meta.\u00a0&#8220;A infla\u00e7\u00e3o de 2022 tamb\u00e9m n\u00e3o deve ficar dentro da meta. Acabamos de revisar as nossas proje\u00e7\u00f5es e elevados de 5% para 5,5% a nossa estimativa para o IPCA, apesar de revisarmos para cima a nossa previs\u00e3o para a taxa Selic&#8221;, contou Rom\u00e3o.\u00a0Segundo ele, a nova previs\u00e3o da LCA passou de 10,75% para 11,75% ao ano. &#8220;Al\u00e9m do c\u00e2mbio m\u00e9dio mais alto, tem a in\u00e9rcia da infla\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deve ajudar para o IPCA ficar abaixo do teto da meta&#8221;, complementou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rom\u00e3o reconheceu que essas previs\u00f5es para o IPCA de 2022 devem continuar subindo, porque n\u00e3o h\u00e1 um consenso de que a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguir\u00e1 recuar para os patamares abaixo de 6% t\u00e3o facilmente, e,\u00a0 por conta disso, ele tamb\u00e9m n\u00e3o descarta a possibilidade de o CMN revisar a meta de infla\u00e7\u00e3o. &#8220;Esse cen\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 descartado na LCA e vem sendo cogitado h\u00e1 algum tempo&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Credibilidade no ch\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O CMN s\u00f3 pode mudar as regras de infla\u00e7\u00e3o no m\u00eas de junho. Vale lembrar que o governo Jair Bolsonaro (sem partido) est\u00e1 cada vez mais habituado em mudar regras quando elas n\u00e3o conseguem ser cumpridas. E isso vai ficar mais claro se a meta de infla\u00e7\u00e3o do ano que vem for alterada, em um claro sinal de que credibilidade est\u00e1 no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Analista um fundo estrangeiro lembrou que, apesar de ter conquistado a autonomia, o Banco Central perdeu a credibilidade no controle da infla\u00e7\u00e3o ap\u00f3s os erros na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria em 2020 e agora n\u00e3o consegue mais corrigir os equ\u00edvocos que cometeu. Al\u00e9m disso, assim como o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, est\u00e1 com a imagem bastante arranhada no mercado por tamb\u00e9m ter investimentos em para\u00edsos fiscais revelados pelo projeto Pandora Papers, do cons\u00f3rcio internacional de jornalistas investigativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, al\u00e9m de n\u00e3o entregar o que prometeu, Guedes abandonou as regras fiscais aceitar a mudan\u00e7a no indexador do teto de gastos na PEC dos Precat\u00f3rios, que prev\u00ea o calote de d\u00edvidas judiciais e provocar\u00e1 um efeito danoso para a trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica. Pelas estimativas do consultor da C\u00e2mara, Ricardo Volpe, apresentada nesta semana aos senadores, com a imposi\u00e7\u00e3o do limite para os precat\u00f3rios a partir de 2022, a d\u00edvida acumulada dessas a\u00e7\u00f5es que demoram d\u00e9cadas para serem pagas, poder\u00e1 chegar a R$ 1 trilh\u00e3o em 2036, ano em que deve terminar a vig\u00eancia do teto de gastos, tornando-se impag\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL A alta em novembro de 1,17% no indicador da pr\u00e9via da infla\u00e7\u00e3o oficial, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA-15), ficou acima das previs\u00f5es do mercado e confirmou o fato de que o aumento de pre\u00e7os \u00e9 persistente e o Banco Central n\u00e3o conseguir\u00e1 cumprir a meta de 2022. 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