{"id":223,"date":"2015-10-16T09:13:00","date_gmt":"2015-10-16T12:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/afundando_nos_erros\/"},"modified":"2015-10-16T09:13:00","modified_gmt":"2015-10-16T12:13:00","slug":"afundando_nos_erros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/afundando_nos_erros\/","title":{"rendered":"AFUNDANDO NOS ERROS"},"content":{"rendered":"\n<p>A decis\u00e3o da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Fitch de cortar a nota do Brasil n\u00e3o teve o impacto devastador do an\u00fancio feito pela Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P), que retirou o selo de bom pagador do pa\u00eds, mas mostrou um quadro desolador da economia brasileira. O que se v\u00ea nas justificativas da Fitch para o rebaixamento \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o \u00e0 deriva. N\u00e3o h\u00e1 nenhum sinal de melhora \u00e0 vista. Se algo pode acontecer, \u00e9 para pior.&nbsp;O Brasil de Dilma Rousseff est\u00e1 quebrado. A op\u00e7\u00e3o da presidente de seguir o modelo econ\u00f4mico defendido pelo PT, que foi derrotado v\u00e1rias vezes antes de Lula assumir a defesa da estabilidade, promoveu um estrago t\u00e3o grande, que, para juntar o cacos, levar\u00e1 anos. O mais assustador \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 nenhum projeto efetivo para tirar o pa\u00eds do atoleiro, apenas promessas inconsistentes, como a de estabilizar a d\u00edvida p\u00fablica, que caminha firmemente para os 70% do Produto Interno Bruto (PIB).&nbsp;A falta de capacidade do governo de retomar o controle da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 expl\u00edcita. Em vez de organizar a base pol\u00edtica para aprovar projetos importantes no Congresso a fim de dar uma dire\u00e7\u00e3o, ainda que m\u00ednima, aos agentes econ\u00f4micos, o Pal\u00e1cio do Planalto se atropela em negocia\u00e7\u00f5es vergonhosas com o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Eduardo Cunha, para livr\u00e1-lo da cassa\u00e7\u00e3o e impedir o impeachment de Dilma.&nbsp;O descompromisso com a economia real \u00e9 tamanho, que parte do governo preferiu comemorar a rea\u00e7\u00e3o dos mercados diante do rebaixamento do pa\u00eds pela Fitch do que mostrar preocupa\u00e7\u00e3o e medidas concretas para o resgate da confian\u00e7a. Esse grupo atribuiu a queda do d\u00f3lar e a alta da bolsa a um sinal de que os investidores j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o tanta import\u00e2ncia \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias de risco. Trata-se de uma vis\u00e3o equivocada.&nbsp;Na verdade, os mercados est\u00e3o precificando o poss\u00edvel afastamento de Dilma. Para algumas casas banc\u00e1rias, s\u00e3o de 80% as chances de o governo da petista ser interrompido. Al\u00e9m disso, a situa\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 t\u00e3o ruim que, neste momento, os investidores est\u00e3o preferindo se apegar a fatores externos para guiar os neg\u00f3cios. O d\u00f3lar e a bolsa de valores est\u00e3o oscilando de acordo com os sinais emitidos pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, de que a alta de juros na maior economia do planeta ficar\u00e1 para 2016. Isso mostra, por\u00e9m, uma vulnerabilidade maior do pa\u00eds. Se algo de ruim acontecer l\u00e1 fora, o impacto por aqui ser\u00e1 brutal.&nbsp;<b>Tapa-buracos<\/b> <\/p>\n<p>A conta do descaso do governo s\u00f3 aumenta. O Tesouro Nacional, respons\u00e1vel por administrar a d\u00edvida do pa\u00eds, est\u00e1 sendo obrigado a pagar juros cada vez maiores para se financiar no mercado. A cada leil\u00e3o semanal de t\u00edtulos, as taxas batem recorde. Com isso, a situa\u00e7\u00e3o fiscal s\u00f3 piora, pois \u00e9 necess\u00e1rio mais dinheiro para honrar os compromissos com os credores. Como n\u00e3o h\u00e1 recursos suficientes, o Tesouro \u00e9 obrigado a emitir mais pap\u00e9is, empurrando o total de d\u00e9bitos para n\u00edveis alarmantes. A Fitch prev\u00ea que a d\u00edvida bruta chegue aos 70% do PIB no fim de 2016. Os analistas projetam 80% at\u00e9 2018.&nbsp;Sem um ajuste fiscal consistente, n\u00e3o h\u00e1 como interromper essa trajet\u00f3ria explosiva. Os arremedos propostos pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, d\u00e3o apenas um al\u00edvio de curto prazo. Mas nem mesmo esses tapa-buracos sa\u00edram do papel. Quase 80% deles dependem de aprova\u00e7\u00e3o do Congresso, que n\u00e3o tem outra pauta que n\u00e3o seja o impeachment de Dilma.&nbsp;Um conceituado t\u00e9cnico do governo diz que, neste momento, o \u00fanico ajuste fiscal em execu\u00e7\u00e3o \u00e9 o controle na boca do caixa do Tesouro. O problema \u00e9 que esse mecanismo abriu espa\u00e7o para suspei\u00e7\u00e3o. O Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) determinou novas investiga\u00e7\u00f5es para checar se a administra\u00e7\u00e3o Dilma continua fazendo as pedaladas fiscais que levaram o \u00f3rg\u00e3o a propor ao Congresso a rejei\u00e7\u00e3o das contas da petista de 2014, ou seja, o governo Dilma s\u00f3 se enrola nos pr\u00f3prios erros e leva o pa\u00eds para o buraco.  <\/p>\n<p>Mesmo ciente do desastre que provocou no pa\u00eds ao aceitar mais infla\u00e7\u00e3o e destruir as contas p\u00fablicas, a petista finge que acredita que tudo est\u00e1 bem, que tudo n\u00e3o passa de compl\u00f4 de \u201cmoralistas sem moral\u201d para dar um golpe e defenestr\u00e1-la do poder.&nbsp; <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 09h15min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Fitch de cortar a nota do Brasil n\u00e3o teve o impacto devastador do an\u00fancio feito pela Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P), que retirou o selo de bom pagador do pa\u00eds, mas mostrou um quadro desolador da economia brasileira. 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