{"id":230,"date":"2015-10-21T00:10:00","date_gmt":"2015-10-21T02:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_destruicao_do_bc\/"},"modified":"2015-10-21T00:10:00","modified_gmt":"2015-10-21T02:10:00","slug":"a_destruicao_do_bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_destruicao_do_bc\/","title":{"rendered":"A DESTRUI\u00c7\u00c3O DO BC"},"content":{"rendered":"\n<p>Com as maluquices que promoveu na economia, levando o pa\u00eds a mergulhar na recess\u00e3o e a ostentar infla\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 10%, a presidente Dilma conseguiu a proeza de acabar com a efic\u00e1cia das a\u00e7\u00f5es do Banco Central. Nada do que a institui\u00e7\u00e3o fizer hoje \u2014 quando deve anunciar a manuten\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 14,25% ao ano \u2014 ou nos pr\u00f3ximos meses ter\u00e1 efeito. A autoridade monet\u00e1ria est\u00e1 de m\u00e3os atadas, assistindo, at\u00f4nita, o pa\u00eds afundar.  <\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do BC \u00e9 t\u00e3o desesperadora que, se aumentasse hoje a taxa Selic para conter a infla\u00e7\u00e3o, aprofundaria a recess\u00e3o e estimularia uma onda de desconfian\u00e7a quanto \u00e0 capacidade do governo de honrar os compromissos da d\u00edvida. Os juros est\u00e3o t\u00e3o elevados que j\u00e1 consomem 8% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano. Como o governo n\u00e3o consegue economizar um centavo para pagar seus credores, \u00e9 obrigado a emitir mais t\u00edtulos p\u00fablicos, ampliando o endividamento. Muitos chamam esse quadro de domin\u00e2ncia fiscal.  <\/p>\n<p>Desde que o pa\u00eds conseguiu estabilizar a economia, em 1994, com o Plano Real, nunca se viu a autoridade monet\u00e1ria em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o desvantajosa, correndo o risco de ver o que lhe resta de credibilidade se esvair. H\u00e1 um compromisso formal do presidente do BC, Alexandre Tombini, de levar a infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta, de 4,5%, ao fim de 2016. Mas todas as proje\u00e7\u00f5es mostram que essa tarefa se tornou quase imposs\u00edvel.  <\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos de Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, para que a infla\u00e7\u00e3o feche o pr\u00f3ximo ano no centro da meta, ser\u00e1 necess\u00e1rio que o BC eleve a Selic em cinco pontos percentuais, ou seja, dos atuais 14,25% para 19,25% ao ano. \u201cMas n\u00e3o h\u00e1 como fazer isso\u201d, diz. \u201cPrimeiro, por causa da recess\u00e3o. Segundo, porque desencadearia uma onda de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica\u201d, acrescenta. \u201cMas tamb\u00e9m de nada adianta subir pouco os juros, pois o efeito sobre a infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 nulo.\u201d  <\/p>\n<p><b>S\u00f3 decep\u00e7\u00e3o<\/b>  <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Solange, as m\u00e3os do BC foram atadas pelo governo diante da indefini\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal. A institui\u00e7\u00e3o contava com o cumprimento da meta de superavit prim\u00e1rio de 1,1% do PIB para levar a infla\u00e7\u00e3o ao centro da meta ao fim de 2016. Al\u00e9m de reduzir a press\u00e3o dos gastos p\u00fablicos sobre o custo de vida, o arrocho nas despesas seria um importante sinal de compromisso do governo com a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas.  <\/p>\n<p>Com isso, acreditava a autoridade monet\u00e1ria, as expectativas para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) dos pr\u00f3ximos anos ficariam ancoradas em 4,5%, o que abriria, no in\u00edcio de 2016, as portas para um processo de corte de juros. A proje\u00e7\u00e3o do mercado era de que a Selic poderia ceder at\u00e9 os 10%, amplificando a for\u00e7a da economia para sair do atoleiro em que se encontra hoje. E o BC n\u00e3o estava errado.  <\/p>\n<p>At\u00e9 julho, tudo caminhava para a normaliza\u00e7\u00e3o da economia. As proje\u00e7\u00f5es para a infla\u00e7\u00e3o entre 2016 e 2018 estavam se acomodando em 4,5%. Mas o quadro come\u00e7ou a ruir quando o governo decidiu reduzir o superavit prim\u00e1rio deste ano para 0,15% do PIB e baixar as metas dos anos seguintes. Os agentes econ\u00f4micos viram nesse gesto um indicador de que o compromisso fiscal assumido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, come\u00e7ava a virar p\u00f3.  <\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o degringolou de vez quando o governo enviou ao Congresso proposta de Or\u00e7amento para 2016 com rombo de R$ 30,5 bilh\u00f5es. A decis\u00e3o, que n\u00e3o contou com o aval de Levy, que sequer foi ouvido, levou o pa\u00eds a perder o grau de investimento pela Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P) e a minar a capacidade de rea\u00e7\u00e3o do Banco Central. Houve at\u00e9 a tentativa de enviar ao Legislativo, dias depois, um projeto com propostas para cobrir o deficit e garantir superavit de 0,7% do PIB em 2016. Mas nada andou por causa da crise pol\u00edtica e da perspectiva de impeachment de Dilma. Para completar: deu-se in\u00edcio a um compl\u00f4 para derrubar o ministro da Fazenda.  <\/p>\n<p>O resultado disso, explica Solange, \u00e9 que n\u00e3o se sabe para onde o BC vai. A institui\u00e7\u00e3o pode manter a Selic em 14,25% por um tempo e esperar que o ajuste fiscal seja, finalmente, posto em pr\u00e1tica, para, ent\u00e3o, retomar o controle da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Contudo, as perspectivas para a infla\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3ximos anos s\u00f3 v\u00e3o piorar, agravando a recess\u00e3o, estimulando o desemprego e aumentando o pessimismo dos agentes econ\u00f4micos. Para 2016, a proje\u00e7\u00e3o do mercado para o IPCA j\u00e1 est\u00e1 em 6,22%. As de 2017, em 5% e, as de 2018, em 4,70%.<b>  <\/p>\n<p>Mundo da fantasia<\/b>  <\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o complexa e incerta, que a economista da ARX Investimentos diz que o melhor cen\u00e1rio com que trabalha hoje \u00e9 de queda de 3% do PIB neste ano e de retra\u00e7\u00e3o de 2% em 2016 \u2013 isso, com infla\u00e7\u00e3o de 10% e 7%, respectivamente. \u201cN\u00e3o descarto que, tamb\u00e9m em 2017, haja queda do PIB, com acelera\u00e7\u00e3o do custo de vida, porque o d\u00f3lar continuar\u00e1 subindo. O \u00fanico jeito desse quadro dram\u00e1tico n\u00e3o se confirmar \u00e9 o ajuste fiscal sair, com Levy sendo fortalecido\u201d, destaca. <\/p>\n<p>O governo, por\u00e9m, parece conspirar para o pior. Descobriu-se, agora, que o rombo das contas p\u00fablicas \u00e9 muito maior, podendo passar de R$ 50 bilh\u00f5es neste ano. Isso significa dizer que ser\u00e1 preciso um arrocho fiscal muito maior do que o prometido pelo fragilizado Levy. O deficit fiscal pode chegar a 0,85% do PIB, uma barbaridade.  <\/p>\n<p>Para Solange, os mercados s\u00f3 n\u00e3o reagiram mais violentamente a essa situa\u00e7\u00e3o porque o quadro internacional est\u00e1 calmo, com a perspectiva de os Estados Unidos s\u00f3 elevarem os juros no ano que vem. Ou seja, ao menor espirro l\u00e1 fora um tsunami pode abater o Brasil. Esse \u00e9 o pa\u00eds de Dilma Rousseff, que, no mundo da fantasia em que vive, teve a coragem de dizer que n\u00e3o h\u00e1 corrup\u00e7\u00e3o em seu governo. A presidente, realmente, est\u00e1 passando dos limites do bom senso.<i>  <\/p>\n<p><\/i><i>Bras\u00edlia, 00h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com as maluquices que promoveu na economia, levando o pa\u00eds a mergulhar na recess\u00e3o e a ostentar infla\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 10%, a presidente Dilma conseguiu a proeza de acabar com a efic\u00e1cia das a\u00e7\u00f5es do Banco Central. 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