{"id":233,"date":"2015-10-22T09:05:00","date_gmt":"2015-10-22T11:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/no_lixo-2\/"},"modified":"2015-10-22T09:05:00","modified_gmt":"2015-10-22T11:05:00","slug":"no_lixo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/no_lixo-2\/","title":{"rendered":"NO LIXO"},"content":{"rendered":"\n<p>O Banco Central rasgou o atual regime de metas de infla\u00e7\u00e3o. A institui\u00e7\u00e3o deixou claro ontem, por meio do comunicado do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), que n\u00e3o trabalha mais com objetivos anuais para o custo de vida. Agora, vai perseguir a meta \u201cnum horizonte prolongado\u201d de tempo. O presidente do BC, Alexandre Tombini, havia assumido, publicamente, que entregaria a infla\u00e7\u00e3o em 4,5% no fim de 2016. Mas foi derrotado pela realidade. Sem ajuste fiscal e com a economia mergulhada em uma profunda recess\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 nada que a autoridade monet\u00e1ria possa fazer neste momento. A n\u00e3o ser rezar e esperar.&nbsp;N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o BC adia a miss\u00e3o de entregar a infla\u00e7\u00e3o na meta. Desde que a presidente Dilma Rousseff tomou posse, em janeiro de 2011, a institui\u00e7\u00e3o nunca conseguiu levar o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) para o objetivo determinado pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). Sempre postergou a tarefa. Capturada pelo Pal\u00e1cio do Planalto, a diretoria do BC optou pela leni\u00eancia no combate \u00e0 carestia, baseada na vis\u00e3o de que um pouco mais de infla\u00e7\u00e3o traria mais crescimento. A institui\u00e7\u00e3o reduziu juros, para alegria de Dilma, mesmo com o IPCA sistematicamente pr\u00f3ximo do teto da meta, de 6,5%. O Produto Interno Bruto (PIB), contudo, s\u00f3 afundou.&nbsp;\u00c9 verdade que, num rompante para tentar reconstruir sua credibilidade, o BC de Tombini come\u00e7ou a elevar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) logo ap\u00f3s a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma, em outubro do ano passado. A Selic atingiu, em julho \u00faltimo, 14,25% ao ano, o maior n\u00edvel em nove anos. Mesmo assim, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o caiu. Muito pelo contr\u00e1rio, disparou e corre s\u00e9rio risco de fechar o ano em 10% ou mais.&nbsp;Boa parte desse \u00edndice decorre do ajuste das tarifas p\u00fablicas, que ficaram represadas do primeiro mandato da petista como forma de enganar a popula\u00e7\u00e3o durante a disputa eleitoral. Era esperado, portanto, que, para 2016 e os anos seguintes, as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o cedessem e ficassem ancoradas no centro da meta. Num primeiro momento, os especialistas deram cr\u00e9dito \u00e0 promessa de Tombini. Mas, aos poucos, foram percebendo que a autoridade monet\u00e1ria estava encurralada, pois o principal condicionante para que o custo de vida orbitasse em torno de 4,5%, o ajuste fiscal, estava saindo do controle.&nbsp;As perspectivas para o IPCA se deterioraram por completo. Na avalia\u00e7\u00e3o do economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, o piso para a carestia no ano que vem est\u00e1 se fixando em 7%. Ningu\u00e9m acredita mais em infla\u00e7\u00e3o na meta. \u00c9 poss\u00edvel que, diante da desconfian\u00e7a generalizada, nem em 2017 e 2018 o BC consiga cumprir sua miss\u00e3o. Al\u00e9m de o ajuste fiscal ter feito \u00e1gua, com o superavit prim\u00e1rio deste ano, de 0,15% do PIB se transformando em deficit de quase 1%, o d\u00f3lar continuar\u00e1 apontando para cima, pressionando o custo das empresas e o bolso dos consumidores.&nbsp;<b>Insolv\u00eancia<\/b>&nbsp;Para n\u00e3o admitir por completo que perdeu a batalha da infla\u00e7\u00e3o, o BC deixou as portas abertas a um poss\u00edvel aumento dos juros. No comunicado de ontem, no qual explicou por que manteve a Selic em 14,25% ao ano, assegurou que se manter\u00e1 \u201cvigilante\u201d. Trata-se de um discurso velho, sem efeito. O BC sabe que, com o pa\u00eds atolado na recess\u00e3o e a incapacidade do Tesouro Nacional de suportar novas altas da Selic, j\u00e1 que a d\u00edvida p\u00fablica est\u00e1 em trajet\u00f3ria explosiva, ser\u00e1 apenas um observador atento, sem espa\u00e7o para agir.&nbsp;Juros mais altos significam tombo maior no PIB e um importante detonador de uma onda de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade do governo de honrar seus compromissos em dia. Essa perspectiva de insolv\u00eancia vem ganhando corpo nas \u00faltimas semanas e j\u00e1 est\u00e1 custando car\u00edssimo aos cofres p\u00fablicos, uma vez que o Tesouro est\u00e1 sendo obrigado a pagar taxas cada vez mais elevadas para se financiar no mercado.&nbsp;T\u00e9cnicos do BC admitem que o quadro atual \u00e9 dram\u00e1tico, mas acreditam que o mercado saber\u00e1 reconhecer a transpar\u00eancia que a institui\u00e7\u00e3o deu aos rumos da pol\u00edtica monet\u00e1ria ao jogar no lixo a promessa de se levar a infla\u00e7\u00e3o ao centro da meta at\u00e9 o fim de 2016. No entender de Eduardo Velho, \u00e9 verdade que o BC ficou mais realista. Mas a autoridade monet\u00e1ria deve se preparar para novas revis\u00f5es das estimativas de infla\u00e7\u00e3o, deixando o ambiente para os neg\u00f3cios mais hostil.&nbsp;\u201cA minha avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, na ata da reuni\u00e3o de ontem, que ser\u00e1 divulgada na pr\u00f3xima semana, o BC apontar\u00e1 a deteriora\u00e7\u00e3o das expectativas inflacion\u00e1rias tanto no cen\u00e1rio de refer\u00eancia, quanto no de mercado\u201d, diz o economista da INVX. Isso quer dizer que BC e analistas privados v\u00e3o assumir que os reajustes de pre\u00e7os v\u00e3o se acentuar. O resultado, acredita ele, ser\u00e1 novos aumentos nas taxas de juros dos contratos futuros, que servem de par\u00e2metro para a forma\u00e7\u00e3o dos encargos cobrados pelos bancos em empr\u00e9stimos e financiamentos.&nbsp;A consequ\u00eancia ser\u00e1 cr\u00e9dito ainda mais caro e escasso, j\u00e1 que as institui\u00e7\u00f5es financeiras temem levar calote diante do agravamento da recess\u00e3o, que far\u00e1 o desemprego e os \u00edndices de fal\u00eancia dispararem. E mais: as duas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco que ainda n\u00e3o tiraram o selo de bom pagador do pa\u00eds \u2014 a Moody\u2019s e a Fitch \u2014 v\u00e3o faz\u00ea-lo at\u00e9 a primeira metade do pr\u00f3ximo ano. Resumindo: \u00e9 bom nos prepararmos para dias ainda piores.   <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 09h05min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central rasgou o atual regime de metas de infla\u00e7\u00e3o. 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